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Manaus
JULGAMENTO

Pela sexta vez, julgamento do narcotraficante Gelson Carnaúba é adiado no Amazonas

O julgamento deve ser remarcado para o primeiro semestre de 2019. Só este ano foram três adiamentos e outras três no ano passado 23/11/2018 às 14:06 - Atualizado em 23/11/2018 às 14:17
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Da esquerda para direita: Marcos Paulo “Goma”, Francisco “Bicho do Mato” e Gelson Carnaúba (Foto: Arquivo A Crítica)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Pela sexta vez, o julgamento do narcotraficante Gelson Carnaúba e de seus soldados, Marcos Paulo da Cruz, o “Goma”, e Francisco Álvaro Pereira, o “Bicho do Mato”, foi adiado no Amazonas, na manhã desta sexta-feira (23). O julgamento deve ser remarcado para o primeiro semestre de 2019. Só este ano foram três adiamentos e outras três no ano passado.

Marcado para começar às 9h, o julgamento de hoje sequer teve os jurados sorteados. O advogado de defesa de Carnaúba, José Mauricio Neville, chegou a exigir que fossem apresentadas imagens da chacina de 2002 no Complexo Penitenciário Anisio Jobim (Compaj), em Manaus, quando 14 pessoas foram assassinadas. Tais imagens foram gravadas em VHS e deveriam ter sido regravadas em DVD.

Conforme o juiz Anésio Pinheiro, que presidiria o julgamento, o pedido da defesa de Carnaúba para ter acesso às imagens havia sido feito em agosto deste ano, mas não foi providenciado. O réu Carnaúba, que seria julgado por videoconferência, aparece nas imagens “à vontade” durante a chacina. Ele estica os braços e gira a cabeça como estivesse fazendo alongamento.

O adiamento do julgamento já havia sido solicitado ontem (22) pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), que alegou ter sido acionada “em cima da hora” e que o defensor não teve tempo necessário para estudar o processo, que possui mais de 6.400 páginas. Até ontem, o juiz e o promotor de justiça do caso asseguravam que o julgamento aconteceria.

O cancelamento ou adiamento de um julgamento pelo Tribunal do Júri demanda trabalho com a organização, emissão de documentos, ofícios, logística e gera despesas muitas vezes com a compra de passagens aéreas para os presos e escoltas, quando o réu vem de presídios federais. Quem paga é o Estado.

Gelson Carnaúba

Gelson Carnaúba é considerado de alta periculosidade, principal idealizador da facção criminosa Família do Norte (FDN) e duas vezes denunciados pelo Ministério Público como sendo um dos principais autores intelectuais da chacina de 2002, quando 14 pessoas foram assassinadas, e do “massacre” de janeiro de 2017, quando 56 internos foram mortos, ambos no regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Km 8 da BR-174. Atualmente ele está preso no Presídio Federal de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte.

Já “Goma” e “Bicho do Mato” foram trazidos da cidade de Mossoró, onde estavam presos. Eles estão no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). 

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