Terça-feira, 21 de Maio de 2019
ESTUDANTES VULNERÁVEIS

Pesquisa aponta mais de 80% dos alunos da Ufam em vulnerabilidade socioeconômica

Coletados em 2018 em todas as universidades do país, os dados indicam a região Norte como a que mais apresentou estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica



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Foto: Arquivo/Ac
18/05/2019 às 09:02

Uma pesquisa divulgada nessa sexta-feira (17) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) apontou que mais de 80% dos alunos da instituição estão em vulnerabilidade socioeconômica. Os dados, coletados em 2018, fazem parte de um levantamento feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). No geral, o estudo apontou a região Norte como a que mais apresentou estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

A representante do Departamento de Assistência Estudantil da Ufam, Mônica Barbosa, explicou em coletiva de imprensa na tarde de ontem que o estudo foi realizado nos meses de fevereiro e junho de 2018 em todas as universidades federais do País. Ela disse que os dados são importantes, pois se convertem em instrumento norteador da gestão das políticas de assistência estudantil, algo fundamental para a permanência do aluno nessa situação na universidade.

“Hoje a região Norte está com mais de 80 de estudantes socioeconomicamente vulneráveis, que recebem uma renda per capta familiar de até um salário mínimo e meio. Sendo que quando nos vamos indicar a renda média recebida por esse estudante na região Norte, e especificamente no Amazonas, esse dado fica a menos de um salário mínimo em determinados locais do Estado”, explicou Mônica Barbosa.

O contexto

Os dados, segundo ela, vieram em um bom momento e podem servir de base para mostrar como as verbas públicas são importantes para essa parcela de alunos, principalmente os que fazem parte do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). “Esses alunos precisam de maiores investimentos por parte do governo federal, na política de assistência estudantil. Essa pesquisa vem em um momento importante. A região Norte foi a mais afetada pelo bloqueio orçamentário do governo federal, com mais de 33%de corte. Oficialmente o Ministério da Educação garante que os recursos desse plano não serão contingenciados. Mas temos que fazer uma leitura desse cenário, onde a Ufam teve mais de 38 milhões de recursos cortados, o que vai afetar indiretamente quem faz parte desse programa”, afirmou Mônica.

A pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais mostrou também que boa parte dos alunos da instituição veio do ensino público com uma renda de menos de um salário mínimo (em torno de R$ 884,24).  Em todo o Brasil, o levantamento feito com aproximadamente 35,34% dos estudantes revelou que 64,7% deles estudaram integralmente em escolas públicas de ensino médio, enquanto 35,3% vieram do ensino particular.

A situação das outras regiões

Essa foi a quinta edição do Mapa da Vulnerabilidade Socioeconômica, feita pela Andifes. No último levantamento, feito há quatro anos, o Nordeste teve o maior índice de vulnerabilidade socioeconômica entre os graduandos de instituições públicas participantes.

Hoje, o cenário é diferente: 81,9% dos universitários nortistas têm renda per capita média de 884,24 reais, contra 78,3% de nordestinos com renda familiar per capita menor que um salário mínimo e meio. Nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o percentual de universitários nessa situação gira em torno de 60%. Em todo o País, 70,2% dos alunos frequentes, são de famílias com renda média de um salário mínimo e meio.

 

Repórter de A Crítica

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