Domingo, 21 de Abril de 2019
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INACABADO

Pavilhão Universal vira sinônimo de sujeira e atentado ao pudor em Manaus

Local está abandonado há anos e projetos de revitalização nunca saíram do papel. Situação incomoda comerciantes e pessoas que circulam nas proximidades


08/12/2018 às 17:09

Abandonado há vários anos e com projetos de revitalização aguardados para sair do papel há décadas, o outrora glamouroso Pavilhão Universal agoniza, fede e nem de longe lembra que, a partir de sua fundação, em 1912, recebeu a burguesia baré nos seus três ambientes para o deleite no bar e em jogos de salão.

O suntuoso patrimônio histórico nasceu na antiga Praça Oswaldo Cruz (ex do Commercio), hoje Praça XV de Novembro, a da Matriz, no Centro Histórico de Manaus; em 1975 passou para a rua Silva Ramos, depois para a Praça Adalberto Vale e, atualmente, está montado na Praça Tenreiro Aranha, entre as ruas Teodoreto Souto e Floriano Peixoto, Centro, onde nos seus “últimos dias” de atividade concentrou a venda de artesanatos indígenas.

‘Terror’

O Pavilhão Universal é uma espécie de chalé construído em ferro fundido e desmontável, daí ter mudado tantas vezes de endereço. Hoje, tem cenários de um filme de terror. O local encontra-se em péssimas condições tanto externa quanto internamente, com problemas como a existência de muito lixo, matagal, pessoas em situação de rua que dormem no imóvel (e que segundo denunciantes usam entorpecentes dentro do pavilhão), transeuntes que fazem as suas necessidades fisiológicas dentro do espaço (urina e fezes), mau cheiro, estilhaços e grandes pedaços de vidro no local e grades e escada enferrujadas.

O térreo tem lama e lixo, como restos de preservativos usados. O 1º andar tem lixo, e o 2º muito mais lixo e serve de dormitório para as pessoas de rua: há até um colchão, além de roupas, sapatos e papelões. No chão do mesmo andar, curiosamente estava aberto nas páginas 42 e 43 o livro “O Poder da Esperança”, num capítulo que trata dos “Segredos do Bem Estar Emocional”. Suas folhas estavam úmidas, retratando a temperatura do ambiente. Há também uma pequena árvore de Natal.

Todas as suas telhas estão sujas e deterioradas, e algumas delas quebradas.

O tapume com peças de zinco que circundava o pavilhão foi arrombado, o que facilita a entrada para o patrimônio, transformando-o em “banheiro público”.

No lado externo, aliás, a urina que é “despejada” à luz do dia pelos transeuntes escoa para boa parte do piso da praça, aumentando o odor desagradável de uma área sem banheiros públicos.

A situação atual incomoda quem passa pelo local, como o vendedor Jorge Fragoso, 36. “O pessoal da prefeitura vem aí, bate fotos, mas ninguém faz nada. Realmente está virando banheiro público, todo mundo entra. Há xixi e fezes. Se quisessem, eles fariam alguma coisa, a exemplo da outra praça aqui na frente (da Praça Adalberto Vale). Me sinto enganado, pois pago imposto e a cada dia isso deteriora”, relata.

Até as pessoas em situação de rua que ficam instalados ao redor do pavilhão dizem estar incomodadas com o abandono do local. “Tem sujeira pra caramba lá dentro. Caiu o aspecto aqui na praça, pois antes, quando vendiam as peças indígenas, havia movimentação de turistas”, comenta Ivo Ramos, 56, que vive há cerca de 10 anos pelas ruas do Centro Histórico da capital.

A placa que dá nome ao “Pavilhão Universal” está intacta, sabe-se lá até quando. Naquele patrimônio histórico, o tempo é implacável, “corroendo” o coração de quem só queria vê-lo restaurado e ativo, como nos velhos e bons tempos!

Revitalização aguarda Iphan

A coordenação técnica da Comissão Especial PAC Cidades Históricas, que é responsável por ações na obra, garantiu que, “periodicamente, são realizadas limpezas  dentro e no entorno do prédio, com o apoio da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), com a devida recuperação dos tapumes que, comumente são arrombados por moradores de rua”.

Sobre a revitalização do espaço, a comissão informa que o projeto arquitetônico foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Amazonas, em março deste ano e que ele inclui sua transferência para a praça Adalberto Vale.

No projeto original a ideia era transformar o Pavilhão em uma espécie de central voltada aos turistas que desembarcam no Porto de Manaus.

Conforme matéria publicada em A CRÍTICA em 26 de março deste ano, com dados do próprio PAC Cidades Históricas, o valor orçado para o convênio visando a recuperação é de R$ 411.136,49.

“Neste momento, o orçamento aguarda a aprovação do Iphan Nacional, em Brasília, para depois seguir para licitação, contratação da empresa e início das obras. O projeto de revitalização contempla a retirada do Pavilhão Universal da Praça Tenreiro Aranha e remontagem na Praça Adalberto Vale, que está em obras”, disse a coordenação.

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