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Manaus
PASSO A PASSO

Linha do tempo: lembre o passo a passo da movimentação que levou professores à greve

Primeiros sinais de paralisação aconteceram no dia 14 de março. Menos de dez dias depois, a greve geral foi deflagrada, com adesão de até 12 mil professores 22/03/2018 às 14:52
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(Foto: Winnetou Almeida)
Isabella Pina Manaus (AM)

Tudo - e este "tudo" leia-se bem entre aspas -, começou no dia 14 de março deste ano. Era uma quarta-feira quando as primeiras manifestações em redes sociais alertavam para uma possível paralisação dos professores da rede estadual de ensino. Era um aviso de algo muito maior, um movimento que, em nove dias, passou de protesto para greve geral deflagrada. Os números variam entre 10 e 12 mil profissionais que aderiram ao movimento. Tudo isso por uma queda de braço de professores com o Governo do Estado.

A greve geral foi deflagrada, enfim, nas primeiras horas desta quinta-feira (22). Professores reunidos em frente à sede do governo declararam a total paralisação dos serviços. Mas a história começou antes. Você lembra de todas as etapas? Passo a passo? Sigamos.

No dia 14 de março as primeiras correntes começaram a tomar conta das redes sociais. Professores se encontrariam na manhã seguinte para protestar por reajustes. O Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom-Sindical) confirmou: “Vamos nos reunir para tratar de diversos assuntos”. Até então, era prevista uma breve assembleia com as principais frentes da causa para pautar o que viria a ser um grande ato coletivo.

A categoria exigia reajuste salarial de 30% e mais 5% de ganho real no salário, totalizando um índice de 35%. Além disso, buscava a manutenção do plano de saúde, que havia sido suspenso e já foi regularizado, e vale alimentação. Além de melhoras gerais nas condições de trabalho, como estruturação de colégios.

Na queda de braço com o governador Amazonino Mendes, os trabalhadores da educação receberam a contraproposta de que seria paga a data base da categoria de 2017 no percentual de 4,57%. Também foi oferecido aumento em R$ 200 do vale-alimentação dos docentes em sala de aula, totalizando R$ 420; promoções verticais de 3.516 professores que concluíram títulos de graduação; extinção da taxa de 6% do vale-transporte; e auxílio localidade de R$ 30 para R$ 200. As propostas foram rechaçadas pela rejeição às reivindicações iniciais da classe. O reajuste salarial, somado aos pedidos não correspondidos, deram início ao que viria ser uma greve.

O Sindicato dos Trabalhadores de Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) é quem representa a categoria em âmbito legal. Mas a mobilização da categoria partiu de uma convocação da Asprom, que, a essa altura, já tem recrutamento de quase 12 mil professores e uma paralisação instalada em cerca de 300 escolas no Amazonas.

Enquanto a Asprom declara a greve geral e rechaça as ofertas do Governo, o Sinteam ainda analisa uma possível paralisação. Aos olhos do Governo, via Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc), as negociações são feitas diretamente com a organização legal (Sinteam). Mais uma queda de braço para a estruturação do movimento.

Foi no dia 15 de março que as coisas começaram. A quinta-feira amanheceu com protestos em diversos pontos da capital amazonense. Após uma assembleia feita na tarde do dia anterior, incluindo a participação de professores de diversos municípios, ficou decretado que, a partir dali, a categoria entraria em estado de “indicativo de greve”. Ou seja: o aviso estava dado. Na sexta-feira, dia 16, em assembleia geral na Praça da Polícia, as aulas pararam e ficou determinado que a greve seria de fato instaurada. A documentação legal de aviso ao Governo foi encaminhada.

“Acima de tudo, protestamos pelo desrespeito. O nosso vale refeição, a gente recebe intercalado. O plano de saúde simplesmente foi retirado, o governo não nos procurou, não justificou. Vai dar R$ 100 para cada professor? Não consultam a categoria. Sem contar os quatro anos sem reajuste” comentou uma professora, no dia.

E foi na manhã da segunda-feira (19), que a paralisação passou a “valer”. Após a entrega do documento de indicativo entregue, por lei, é preciso um “aviso prévio” de 72 horas para a paralisação começar. Com isso, os profissionais usaram o início da semana para visitar escolas e conscientizar/recrutar professores e alunos sobre a situação. Foi aí que as coisas passaram a tomar proporções significativas. À esta altura, mais de 6 mil professores e 140 escolas estavam pró-greve.

De acordo com a Seduc, atualmente, no Amazonas, existem 1066 pedagogos e cerca de 26 mil professores em exercício. Isto é: com a paralisação, de acordo com o número previsto pela Asprom, a paralisação abrange entre 38% a 46% da categoria, considerando números indicados pela Asprom. Isso ainda no último domingo (18). 

E eis que as 72 horas terminaram. Os professores, liderados pela Asprom, voltaram a se reunir na Praça da Polícia. Às 7h foi a hora do grito guardado desde o início da última semana: greve deflagrada. Do outro lado, o Sinteam, única frente representante reconhecida legalmente pelo governo, se preparava para tomar a decisão de aderir ou não ao movimento. A definição sai ainda na tarde desta sexta-feira. Ontem, um dia antes da assembleia, o Sinteam emitiu nota pedindo que todos os professores ficassem do mesmo lado. "Nosso adversário não está na categoria. Está do outro lado. É quem tem a caneta e o poder de decisão nas mãos". 

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