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Manaus
NÚMERO ALTO

Pesquisa encomendada por A CRÍTICA mostra que 59% dos manauenses já foi assaltada

Em segundo lugar, um universo de 25,7% contou ter sido assaltado quatro vezes ou mais na capital do Amazonas 07/05/2017 às 05:00
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Universitário Bruno Daniel usa celular quebrado para evitar ser assaltado (Foto: Aguilar Abecassis)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Pesquisa encomendada por A CRÍTICA  à empresa Projeta mostra que 59% da população da cidade de  Manaus já foi assaltada pelo menos uma vez na vida. Realizada entre  21 e 25 de abril, foram ouvidas  800 pessoas acima de 16 anos.

Um público de 32,2%  das vítimas respondeu ter sido vítima de assaltos  “apenas” uma vez, “liderando” o infeliz demonstrativo. Em segundo lugar, um universo de 25,7% contou ter sido assaltado quatro vezes ou mais.

Em terceiro lugar nas ocorrências aparecem as pessoas que sofreram crimes de assalto duas vezes, perfazendo  24,8% , seguida por aqueles que foram vítimas três vezes – 15,4% .

A faixa etária de 16 a 24 anos é a maior vítima dos assaltantes, com 70,5%.. De 25 a 34 anos, um universo de 59,7% já sofreu na mão dos criminosos. A terceira faixa mais assaltada está entre a população que têm de 35 a 44 anos - 55,3% - e a quarta entre 45 a 54 anos – 53,8%. A faixa entre quem tem 55 anos e acima dessa idade é a única apontada na pesquisa em que não ter sido assaltado aparece na liderança – 53,2% de não vítimas contra 46,8% de vítimas.

A pesquisa da Projeta mostra que a parcela da população que ganha de 10 a 20 salários mínimos é a preferida dos assaltantes da cidade 

O trabalho de campo aferiu que 62,1% dos manauenses colocam a segurança pública no topo das suas preocupações, seguido dos setores de saúde (33,4%), asfaltamento (24%), desemprego (18,6%) e transporte público (18,2%).

Nas seis zonas da cidade, a segurança pública lidera o ranking de insatisfações. Na Zona Oeste, 66,9% avalia esse setor como o principal problema. O quesito também lidera se compararmos por idade, sexo e escolaridade dos entrevistados.

Vítimas

A pesquisa deixa claro que a  questão da segurança pública é uma dor de cabeça para qualquer pessoa e independe da idade, atingindo vários lares. Na família da autônoma Fátima de Oliveira Barroso, 55, ela veio de forma dupla: em 2008 ela e parte da família ficaram mantidas dentro de casa, no Parque das Nações, à mercê de assaltantes que invadiram sua residência de madrugada pulando pelo quintal dela. “Fiquei durante mais de uma hora amarrada à cama. Outros dois filhos ficaram presos em um quarto. Felizmente não nos agrediram. Mas levaram entre R$ 2 mil a R$ 3 mil e mercadorias que eu vendia, como produtos de couro e semijóias. Até hoje pago empréstimo que fiz para saldar dívidas”, diz Fátima, garantindo não ter ficado traumatizada.

Quatro anos depois, foi a vez do seu pai ter a casa invadida. “Ele foi agredido dentro de casa por um assaltante. Tivemos que levá-lo para o hospital. Ele ficou traumatizado. Infelizmente o problema da segurança é público e não escolhe bairro. É geral”, conta a autônoma.

O universitário Bruno Daniel Soares Gomes, 20, é outra vítima da insegurança manauense: em menos de um ano ele teve o aparelho celular roubado quatro vezes no bairro Nova Cidade, onde mora. Três dos quatro assaltos foram cometidos por assaltantes em motocicletas, uma das modalidades  que mais assustam os manauenses. Todos com arma de fogo.

“Dois desses assaltos eu sofri à noite, um à tarde e outro pela manhã. Acho tudo isso um desrespeito pois há uma delegacia perto de casa e não vejo segurança nenhuma. Há viaturas paradas por lá, um absurdo. Não há como eu me sentir seguro, principalmente à noite onde quase não vejo policiamento. Faço um apelo para que as autoridaes façam mais rondas policiais à noite, nas partes escuras, pois há pesssoas como eu que frequentam igrejas e se locomovem por essas áreas sem iluminação”, desabafa ele, que está usando, temporariamente, um celular com a tela quebrada que foi emprestado a ele pela mãe. “Não tenho previsão de comprar um aparelho”, ressalta, demonstrando inconformismo.

Coletivos

A insegurança no transporte coletivo é gritante. Que o digam os motoristas e cobradores das linhas de ônibus da cidade. Francisco Marcos, 50, já sofreu sete  assaltos nos 14 anos em que conduz os coletivos. Nizard Pedrosa Neto, 46, é cobrador há 5 anos e 1 mês e já foi vítima de assaltos quatro vezes. Ambos atuam hoje na linha 427 (Rio Maracanã-Centro).

“Antes os assaltos não eram tão constantes. Hoje estou na linah 427 (Rio Maracanã-Centro), mas eu sofri os sete assaltos na linha 059 (Campos Sales), 316 (idem) e 455 (Rio Pioriní). Uma das piores vezes foi há oito  meses quando eu saía do Terminal 3, por volta de 19h a 20h, e seis elementos armados de revólver e faca invadiram o nosso ônibus e anunciaram o assalto. Foi coisa de dois minutos, mas foi horrível. Quase me furaram o quadril. Tive que ir na psicóloga e até no psiquiatra. Graças a Deus eu vim pra cá e amenizou a situação”, comenta  Marcos, como é conhecido, que é casado e tem dois filhos. “Nessas horas a gente só pensa o pior. E teme pela vida do parceiro cobrador, que é o mais humilhado por estar com a renda”, destaca, cobrando mais atenção das autoridades para o segmento dos trabalhadores em transportes coletivos.

Com Nizard Neto, o momento mais angustiante ocorreu há cerca de 1 ano  na linha 455. “Eu e meu parceiro (motorista) ficamos por aproximadamente  10 minutos ameaçados com a faca no pescoço. Foram seis assaltantes. Naquele dia eu pensei que iria morrer. Nos chamaram de vagabundos. Logo nós que somos os trabalhadores. Eles quase matam o motorista pensando que ele não queria abrir a porta”, relembra ele, que é hipertenso,e  ficou com o psicológico abalado até hoje. “Mesmo tendo passado um ano, se eu ver alguém de cabelo pintado dentro do ônibus já penso que é assaltante”, conta o cobrador, que nunca foi agredido, mas já viu criminosos dando tapas no rosto de motoristas.

Ele foi assaltado pela última vez há quatro semanas, na linha 126. Nos três assaltos anteriores ele teve seu celular roubado. No quarto, ele já estava sem aparelho. “Tem que aumentar as blitze e colocar policiais à paisana em algumas linhas. Nossas vidas estão em jogo. Estamos vivendo um dilema, pois saimos de casa, mas não sabemos se vamos voltar”, disse o cobrador.

Secretaria faz mapa da criminalidade

A Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) informou  que está intensificando medidas no sentido de diminuir os índices de criminalidade no Estado, sobretudo tráfico de drogas e homicídios, com o trabalho sendo. Além dos órgãos estaduais, a SSP-AM destaca que tem buscado parceria com órgãos das esferas federal e municipal, no sentido de otimizar as ações e promover mais sensação de segurança à capital e aos municípios do interior.

A SSP-AM destacou  estar realizando um trabalho de mapeamento das incidências de crimes nas zonas da capital, que possibilita identificar onde há focos de criminalidade. Operações no interior, como  “Interior Seguro” e “Choque de Ordem” também têm sido realizadas com o objetivo de reduzir crimes. Recentemente, 41 novas viaturas e quase 1,8 mil coletes foram entregues à Polícia Militar para ajudar a corporação no policiamento ostensivo da capital. Ao todo, 150 novos veículos deverão ser entregues.

Em 2016, a SSP-AM diz que houve uma redução histórica no número de homicídios em Manaus. A meta do governo federal era que os Estados diminuíssem 5%  e, em Manaus, a redução foi de 18, 92%, com 988 casos em 2015 e  801 em 2016.

Falta de LED: PMM culpa vandalismo

Sobre a iluminação das vias, a prefeitura afirmou que iniciou, em 2013, o projeto de melhoramento da iluminação pública da cidade com a substituição das lâmpadas antigas pelo modelo LED. Dos atuais 130 mil pontos de iluminação pública, 40 mil já foram substituídas definitivamente por LED, informou a Unidade Gestora de Projetos Municipais de Abastecimento de Energia Elétrica (UGPM Energia). A prefeitura destaca que em fevereiro iniciou um plano de ação para operar serviços de revisão, melhoramento e manutenção da iluminação pública em oito bairros das zonas Norte, Leste e Oeste.

“A UGPM Energia também está realizando a revisão de luminárias de LED em 15 importantes avenidas da cidade. O plano de ação operou ainda o serviço de substituição das antigas luminárias das paradas de ônibus da Praça da Matriz, Centro, por lâmpadas de LED. Mas, em decorrência do vandalismo muitas delas começaram a ser quebradas no dia seguinte”, diz o órgão.

Dados da Pesquisa

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