Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
SEM INFORMAÇÕES

Parentes revelam angústia na espera por informações sobre mortos em rebelião

Peritos do IML tinham lista com 75 nomes de detentos, mas relação incluía nomes de foragidos, o que aumentou a tensão por parte dos familiares que eram chamados



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Funcionários do IML chamavam parentes de detentos em ordem alfabética (Foto: Antônio Lima)
02/01/2017 às 20:30

“Eu não tenho mais esperança de que meu filho esteja vivo. Na sexta-feira eu falei com ele pela última vez e ele disse que haveria uma revista lá. Eu fiquei muito preocupado e agora aconteceu toda essa desgraça”. O desabafo é do motorista Rubens Costa, 60,  pai do detento Robson Souza da Costa, 35, um dos 75 detentos cujos nomes estavam sendo chamados durante a tarde de ontem, em um dos portões do Instituto Médico Legal (IML), na Zona Norte. 

Assim como ele, dezenas de pessoas se aglomeraram durante todo o dia na frente do IML, pegando sol e chuva, em busca de informações. Mas com uma estrutura precária para o atendimento, as primeiras só começaram a chegar no início da tarde. “O que deixou a gente mais angustiado foi essa demora e a falta de informação. Ninguém merece passar por isso”, afirmou o motorista. 

Peritos do  Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) explicaram que uma lista com 75 nomes foi criada para facilitar a identificação dos corpos. 

Apesar de o número ser maior que a quantidade de mortos divulgada pela Segurança Pública (SSP), que estimou pelo menos 60 assassinatos, a listagem contém nomes das vítimas, mas também de possíveis foragidos. “Não significa que nessa lista todos os nomes estejam aqui (no IML). Mas o Compaj forneceu esses nomes para verificarmos quem são as vítimas”, explicou um perito que estava fornecendo informações aos familiares. 

 

A partir dessa listagem, um representante da família era levado para uma sala dentro do IML onde repassava todas as informações e características dos detentos que possam ajudar na identificação.  Os peritos estimam que esse processo leve de três a cinco dias para ser finalizado. As impressões digitais e o levantamento de imagem dos corpos também foram coletadas para auxiliar na identificação das vítimas, segundo a SSP. 

Sem estrutura para os 60 corpos e com apenas 20 gavetas, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) anunciou que alugaria  um caminhão frigorífico para realizar as necropsias. No entanto, até às 20h de ontem, o caminhão não havia chegado no IML.  

Sem resposta

Pela manhã, a dona de casa Cleide Faria, 42, também aguardava esperançosa por notícias do marido, Paulo Victor, 37, condenado por assalto. Ela relatou que passou a virada do ano com o marido na cadeia e que ele não comentou sobre a rebelião. "Ele não disse nada, não esboçou nenhuma reação de que ia ter isso. Se eu soubesse eu não teria saído de lá, eu ainda dormi com ele e sai da cadeia ontem (domingo) pela manhã", disse.

A ajudante de cozinha Valdernice Nascimento, 45, já não tinha mais esperança de ver o filho, Cairo Nascimento, vivo. “No sábado ele comentou que estava sendo ameaçado, que todos do PCC iam morrer. Agora eu pergunto, que presídio é este onde entram armas e matam os detentos que estão sob responsabilidade do Estado? Cadê os direitos humanos que tanto falam?”, questionou. 

Reforço

A Força-Tarefa também  é formada por delegados de unidades especializadas e Distritos Integrados de Polícia (DIPs) e será coordenada diretamente pelos delegados Ivo Martins, Tarson Yuri e Rodrigo de Sá Barbosa, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), 4ª Seccional Oeste e 20º DIP, respectivamente. O objetivo  é identificar os líderes do massacre no Compaj e responsabilizá-los criminalmente.  


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