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Manaus
INSEGURANÇA

Passageiros e motoristas vivem momentos de terror durante assaltos a ônibus em Manaus

Vítimas afirmam terem sido até baleadas durante os crimes. Segundo a SSP, em apenas três meses de 2018 foram contabilizados mais de 770 casos de roubo 03/05/2018 às 10:06 - Atualizado em 03/05/2018 às 10:25
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Foto: Jander Robson/Freelancer
Larissa Golvin Manaus (AM)

Setecentos e setenta e cinco casos de roubos a ônibus dos transportes coletivo e executivo em Manaus foram registrados entre janeiro e março deste ano. Estas ocorrências resultaram na prisão de 244 pessoas, de acordo com dados estatísticos da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

Os números altos também revelam a violência extrema aplicada pelos criminosos a motoristas, cobradores e passageiros. Arinaldo Miranda, 44, é motorista de ônibus há 20 anos. Um dos responsáveis pela rota da linha 447, ele relatou que já foi assaltado e foi baleado no braço.

“O assalto aconteceu na avenida Natan Xavier, no Novo Aleixo. O rapaz só mandou parar, mas eu não entendi. Pensei que ele estava falando sobre troco e nem imaginava que era assalto. Ele pensou que eu estava reagindo e atirou. Era para pegar no peito, mas por sorte, pegou no meu braço e eu consegui escapar”, relembrou o motorista.

Arinaldo diz que os assaltos nas linhas que circulam naquela área são praticados quase sempre pelo mesmo grupo.

Higor Gomes, 39, motorista há 10 anos, conta que já foi assaltado por duas vezes no bairro Cidade de Deus, na Zona Norte, enquanto trabalhava na linha 676. Segundo ele, nem mesmo as ações da polícia na região foram capazes de frear os criminosos. “Recentemente colocaram um ponto policial bem em frente ao Museu da Amazônia (MUSA), mas isso não ajuda em muita coisa. É bem raro passar uma viatura aqui no final da linha. Se o assaltante passar aqui neste exato momento, ele leva tudo e a polícia que fica bem ali na frente, nem vê nada”, desabafou ele.

Afronta

Os assaltantes também vêm abusando de “artimanhas” para cometer os crimes.

Usuária do transporte coletivo, a universitária Karoline Bentes contou que já foi vítima dentro do ônibus e ninguém percebeu. “Eu estava sentada e um jovem sentou do meu lado, colocou uma faca na minha cintura e pediu o meu celular. Eu ainda insisti para ele não levar, porque ainda estava pagando as parcelas. Só que o assaltante tentou me ferir e eu entreguei. A gente trabalha, compra o melhor para gente com tanto sacrifício e a pessoa vem e leva”, lamentou a estudante.

‘Presas fáceis’ para criminosos

Há relatos também de assaltantes que já entraram nos coletivos disfarçados de vendedores de bombom e picolé. “Já vi um deles tirar a arma de dentro daquele isopor e roubar os pertences dos passageiros sem fazer qualquer alarde. Eles vão embora e tem gente que nem percebe”, contou a cobradora Ana Rosa.

As linhas de ônibus executivos também são “presas fáceis” para os criminosos.

Segundo um cobrador da linha 449, que não quis se identificar, os proprietários dos executivos já estudam extinguir os cobradores para evitar assaltos. “Falam que em breve o pagamento da passagem vai ser só na carteirinha ou por aplicativos de celular. Mas vale ressaltar que nem sempre eles roubam só a renda que está em posse do cobrador, né? Eles visam celulares, bolsas e pertences dos passageiros”, explicou.

Denúncia certeira na linha 215

No meio de tantos relatos sobre esses momentos de tensão, ainda existem usuários do sistema coletivo executivo como Tospericargerja Torres, 47, que contou a experiência de evitar um assalto na linha 215.

“Eu percebi o comportamento dos bandidos que tinha entrado no ônibus, aí eu desci e, em seguida, passou uma viatura. Eu os policiais chamei e alertei sobre a minha suspeita. À noite eu vi no jornal que eles tinham sido flagrados com as armas tentando assaltar”, contou.

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