Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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CRIME

'Pensei que ia morrer ali', diz adolescente vítima de estupro coletivo em Manaus

Jovem de 15 anos teve útero dilacerado após ser abusada por cinco homens; dois foram presos. Segundo delegada, estupro coletivo era "pagamento de dívida" entre traficantes da comunidade Parque São Pedro


10/03/2019 às 07:10

Quatro mulheres que levavam uma vida simples e de luta. A mãe de 43 anos, diarista, e as filhas, uma de 21, em tratamento de um possível câncer da tireoide, que sonha em ser perita legista, uma de 17, que pretende ser médica pediatra, e uma de 15 que está estudando para o vestibular de medicina veterinária. A vida de batalha que elas levavam ficou ainda mais difícil há menos de um mês, quando perderam o direito de ir e vir após a caçula da família ser vítima de um estupro coletivo na Zona Oeste da capital. “Até ir na taberna para comprar pão como a gente fazia todos os dias não podemos mais fazer”, lamentou a  irmã de 21 anos.

No dia 12 do mês passado, enquanto estava a caminho da escola, a adolescente de 15 anos foi abordada por um conhecido, Bruno Leonardo Evangelista, 19, na comunidade Parque São Pedro, no bairro Tarumã, que a convenceu ir até uma casa. No local, a menina foi “recebida” por mais quatros homens que estavam ali prontos para estuprá-la.  “Eu já não aguentava mais. Pensei que ia morrer ali. Eles só me deixaram sair depois que todos tinham me estuprado”, relatou a adolescente.

De acordo com a vítima, que falou com exclusividade com a equipe de A CRÍTICA, os criminosos consumiam cocaína enquanto consumavam o ato sexual. Daniel de Oliveira Lima, 23, que depois foi preso junto com Bruno Leonardo, a estuprou por último. Segundo ela, foi o mais violento. “Quando eu reclamava de dor, ele dizia que era assim mesmo que ele gostava de fazer, inclusive com a esposa”, contou.

A violência que sofreu fez com que a adolescente tivesse uma hemorragia ainda no local do crime.  Os abusos duraram mais de quatro horas. As consequências foram tão graves que, além do trauma psicológico, a adolescente teve lacerações no útero e precisou ficar uma semana internada na maternidade Moura Tapajóz, na Compensa, Zona Oeste. 

“Eu não desejo o mal deles. Quero que seja feita justiça e que eles sintam pelo menos a metade da dor que eu senti”, afirmou a vítima. Até a última sexta-feira (8), apenas dois dos envolvidos estavam presos. Daniel de Oliveira Lima, 23, e Bruno Leonardo dos Santos Evangelista, 19, foram detidos no dia 2 de março. A dupla foi considerada pela polícia como criminosos violentos e cruéis. As prisões ocorreram em cumprimento de mandado de prisão expedido pelo juizado da Vara de Crimes Contra a Dignidade Social de Crianças e Adolescentes.

Os outros três suspeitos estão sendo procurados. A delegada Joyce Coelho adiantou que já possui bastante informações sobre os três. A polícia acredita que os suspeitos estão recebendo a proteção de familiares. Ainda conforme a delegada, o local onde a vítima morava - e onde o crime aconteceu - é considerado “área vermelha”, com índice de insegurança elevado.

Dilacerada

Conforme a mãe, a adolescente chegou em casa se sentido mal e, imediatamente, elas procuraram ajuda da polícia. Chegaram a ligar para o 190, mas foram orientadas a irem ao 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Como já passava das 20h, foram encaminhadas ao 18º DIP e, posteriormente, ao 6º DIP, mas não conseguiram registrar a ocorrência.

O delegado que as atendeu orientou que elas procurassem um hospital e foi na maternidade Moura Tapajóz que a gravidade no estado de saúde da vítima foi diagnosticada. Ela foi encaminhada para o centro cirúrgico e submetida a três cirurgias para reconstruir o útero e o colo uterino. A adolescente correu risco de morte por ter perdido muito sangue e precisou de transfusão sanguínea. A jovem, que pesava 37 quilos antes do estupro, chegou na maternidade pesando 34.

'Pagamento de dívida'

A delegada titular da Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), Joyce Coelho, que investiga o caso, afirmou que a vítima foi usada por Bruno Leonardo como forma de “pagamento” de uma dívida que ele tinha com o traficante Daniel Oliveira. Ele seria o mais violento do grupo e estava ameaçando matar Bruno caso não levasse uma menina para ele. Bruno e Daniel foram presos semana passada.

“Todos os dias eu lido com situações difíceis envolvendo violência contra crianças, mas este caso do estupro coletivo foi um dos mais difíceis. Estive com ela duas vezes e na primeira ela ainda estava no hospital. Encontrei uma pessoa frágil, desconstruída emocionalmente e muito pálida. Ela estava apática e chorando muito. Demonstrava estar com muito medo e evitava falar sobre o que tinha acontecido. Da segunda vez, ela tremia e chorava muito. A conversa durou mais de uma hora. Por várias vezes eu tive que parar esperar ela chorar, se recompor. Tentamos ajudá-la e quando pedíamos para que ela nos relatasse como tudo aconteceu, ela tinha dificuldades de falar. Acredito que ainda dói muito pra ela falar sobre o caso”, comentou a delegada.

Escondidas

Depois do crime, mãe e filhas saíram de casa sob ameaças e hoje moram de aluguel. Elas já tiveram que trocar de casa duas vezes, pois desconfiaram que tinham sido localizadas pelos suspeitos. Agora, buscam ajuda para que a vida volte à normalidade. Uma das coisas que dizem sentir mais falta é da escola.

Na semana passada, a mudança do bairro São Pedro, onde ocorreu o crime, para outro local ocorreu sob escolta policial, porque traficantes da área se aglomeraram ao redor da casa e ameaçaram invadir e atear fogo no imóvel.

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