Sábado, 20 de Julho de 2019
PESCADO

Peixes da culinária do Amazonas estão sumindo dos rios, afirmam pescadores

A oscilação no fornecimento das espécies de resultado de diferentes fatores, como pesca intensa, captura de indivíduos muito jovens ou na época de reprodução



agora_pescado_FDF136AB-F38D-4116-A5AE-A5927FA3AB00.JPG Vários fatores influenciam no fenômeno, principalmente a pesca predatória. Foto: Lucas Silva
06/06/2019 às 09:00

Na última década, espécies de peixes estimadas pela culinária amazonense, como o matrinxã e a sardinha, estão desaparecendo dos rios, segundo pescadores amazonenses e pesquisadores que estivaram reunidos, ontem, para discutir esse e outros assuntos do setor, em Manaus.

A oscilação no fornecimento das espécies, explicou o professor do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Carlos Freitas, que participou do encontro,  é resultado de diferentes fatores, como pesca intensa, captura de indivíduos muito jovens ou na época de reprodução (outubro a janeiro), quando a pesca é proibida por lei.

O pirarucu, tambaqui e a piramutaba dourada encontram-se em fase de sobrepesca (feita de forma desenfreada e insustentável). No caso desta última, a construção de hidrelétricas como a do rio Madeira estão ameaçando os estoques naturais da espécie, que costumam migrar para as cabeceiras dos rios de água branca.

“O tambaqui foi muito explorado a partir do final do século 19, e a sobrepesca começou a ganhar relevo em fins da década de 1990. Os pescadores começaram a capturar peixes jovens, dificultando a reprodução e a reposição dos estoques naturais”, explica. “Nesse caso, é preciso conscientização para evitar a captura de indivíduos jovens”, observa.

Jaraqui resiste, mas está ficando menor

O jaraqui, por sua vez,  está em  estado de ameaça, porém, graças ao curto ciclo de vida e a sua alta capacidade de reprodução, a espécie tem conseguido suportar a exploração pesqueira. Segundo cientistas ligados ao setor pesqueiro, a espécie está cada vez menor, efeito da pesca em grande quantidade, que obriga os peixes a se reproduzirem cada vez mais cedo.

A diminuição do tamanho do jaraqui também foi apontada pelo presidente de Confederação Nacional de Pescadores e Aquicultores (CNPA), Walzenir Falcão, como um reflexo dos fatores ambientais discutidos pelos especialistas   no evento.

O cultivo de peixes em cativeiro, como a do tambaqui, é uma alternativa para garantir a produção – hoje, quase 100% do tambaqui consumido em Manaus vem de outros estados ou de tanques de piscicultura.

A boa adaptabilidade do pirarucu ao sistema de cultivo em lagos protegidos da pesca, aliado à característica de predador de topo (que não sofre ataque de outras espécies) permitiu a recuperação das reservas deste peixe.

 Sustentabilidade do setor

 Na manhã de ontem, representantes de entidades de defesa da pesca, pesquisadores e pescadores reuniram-se em Manaus, no bairro Educandos, Zona Sul,   para analisar as causas desses problemas e compartilhar informações para a sustentabilidade do setor, entre outros temas.

Representantes das colônias de pescadores (uma espécie de sindicato da categoria) de vários municípios do Amazonas também participaram do encontro, cuja programação termina hoje. No Brasil, há mais de 1.500 colônias em atividade, sendo 42 no Amazonas.

 “Devemos sair deste evento com uma proposição definida pelas colônias e pelo setor produtivo”, disse Walzenir Falcão, que também lidera a Federação de Pescadores do Amazonas (Fepesca), que coordena o encontro da categoria.

Defeso e o seguro

O defeso é a paralisação temporária da pesca para a preservação das espécies, tendo como motivação a reprodução e/ou recrutamento, bem como paralisações  por fenômenos naturais ou acidentes. Nesse período é garantido  ao pescador o pagamento de seguro-defeso, no valor de um salário-mínimo me

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