Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
RELATOS

Em Manaus, insegurança no Parque dos Bilhares afasta frequentadores

Casos de roubos e falta de mais policiamento em espaço de passeio e lazer do município têm afastado frequentadores



AAAA_59B99EF5-47DC-4AAD-B697-6D1EA26ACF52.JPG Foto: Junio Matos
17/01/2020 às 07:02

O Parque Municipal Ponte dos Bilhares é um dos espaços públicos com melhor estrutura em Manaus, com academia ao ar livre, campo de futebol, quadra esportiva, espaço para caminhada, sorveteria, além de ser arborizado. Mas entre os frequentadores do parque, localizado entre as avenidas Constantino Nery e Djalma Batista, no bairro Chapada, Zona Centro-Sul, há uma triste unanimidade: o espaço é bom, porém falta mais segurança e manutenção.

Em uma volta é possível notar que o Bilhares está longe de exibir o mesmo glamour de outrora. Quando foi inaugurado, em 2005, o espaço contava com lanchonetes e sorveterias nas duas etapas, um sushi bar e até mesmo uma estação de rádio própria (uma “voz” com programas apresentados e produzidos por estudantes de Comunicação Social). Hoje, não lembra em nada aquele lugar que, um dia, foi palco de diversas atividades culturais, incluindo um festival literário internacional.



Atualmente, a segunda etapa talvez seja a parte mais movimentada do parque por conta das quadras, da pista de patins e da academia ao ar livre. Mesmo assim, os frequentadores costumam ser aconselhados a evitarem a parte dos fundos, onde está o campo de futebol, cercado por uma densa vegetação, que, segundo relatos, costuma servir de esconderijo para assaltantes.

O resultado da insegurança do Bilhares nos últimos anos tem sido o esvaziamento do lugar. Quem costumava ir ao espaço para passear com a família ou se exercitar, deixou de frequentar por não se sentir mais seguro. Como é o caso do estagiário Patrick Vieira, 21, que foi assaltado quando “cortava caminho” pelo parque para ir à escola.

“Fui abordado logo na saída do Bilhares quando dois homens armados saíram de um carro e exigiram o meu celular. A ação deles foi rápida. Não tinha nenhum guarda por perto e ninguém viu”, afirmou.

“Eu e os meus pais sempre íamos ao parque. Não vamos mais porque o lugar foi abandonado pelo poder público. Você pode ver que hoje quase ninguém frequenta. Eu mesmo, após ser assaltado, não passo mais por lá, prefiro ir por outro caminho”, disse.

A professora Elizabeth Santos, uma entusiasta na preservação de espaços verdes no meio urbano, também deixou há muito de levar os netos para passear no Parque Municipal Ponte dos Bilhares.

“É importante levar as crianças para essas áreas verdes da cidade para que, desde cedo, elas criem um laço afetivo com os bens naturais. Por outro lado também é preciso que essas áreas apresentem segurança aos frequentadores. Deixei de frequentar o Parque dos Bilhares com os meus netos porque o lugar se tornou uma “ameaça” para quem quer estar lá. O poder público precisa investir mais no policiamento dessas áreas arborizadas para atrair mais as pessoas”, disse.

Guardas confirmam perigo, diz vítima

Embora a Prefeitura de Manaus alegue que, desde quando foram implantadas as rondas do ciclopatrulhamento da Polícia Militar, em abril do ano passado, o Parque dos Bilhares não registrou mais ocorrências de arrastões, os assaltos continuam ocorrendo. Por volta das 10h da manhã do último sábado (11), por exemplo, o carro da jornalista Isabelle Valois, 30, foi arrombado enquanto ela e a mãe passeavam no local com as suas duas cadelas. Nada de valor foi levado e os bandidos só não conseguiram roubar o veículo por causa da trava do volante e do alarme.

“Quando retornávamos para o carro encontrei o vidro do meu carro totalmente quebrado e o vidro do passageiro todo arranhado. Os bandidos chegaram a pegar a bolsa que tinha a minha habilitação e os documentos do carro, mas graças a Deus eles jogaram de volta”, relatou.

Isabelle chegou a pedir ajuda dos guardas metropolitanos, responsáveis pela segurança patrimonial. “Três guardas foram até o local onde estava o veículo e me disseram que da próxima vez eu preciso colocar o carro na área próxima à cabana onde eles ficam, pois esse tipo de ação virou rotineira no lugar e até motos já foram roubadas. O lazer se transformou em um prejuízo. Uma pena, pois o parque ainda é um lugar bastante frequentado pelas famílias”, lamentou.

Ciclopatrulhas e guarda municipal

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), responsável pela gestão do Parque Ponte dos Bilhares, informou, por meio de nota enviada ao jornal A CRÍTICA, que, desde abril do ano passado, quando foram implantadas as rondas do “ciclopatrulhamento” da Polícia Militar, o parque não registrou mais ocorrências de assaltos e nem de arrastões. Além da ciclopatrulha, o logradouro conta com o efetivo da Guarda Municipal da Prefeitura de Manaus, responsável pela segurança patrimonial.

A nota informa ainda que, diariamente, os policiais militares ciclistas percorrem toda a extensão da primeira e da segunda etapas do parque nos horários de maior movimentação (sem especificar em quais horários essas rondas acontecem).

“Em dezembro passado foram entregues as obras de reforma e revitalização das quadras do parque. A recuperação incluiu pintura, substituição de alambrados, traves e tabelas, além de recuperação da rede elétrica. A recuperação das quadras esportivas, inclusive, marcou o início dos trabalhos de revitalização das duas etapas do parque. Para 2020, a Prefeitura de Manaus adiantou que recursos de emendas federais estão destinados a um projeto mais amplo de revitalização do parque”, diz um trecho.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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