Sexta-feira, 15 de Outubro de 2021
À PROCURA DE UM DOADOR

Pedido especial: jovem amazonense quer de aniversário um doador de medula óssea

Théo Reis de Lemos comemora os seis anos de idade uma semana antes do Dia Mundial do Doador de Medula Óssea



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19/09/2021 às 08:40

Com seis anos recém-completados, a família do amazonense Théo Reis de Lemos saiu de Manaus na busca de um doador de medula óssea que seja compatível geneticamente. Théo foi diagnosticado em maio deste ano com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e está internado há quase quatro meses no Hospital Boldrini em Campinas (SP), onde luta contra o câncer.

Segundo os pais Dheyzo e Evelin Lemos, tudo começou em fevereiro, quando Théo teve forte sangramento no nariz e apresentou palidez. Logo após isso, começaram a procurar o que estava errado.



"Levamos em um laboratório por conta própria para fazer hemograma, as plaquetas e hemoglobina estavam baixas. Em seguida o levamos para uma consulta em um hospital particular de Manaus, mostramos os exames para o médico, que solicitou novos exames; os novos exames constataram que as plaquetas e hemoglobinas haviam caído mais e que ele precisaria fazer transfusão urgente. Saímos do hospital para um hospital infantil público, onde ele internou para transfusão, e lá ficamos internados por mais de 30 dias", relembra a mãe, Evelin.


Théo com os pais Dheyzo e Evelin Lemos. Foto: Arquivo Pessoal

Caso raro

De acordo com o prognóstico, Théo apresentou leucemia de linha mista (dois tipos de leucemia: linfóide aguda e mielóide aguda). Os médicos informaram aos pais que por conta da raridade do caso, seria necessário transferir o amazonense para o Hospital Boldrini em Campinas (SP), referência em tratamento de leucemia.


Théo possui um tipo raro de leucemia. Foto: Arquivo Pessoal

"Não sentimos segurança em permanecer em Manaus, pelo fato de a médica ter falado que em todos os anos de trabalho só  havia visto um caso desse e já fazia mais de 6 anos. Pedimos um tempo pra tentar trazê-lo ao atual hospital onde ele faz tratamento atualmente", conta o pai, Dheyzo.

"Conseguimos a resposta positiva do hospital de Campinas-SP bem rápido, e em 3 dias estávamos em São Paulo. Aqui ele refez todos os exames e o diagnóstico não bateu com o de Manaus. Foram mais 3 semanas de investigação, até que chegaram ao diagnóstico final no dia 24 de maio para Leucemia mieloide aguda- LMA", acrescentou a mãe de Théo.

À procura de doador

Todo terceiro sábado do mês de setembro é comemorado o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, e neste ano a data caiu no dia 18 de setembro, quase uma semana depois de Théo completar seis anos. E como presente de aniversário para Théo, a família continua em busca de um doador compatível.

"O que nós temos a dizer é que uma doação pode salvar vidas e devolver a esperança de muitas famílias. Nós estamos hoje vivendo e sentindo de perto essa dificuldade, pois para encontrar um doador não aparentado no Brasil é de 1 a cada 100 mil pessoas cadastradas. Algumas crianças têm tempo para esperar um doador, e outras não, então, quanto mais pessoas cadastradas, mais chances de salvar vidas", ressalta o pai da criança. 

"A vida hoje está tão corrida, que não temos tempo de parar e olhar a necessidade do próximo. Desejamos que as pessoas se sensibilizem, tire um tempinho para ajudar a quem só tem essa chance para viver. Imagina você tendo em suas mãos o poder de salvar uma vida. Não é fantástico?", acrescenta a mãe de Théo.

Baixo número de doadores no interior

O Amazonas possui 32.384 mil doadores voluntários cadastrados no REDOME – Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea. Desse total, apenas 833 são de pessoas do interior. Ou seja, esse número representa apenas 2,57% se comparado com o da capital do Amazonas.

Para o médico PHD em hematologia e diretor clínico do Hemoam, Nelson Fraiji, a cidade de Manaus tem um perfil de construção genética semelhante ao dos grandes centros urbanos brasileiros, por isso, é importante agora dar prioridade para as regiões menos miscigenadas do interior. 

“Nesse momento é muito importante buscar doadores em áreas em que a proporção das etnias isoladas seja maior, por exemplo, no Oeste do Amazonas, na região do alto Rio Negro, onde tem numerosas etnias e também na região do Alto Solimões. Nós precisamos buscar doadores porque o banco de voluntários é para aumentar as chances de se encontrar fora do núcleo familiar uma medula compatível para aquele indivíduo que precisa”, reforçou o médico.

Cadastro de doadores de medula

Na última quinta-feira (16) o Hemoam divulgou no site institucional (www.hemoam.am.gov.br) uma cartilha atualizando as informações sobre o cadastro e os novos critérios. A prioridade, conforme o documento, será cadastrar pai, mãe e irmãos de pacientes que necessitam de transplante de medula. As chances de compatibilidade dentro desse núcleo familiar é de 1 para 4 (25%).

A segunda prioridade será pessoas do interior, considerando que o perfil genético da população do interior ainda não está representado no REDOME. 

O texto ainda informa que as chances de se encontrar doadores compatíveis fora da ligação consanguínea de pai, mãe e irmãos é bastante remota. A probabilidade varia entre 1 doador compatível a cada 100.000 mil pessoas até 1 compatível no universo de 1 milhão.

Requisitos básicos para ser um doador

O Doador voluntário deve ter idade entre 18 anos até 34 anos, 11 meses e 29 dias (Portaria 685/2021-MS); ter boa saúde; não ter doença infecciosa ou incapacitante; não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico.

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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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