Domingo, 12 de Julho de 2020
EMINÊNCIA PARDA

Pecuarista suspeito de lavar dinheiro é preso durante 6ª fase da Maus Caminhos

Conforme investigações da operação 'Eminência Parda', José Lopes recebia quantias milionárias de dinheiro em espécie repassados pelo médico Mouhamad Moustafa, no condomínio onde moram



Foto_A8FC6061-09E8-44EE-86DF-F827F8ACB268.JPG O pecuarista José Lopes foi visto saindo do Instituto de Criminalística, em Rio Branco, no Acre, após exame de corpo de delito. Foto: Jairo Barbosa
30/07/2019 às 17:32

A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (30), o pecuarista José Lopes, o empresário Gustavo Macário Bento e  a assessora Edite Hosada na sexta fase da Operação Maus Caminhos, denominada “Eminência Parda”. A investigação, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), apura  desvios de cerca de R$ 20 milhões em suposto esquema entre o Instituto Novos Caminhos (INC) e empresa G.H. Macário Bento. Essa fase apura crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, o médico e empresário Mouhamad Moustafá repassava grandes quantias em espécie ao pecuarista. Eles moravam no mesmo condomínio, o que facilitava o contato. Foram realizados  vinte encontros e em cada um deles eram entregues cerca de R$ 1,040 milhão, de acordo com  o delegado de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Federal, Max Ribeiro.



“Essa operação possui relação com a Maus Caminhos e o desvio de verbas da saúde e lavagem de dinheiro. Parte desses recursos eram repassados diretamente pelo gestor da organização social que geria algumas unidades de saúde do Estado e ele repassava esses valores para esse pecuarista para que através das empresas dele simulasse que esse valor teria sido recebido em razão do negócio”, disse.

O pecuarista teria uma empresa que foi inserida como prestadora de serviço ao INC que também recebia pelos serviços prestados, mas a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou  pagamentos por serviços não prestados ou serviços com valores superfaturados.

Busca e apreensão

Durante a operação foram apreendidos documentos, mídias de armazenamento de dados, veículos de luxo e valores que totalizam R$ 79 mil somando uma quantia em cada uma das três residências que sofreram mandado de busca e apreensão.

Segundo o delegado responsável pela operação Maus Caminhos, Alexandre  Teixeira, a empresa possui contrato com outros órgãos públicos, e já existe uma investigação sobre todo o material apreendido.


Gustavo Marcario Bento foi preso no condomínio Unique, localizado no bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus. Foto: Jair Araújo

“A empresa detém outros contratos, mas a PF busca provas para esclarecer os fatos e objetos adquiridos com o proveito do crime praticado. Houve desvio de valores e recursos públicos da União e a atividade desse grupo promoveu a lavagem de dinheiro. A PF busca reaver parte dos bens comprados com recursos ilícitos", destacou.

Conhecido como o Rei do gado, José Lopes foi preso em Boca do Acre. E levado a Rio Branco para exame de corpo delito.  Indagado porque estava sendo preso disse que não sabia o motivo. Perguntado se queria dar alguma declaração, respondeu: "Não sei nada. Não me falaram nada. Só sei que estou preso". Ele foi encaminhado na noite de ontem para Manaus.

José Lopes foi citado em delação

O empresário José Lopes foi citado na delação premiada de Arnaldo Cumplido de Souza e Silva, ex-executivo da Odebrecht, no âmbito da operação Lava Jato. O ex-executivo disse que, em 2007, teria recebido de seu antecessor, Marco Antônio da Costa, informações sobre suposto acordo com Eduardo Braga, então governador, para favorecer o consórcio formado pela construtora Camargo Corrêa e a Construbase na conquista do projeto da Ponte Rio Negro.

Contou que seus subordinados Marco Aurélio Bittar e, a partir de 2010, Henrique Domingues, eram os responsáveis por operacionalizar os pagamentos. Afirmou que a partir de 2010, com a ascensão de Omar Aziz ao cargo de governador, passou a ser contatado pelo empresário José Lopes que o cobrava pela continuidade dos pagamentos. Relatou que, entre 2010 e 2011, autorizou a continuidade dos pagamentos indevidos por meio de contrato celebrado com a empresa fornecedora de combustíveis para as obras, a Etam.

Em abril de 2017,  O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito. Em junho do ano passado, o ministro Alexandre de Moraes arquivou, o procedimento de investigação por falta de provas.

Saiba Mais

No dia 19 de julho, na quinta fase da Maus Caminhos, a Polícia Federal prendeu nove pessoas, entre elas a ex-primeira-dama do Estado Nejmi Aziz e três irmãos do senador Omar Aziz, que já foram soltos. O parlamentar, no dia 23 deste mês, prestou depoimento na sede da PF.

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Cientista Social, Escritora e Jornalista. Repórter de A Crítica, apaixonada pela arte de contar histórias.

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