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Pesquisa aponta déficit de mais de 40% na nutrição dos estudantes de Manaus

O dado foi verificado em levantamento feito em mais de 26 mil alunos dos 226 mil matriculados na rede municipal de ensino, informou o secretário municipal de Educação, Pauderney Avelino 29/05/2013 às 10:49
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A exemplo do que acontece nas escolas estaduais, a prefeitura também reforçou a merenda dos estudantes, com a oferta de alimentos mais nutritivos, como frutas
Ana Celia Ossame ---

Um levantamento realizado para verificar o Índice de Massa Corporal (IMC) de crianças matriculadas na rede municipal de ensino em todas as zonas da cidade revelou que 42% dos meninos e 43% das meninas estão com peso abaixo do considerado normal para a idade, tendo em vista a altura das crianças. O dado foi verificado em levantamento feito em mais de 26 mil alunos dos 226 mil matriculados, informou o secretário municipal de Educação, Pauderney Avelino.

Outro dado que chama a atenção é que 12% das crianças estão acima do peso e 9% obesas, preocupação que, recentemente, levou a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) a decidir pelo fechamento das cantinas e lanchonetes nas escolas públicas estaduais.

Na rede municipal, 12,6 milhões de refeições são oferecidas por mês pela Semed aos 226 mil alunos matriculados, incluindo aí as crianças das creches e zona rural. As frutas e legumes são adquiridos de agricultores da zona rural da capital e interior com recursos de R$ 24 milhões, oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao MEC.

A obesidade é outro problema que preocupa os gestores da Educação e que levou a Seduc a proibir cantinas nas escolas

De acordo com Pauderney, a partir dos dados dessa pesquisa, conhecidos em março, foi elaborado um programa de alimentação na escola que vem sendo executado e já demonstra os primeiros resultados para reverter esse cenário. O Programa Alimentar prevê a oferta de café da manhã, lanche e almoço para o turno matutino, almoço,fruta e lanche no turno vespertino, assim como jantar e fruta no turno noturno. O cardápio é flexibilizado em cada escola, mas consiste na oferta de café com leite ou achocolatado com pão ou bolacha, frutas, feijão, arroz e proteína de carne, peixe ou frango no almoço, lanche à tarde.

Ele destaca haver liberdade em cada escola para a elaboração do cardápio, desde que sejam respeitadas as diretrizes dadas pelos nutricionistas, portanto, nem sempre o alimento é oferecido da mesma maneira em todas as escolas.

MENOS EVASÃO

De acordo com o secretário, não há prejuízo para o período da aula, pois as quatro horas regimentais são dadas. “O mais importante é que as crianças estão mais espertas, mais interessadas nos conteúdos, sinalizando termos acertados na oferta da alimentação”, revelou Pauderney, explicando ainda haver registro do aumento da frequência dos alunos, índice que ainda está sendo medido pela secretaria.

Bons hábitos se aprende no recreio

Ao destacar que a alimentação na escola deve ser percebida como uma atividade pedagógica e de forma interdisciplinar, e não somente de uma forma biológica e contextualizada apenas na rotina alimentar dos alunos, a professora doutora Zeina Rebouças Thomé, da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), assegurou a importância de políticas estruturais, específicas e locais, promotoras da alimentação e hábitos alimentares saudáveis das crianças.

“A escola pode ser utilizada para programas de educação em saúde e promoção da alimentação saudável”, afirmou Zeina, citando que o Ministério da Saúde (MS) e o Ministério da Educação (MEC) instituíram diretrizes para a Promoção da Alimentação Saudável em escolas de educação infantil, ensino fundamental e médio, das redes pública e privada, em âmbito nacional, pela Portaria Interministerial 1.010, de 8 de maio de 2006.

Essa portaria propõe diretrizes capazes de desenvolver ações para garantir a promoção da saúde e de práticas alimentares mais saudáveis, para que ocorram mudanças no padrão alimentar brasileiro, que consome alimentação calórica, rica em açúcar e gordura, e pobre em fibras, observou.

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