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Perigo 'ambulante' nas ruas da cidade, veículos irregulares ameaçam manauaras

Nenhum dos dois veículos envolvidos no acidente de 28 de março de 2014 tinha CSV, assim como a maioria dos caminhões e ônibus que circulam na cidade 28/03/2015 às 18:09
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Maioria da frota de veículos pesados de Manaus incorre na mesma irregularidade
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Nem o caminhão carreta e nem o micro-ônibus envolvidos no acidente do dia 28 de março de 2014 tinham Certificado de Segurança Veicular (CSV), documento exigido para carros que são modificados, transferidos, de placa vermelha ou, por questão de segurança, que prestem serviço a órgãos públicos.

Apenas o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), de forma precária, e a empresa Inspenorte, localizada na avenida Autaz Mirim, Zona Leste, estão expedindo o certificado em Manaus.

A exigência é determinada pelo Art. 106 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Mas dos 670 mil veículos pesados em circulação em Manaus, apenas 15% têm o CSV.

Essa deveria ser uma exigência de quem contrata, por exemplo, a Prefeitura Municipal de Manaus, cessionária da empresa dona do caminhão-caçamba que se chocou com o microônibus em 2014. Assim procedem a Petrobras e algumas indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Essas instituições não contratam e não permitem a entrada em suas áreas de qualquer veículo que não tenha o CSV. “Se o proprietário quer transformar o carro aberto em um baú, é preciso ter autorização do Detran e a empresa faz a inspeção após o veículo ser modificado. O Governo quer que a empresa aproveite e também faça inspeção de freios, suspensão, iluminação, sinalização e outros componentes”, esclarece o engenheiro mecânico João Nery, que também atua como professor do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).

Funcionando há apenas oito meses, a Inspenorte é uma empresa particular de inspeção veicular, autorizado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Também inspeciona veículos e equipamentos que transportam produtos perigosos, como os caminhões tanques que abastecem os postos de combustíveis.

Para os últimos, é expedido o Certificado de Inspeção para Produto Perigoso (CIPP).“Nunca recebemos um microônibus e nem um caminhão como o que se envolveu no acidente de 2014 para inspeção”, revela um dos diretores da empresa, que não quis se identificar.

NormasOs itens de segurança são baseados numa norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e legislações do Inmetro, Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Empresas que têm concessão de órgãos públicos para explorar o serviço de aluguel, como transportar passageiros, devem fazer regularmente a manutenção de seus veículos em suas garagens ou contratar o serviço.

Até a publicação desta matéria, apenas uma empresa que presta serviço transportando funcionários para o Polo Industrial de Manaus (PIM) havia procurado a Inspenorte para analisar as condições de seus veículos.

Poucos

Dos 670 mil veículos que estão circulando em Manaus, segundo o engenheiro João Nery, apenas 15% têm Certificado de Segurança Veicular (CSV). Isso porque o veículo, ou passou por algum tipo de transformação em sua estrutura ou foi transferido de proprietário, situações em que o CSV é obrigatório. Entretanto, também por exigência legal, 100% da frota que transporta produtos perigosos tem o documento. Por iniciativa própria, poucos fazem a inspeção.

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