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Manaus
Operação Hashtag

Perfil de suspeito de terrorismo é de pessoa recatada, tranquila e pacífica

Conhecidos, ex-colegas e até a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas avaliam que Ali Oziris Lundi era uma pessoa tranquila e pacífica, bem diferente dos ideais pregados pelo grupo Estado Islâmico (EI) 23/07/2016 às 05:00 - Atualizado em 23/07/2016 às 11:47
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Informações dão conta de que Ali Oziris Lundi teria entrado em contato com o Estado Islâmico através do Facebook, onde jurou fidelidade ao islã (Foto: Reprodução)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Ali Oziris Lundi, estudante amazonense suspeito de terrorismo e preso na última quinta-feira dentro das ações da Operação Hashtag da Polícia Federal, tinha perfil considerado tranquilo e pacífico. Pelo menos essa era a impressão que ele exibia entre os amigos e durante as investigações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Na página do Portal A Crítica.com pelo Facebook, diversas pessoas se manifestaram demonstrando surpresa com a prisão de Ali Oziris Lundi, que teria participação na organização Estado Islâmico (EI). Entre elas, algumas que declararam ter conhecido e até trabalhado com o suspeito de terrorismo no Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops). 

“Ele tinha um perfil calmo e tranquilo, na dele. Sempre às 18h fazia as suas rezas, seus rituais. Depois pediu demissão porque alegou que havia passado em um concurso público”, disse um ex-colega dele de Ciops que preferiu ficar no anonimato.  

Perfil da SSP

Em maio, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) traçou um perfil de Ali Lundi (cujo nome completo antes da conversão ao islamismo era Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo) e o que se percebeu era tratar-se de uma pessoa bem retraída e recatada, informa Sérgio Fontes, titular da pasta, em entrevista para A CRÍTICA.

“Nada apontaria para qualquer coisa diferente, a não ser as suas ideias manifestadas no Facebook, que foi o que chamou a nossa atenção para esse rapaz”, comentou o secretário da SSP-AM, ressaltando que “estamos atentos e as pessoas têm que ficar atentas, pois hoje elas não ganham licença pra fazer o que quiserem na Internet, e o que eles manifestam repercute no mundo real e nós, autoridades responsáveis pela segurança, estamos atentos para o que eles estão fazendo, falando, pensando e tramando, no caso dessas dez pessoas presas”.   

Fontes rechaçou as preocupações de parte da população que se manifestou preocupada por meio das redes sociais com a prisão do suspeito e uma iminente possibilidade de ataque terrorista durante as seis partidas que Manaus vai sediar, nos dias 4, 7 e 9 de agosto, pelo torneio de futebol das Olimpíadas.

“Pelas redes sociais muitas pessoas ficaram preocupadas se perguntando o que ele (Ali) fazia. Tudo tranquilo. Nós não estamos minimizando o fato ou menosprezando a gravidade. É grave porque você não pode descuidar dessa situação. Um homem pegou um caminhão em Nice (França) e matou 84 pessoas. Temos que ser sempre preocupados e vigilantes, mas dentro da normalidade. Estamos normais sem nenhum problema a mais do que já tínhamos antes”, disse o secretário, declarando que a prisão de Ali Ozoris Lundi foi um “fato totalmente isolado”, e com dúvidas de que iria “nos prejudicar nas Olimpíadas”.

*Os 12 alvos da Operação Hashtag da PF

Alisson Luan de Oliveira
 Antonio Andrade dos Santos Junior (Antônio Ahmed Andrade)
Daniel Freitas Baltazar (Caio Pereira)
Hortencio Youshitake (Teo Yoshi)
Israel Pedra Mesquita (Israel Pedra)
Leandro França de Oliveira (Abu Khalled)
Levi Ribeiro Fernandes de Jesus (Muhammad Al Huraia)
Marco Mario Duarte (Zaid Duarte)
Matheus Barbosa e Silva (Ismail Abdul-Jabbar Al-Brazili)
Mohamad Mounir Zakaria (Zakaria Mounir)
Oziris Moris Lundi 
dos Santos Azevedo (Ali Lundi)
Valdir Pereira da Rocha (Mohmoud)
Vitor Barbosa Magalhaes (Vitor Abdullah).

*Obs.: Nomes em parênteses após a conversão ao islamismo

OAB-AM lembra da garantia mínima

O presidente da  Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Amazonas (OAB-AM), Marco Choi, explicou  que todo acusado, a exemplo do amazonense Ali Lundi, “tem direito a um advogado, e se não houver sido constituído um defensor a ele, há uma comunicação obrigatória à Defensoria Pública para providenciá-lo”.

O advogado destacou que não está acompanhando diretamente essa prisão dos dez suspeitos de terrorismo, mas, questionado sobre um posicionamento da entidade quanto ao episódio, o dirigente da  OAB-AM destaca que a questão da segurança é algo que não se pode prescindir, mas “que nós temos que observar as garantias mínimas sobre essa prisão”. 

Frase

"Nunca vamos compactuar ou estimular atos de violência. Temos nossas famílias e raízes fincadas aqui (em Manaus)"

Walid Saleh, diretor do Centro Islâmico do Amazonas

Presos foram transferidos para o Mato Grosso do Sul

A Superintendência da Polícia Federal (PF) anunciou, ontem, que os dez presos na Operação Hashtag, suspeitos de preparar atos terroristas, foram transferidos durante a madrugada para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, localizada em Mato Grosso do Sul. Eles foram presos na última quinta-feira em dez Estados diferentes. A informação é da Agência Brasil.

Eles deverão responder pelos crimes de promoção de organização terrorista e realização de atos preparatórios de terrorismo, ambos previstos na Lei 13.260/2016, conhecida como Lei Antiterrorismo.

A lei diz, no Artigo 2º, que “terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.
De acordo com a lei em vigor, atos de terror são: “usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa”.

Segundo a legislação, caso o acusado seja condenado, ele está sujeito a uma pena de 12 anos a 30 anos de prisão, “além das sanções correspondentes à ameaça ou à violência”.
As investigações da Operação Hashtag, de acordo com a PF, começaram em abril com o acompanhamento de redes sociais pela Divisão Antiterrorismo. Os suspeitos presos participavam de um grupo virtual denominado Defensores da Sharia e planejavam adquirir armamentos para cometer crimes no Brasil e até mesmo no exterior. Os mandados judiciais que autorizaram a prisão dos dez suspeitos foram expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba.

As prisões e mandados de busca e apreensão e de conduções coercitivas foram cumpridos nos Estados do Amazonas, Ceará, da Paraíba, de Goiás, Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná, de Mato Grosso e do Rio Grande do Sul.

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