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Manaus
Trânsito

Motoristas temem tráfego de veículos pesados em ruas estreitas de Manaus

Para quem está atrás do volante de carros de passeio ou para os motociclistas, o pior encontro com esses “pesos-pesado” do trânsito acontece nas ruas estreitas de bairros 20/10/2016 às 05:00
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Nas ruas estreitas do Parque 10, a circulação das carretas "trava' o fluxo. Foto: Divulgação
Isabelle Valois Manaus (AM)

O simples fato de passar ao lado de uma carreta que transporta contêineres deixa qualquer condutor e até os passageiros de veículos apreensivos. Para quem está atrás do volante de carros de passeio ou para os motociclistas, o pior encontro com esses “pesos-pesado” do trânsito acontece nas ruas estreitas dos bairros, onde, muitas vezes, veículos que transportam cargas pesadas, além de transitarem em velocidade incompatível com a via, ocupam mais de uma faixa e desrespeitam faixas de pedestres, cruzamentos e até semáforos. 

Cenas como essas foram flagradas pela condutora Joana Ribeiro, 30, no bairro Parque 10, na Zona Centro-Sul, que cruzou com pelo menos quatro carretas transportando contêineres em ruas do bairro, ontem de manhã. “Muitas  vezes, os contêineres nem estão com a trava de proteção acionada e, como muitos dirigem em alta velocidade, é possível ver a caixa completamente solta. É de dar medo”.

Além da direção ofensiva, outro problema recorrente, na opinião da condutora, é a falta de fiscalização. “Sei que nesta via a carga não passa por nenhuma restrição de circulação por peso, porém é necessário haver fiscalização, pois há várias infrações cometidas por essas carretas”, reforçou.

Inversão
Para especialistas na área de trânsito, a restrição de veículos pesados em algumas ruas de Manaus é válida e necessária, mas a escolha dessas vias deve ser minuciosa, baseada em estudos, para não refletir em prejuízos econômicos para a capital, o que pode acontecer quando a restrição afeta setores como importação e exportação, lembra o doutor em Engenharia de Transporte Geraldo Alves de Souza, que também é professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Ele defende a restrição de circulação de veículos pesados (acima de 16 toneladas) nas ruas do Centro e nos bairros, mas acredita que grandes corredores viários, como Mário Ypiranga Monteiro e Umberto Calderaro Filho, que hoje têm restrições, deveriam ser destinadas a esses veículos pesados.

“Neste caso, o processo é o inverso: para conseguir entregar a mercadoria no destino, os cargueiros buscam atalhos por dentro dos bairros e evitam as principais vias de Manaus, pois estas são restritas”, analisou.

Outra medida necessária, para Geraldo, é as empresas mudarem o horário de circulação das carretas para o período noturno. “E, quando fosse algo de urgência, as cargas deveriam ser transferidas para veículos menores e encaminhadas ao destino. Essa metodologia deveria ser aplicada principalmente nas áreas restritas do Centro, pois precisamos pensar também na economia da cidade e buscar soluções”, concluiu.

Restrições em vias desde 2013
As medidas para disciplinar a circulação dos veículos pesados pelas ruas da capital começaram a ser implantadas pela Prefeitura de Manaus em 2013, com a criação da Zona Máxima de Restrição de Circulação (ZMCR) em trechos de 11 ruas do Centro da cidade.

Em 2014, a restrição foi implantada nas avenidas Constantino Nery e Djalma Batista, na Zona Centro-Sul. Segundo o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans), a fiscalização também tem sido constante na avenida Efigênio Sales, com a presença de agentes para coibir a circulação de caminhões na faixa da esquerda da via.

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