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Manaus
DADOS PREOCUPANTES

'45% dos suicidas procuraram ajuda até um mês antes da morte', diz especialista

Além da crise que vive o suicida, muitas vezes, passar despercebida por familiares, os médicos também não têm notado essa tendência em seus pacientes 14/09/2017 às 10:45 - Atualizado em 14/09/2017 às 10:53
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A palestra fez parte da programação da campanha ‘Setembro Amarelo’, realizada pelo segundo ano no Amazonas (Fotos: Winnetou Almeida)
Isabelle Valois Manaus (AM)

A falta de atenção de amigos, familiares e médicos para o problema contribui para o aumento dos casos de suicídio, que só este ano foram, pelo menos, 37 no Amazonas. Além da crise que vive o suicida, muitas vezes, passar despercebida por familiares, os médicos também não têm notado essa tendência em seus pacientes: 45% das vítimas de suicídio consultaram um médico de atenção básica até um mês antes da morte.

Os dados foram divulgados pela psiquiatra Alessandra Pereira, durante a palestra “Quem, como e porque”, ministrada ontem, no 2º Simpósio de Prevenção ao Suicídio no Amazonas. “A pessoa que está sentada do teu lado, que trabalha com você diretamente, ou até dentro do próprio convívio familiar, pode, neste momento, estar pensando em tirar a própria vida”, alertou a profissional logo no início da palestra.

De acordo com ela, o erro mais comum está na falta de atenção, tanto das pessoas próximas ao suicida como também dos médicos de assistência básica, que deixam traços importantes passarem despercebidos. “Muitas vezes o suicida procura o médico para se queixar de dores de cabeça e até mesmo no corpo, mas essas dores estão relacionadas a doenças mentais. Uma dor pode não ser uma simples virose, por isso é necessário a investigação, a fundo, do problema, o que nem sempre acontece”, comentou.

De acordo com ela, mais de 90% das pessoas que praticam suicídio têm algum transtorno psiquiátrico identificado antes da morte. A especialista explica que estudos mostram que o estresse pode ser um dos gatilhos para o desenvolvimento de doenças mentais, que podem levar uma pessoa a se matar. Segundo Pereira, picos de estresse podem comprometer e até modificar genes do corpo humano. E o inverso também vale: quem tem casos de suicídio na família está mais propenso a ter casos de suicídio também.

“Por isso, é preciso acompanhar com mais atenção as pessoas que tiveram doenças mentais associadas á depressão e ansiedade, transtorno de humor, esquizofrenia ou psicose, distúrbios alimentares e transtorno de personalidade, além daqueles que também têm envolvimento com bebidas alcoólicas e drogas”, informou.

Perfil

As mulheres são maioria entre as pessoas que pensam em se matar, mas é entre os homens que o índice de suicídios é mais alto, de acordo com Pereira.

O comportamento sexual também influencia, de acordo com a especialista: o índice de suicídio entre pessoas do mesmo sexo é 3 a 4 vezes maior do que entre os heterossexuais. E, entre os homossexuais, são os homens, mais uma vez, que lideram a taxa de suicídios.

A faixa etária mais comum são adolescentes de 15 a 17 anos e adultos jovens, de 18 a 29 anos, mas os casos entre idosos têm aumentado, afirmou Pereira, que alertou, ainda, para a necessidade de melhorias contínuas nas políticas de saúde pública. “O suicídio é um problema de saúde pública e é necessário buscar políticas para combatermos as doenças que levam uma pessoa a tirar a própria vida”, concluiu.

Transtornos mentais

Mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais, segundo a Organização Mundial de Saúde. E os transtornos de humor, em especial a depressão, representam o diagnóstico mais frequente: 36%, seguida do alcoolismo (23%) e esquizofrenia (14%).

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