Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
Manaus

Partido dos indecisos corre contra o tempo

Os pré-candidatos à eleição do próximo ano têm  cinco dias, a contar deste domingo (29), para debandarem em busca de nova sigla



1.jpg Atual vice-governador José Melo afirma estar negociando com quatro partidos sua filiação e esconde a legenda que mais lhe atrai
28/09/2013 às 19:26

A novela política que tem como enredo principal o troca-troca partidário chega aos últimos capítulos esta semana levando ao ar ingredientes típicos de folhetins: namoros, casamentos, separações e, como não poderia deixar de ser, intrigas. As cenas são embaladas por “Se”, de Djavan: “Você disse que não sabe se não/Mas também não tem certeza que sim…”

Até sábado que vem, dia 5 de outubro, todos os indecisos que pretendem concorrer a um cargo eletivo, em 2014, já devem estar abrigados em um novo partido. Criados recentemente, Pros e Solidariedade flertam com dezenas de políticos, com e sem mandato, e correm contra o tempo para filiar o máximo de simpatizantes.

A Rede Sustentabilidade, liderada pela ex-senadora Marina Silva, espera para esta semana receber o aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para figurar entre as novas siglas aptas a disputar as eleições no ano que vem. “Virou um filme de suspense”, resume o deputado estadual Luiz Castro, inclinado a trocar o PPS pela Rede. “Há um grande ponto de interrogação. A Marina já disse que não tem um Plano B. Nem eu”, comentou o parlamentar.

No “Partido dos Indecisos”, além de Luiz Castro, estão políticos de várias matizes: o vice-governador José Melo, que deixou o PMDB atirando; o deputado estadual Marco Antônio Chico Preto, que planeja deixar o PSD para, segundo ele, sair da “zona de conforto”; o também deputado Sidney Leite, que não sabe para onde vai, mas tem certeza que não fica no DEM; e o vereador licenciado e secretário municipal de Esporte, Fabrício Lima, que foi convidado a deixar o PRTB.

Negociações

O vice-governador José Melo afirma estar negociando com quatro partidos sua filiação e esconde a legenda que mais lhe atrai. “Por uma questão de estratégia, prefiro não declinar os nomes”, comenta. O desenlace público de Melo com o PMDB tem como causa a antecipação da disputa pela cadeira hoje ocupada por Omar Aziz (PSD).

Pelo mesmo motivo, o deputado Chico Preto pretende deixar a sigla liderada pelo governador do Amazonas. Virtual candidato a chefe do Poder Executivo Estadual, Chico Preto sabe que o vôo que pretende fazer sequer sairia do solo dentro do PSD. Ele afirma estar namorando e sendo namorado por várias siglas, mas, assim como Sidney Leite, Fabrício Lima e o deputado federal Plínio Valério (PSDB), vai deixar para definir seu futuro político nos minutos finais da novela.

Adesões

Até sexta-feira, Pros e Solidariedade anunciavam aproximadamente 40 adesões. Todos os demais partidos tiveram baixas. A criação de novas siglas partidárias é a saída ideal para parlamentares que querem pular a cerca sem serem punidos pela legislação. Dessa forma, mantém os mandatos, tempo de TV nos programas partidários e recursos do fundo partidário.


Blog: José Melo, Vice-governador do Estado do Amazonas

“Por  uma  questão de estratégia, não posso declinar os nomes”,  disse o vice-governador José Melo sobre os partidos com os quais tem mantido conversa após abandonar o PMDB. “Se eu já tivesse uma definição, poderia fazê-lo, mas, por enquanto, atrapalharia um pouquinho o que está sendo tratado. Não posso dizer”, comentou. “É uma questão de estratégia política”, afirmou.  Ele disse que é pré-candidato ao governo do Estado mesmo que o governador Omar Aziz decida ficar até o final do mandato. “Independente de qualquer coisa”, sustentou. “O governador Omar Aziz é um parceiro fantástico. Um amigo queridíssimo. Que me deu um espaço que ninguém nunca deu para um vice-governador. Ele me permite ajudá-lo a governar a quatro mãos. Omar tem se comportar como um magistrado”.


Personagem: Sidney Leite, deputado estadual pelo DEM

Eu estou conversando. Não tem nada definido. Uma coisa eu tenho certeza, eu vou sair do DEM. Primeiro, meu novo partido tem que ter um espaço de fórum democrático. O grande problema hoje dos partidos é a centralização das decisões. Isso não oxigena os ares que vivemos no nosso País. Dizem que os segmentos sociais não participam. Mas vão participar como, se não lhe é permitido os meios? Acho que a gente precisa urgentemente, antes da reforma política, fazer a reforma partidária. Não adianta ter reforma política se os partidos ainda estão com uma visão do século passado. O Pros me atrai pela oportunidade. É um partido novo, que a gente tem uma condição de construir com uma prática diferente.  Ninguém tem a solução para todos os problemas. Se você não discute, não conversa, e se o partido é um instrumento para eleição, o político não pode ter uma proposta que sai somente dele. Se não, o partido vira um instrumento apenas para eleição. Espero até terça definir. Ainda não tenho Plano B.



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