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Manaus
CENÁRIOS DA GUERRA

Pesquisa revela os bairros de Manaus onde mais se mata por causa do tráfico de drogas

O bairro Cidade de Deus é considerado como a área residencial com o maior número de mortes violentas 04/10/2017 às 20:19 - Atualizado em 05/10/2017 às 01:23
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(Foto: Evandro Seixas)
Danilo Alves Manaus (AM)

O bairro Cidade de Deus é considerado como a área residencial com o maior número de mortes violentas motivadas pelo tráfico de drogas em Manaus. Conforme levantamento feito pela publicação “Amazonas em Perspectiva – Segurança Pública do Brasil”, 104 homicídios foram registrados no local entre os anos de 2013 e 2017 (até julho).

O livro, que é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA), revela que outros bairros da Zona Norte aparecem na sequência: Cidade Nova em segundo lugar, com 102 mortes, e o Novo Aleixo em terceira colocação, com 99 casos. 

Quem convive com toda essa realidade de violência são os moradores desses locais, que muitas vezes têm medo de denunciar suas experiências para a polícia, já que todos os bairros do topo do ranking são considerados pela Polícia Militar como área vermelha e qualquer um que seja considerado um “dedo-duro” fica na mira dos traficantes.

No dia 19 de julho deste ano, a dona de casa Joana Mendes, 44, presenciou um assassinato. Ela voltava para casa, por volta das 22h, na rua Canário, quando ouviu uma discussão de dois homens. No momento que entreva em um beco, os dois começaram a atirar um contra o outro. “Eu fiquei impedida de correr, precisei me abrigar em um lanche que fica perto. Eram tantos tiros que você precisava tampar os ouvidos com o barulho que era”, disse. 

Na Cidade Nova, o maior bairro da capital, com 1,4 quilômetros quadrados, existem ocorrências, principalmente de  roubos e furtos, em todos seus 24 núcleos. No entanto, a disputa entre traficantes nas áreas carentes do bairro fez com que o índice de mortes relacionadas ao tráfico crescesse. 

Para tentar fugir da violência do bairro, a representante comercial Janine Portela Cruz, 58, decidiu se mudar com a família, o marido de 44 anos e o filho de cinco anos. “Nós prevemos nos mudar já em novembro, porque perto de casa há várias bocas de fumo, mas todo mundo tem medo de denunciar e vai continuar assim, se ninguém fizer nada”, reclamou.

Dados gerais

A obra, que foi lançada essa semana pela editora da UEA, foi feita a pedido da SSP-AM, em 2015. Por isso, as informações apresentadas no livro possuem todas as estatísticas da maioria dos órgãos de segurança do Estado. 

A pesquisa mostrou, por exemplo, que o número de homicídios aumentou 157,1%, entre 2001 e 2015, no Amazonas. Nesse período, o número de assassinatos saltou de 320 para 1472. O Estado aparece em 5º com maior crescimento do País. O índice brasileiro de homicídios atual é de 30 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Gastos bilionários

De 2011 a 2016, a despesa média da segurança pública no Estado foi de R$1,4 bilhão por ano. Os gastos anuais são realizados por sete órgãos que compõem o sistema, como polícias Civil (PC), Militar (PM), Corpo de Bombeiros, Subcomando de Ações da Defesa, Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) e Fundo de Reserva Para Ações de Inteligência.  

Livro faz ‘raio-x’ da violência

Com o objetivo de servir de base e auxílio para o futuro do sistema de Segurança Pública do Estado, o livro “Segurança Pública no Brasil: o Amazonas em perspectiva” foi lançado na última terça-feira, na reitoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), na Zona Centro-Sul de Manaus. 

A obra foi produzida pelos professores da UEA Antonio Gelson e Jatniel Rodrigues e pelo ex-superintendente da Polícia Federal do Amazonas Mauro Sposito.

O processo de construção do livro durou cerca de um ano e quatro meses, conforme Gelson. Segundo ele, inicialmente o livro seria apenas um relatório do diagnóstico do sistema de segurança para que os gestores pudessem direcionar políticas públicas do setor. "Creio que os principais problemas que são discutidos no campo da Segurança Pública estão aqui. É claro que, no campo da ciência, os problemas e as discussões não se esgotam, mas de início a gente tem problemas pontuais e que ajudam a pensar sobre a responsabilidade federativa, além do ingresso da cocaína no Brasil, que também gera o problema do encarceramento", disse Gelson.

O reitor da UEA, Cleinaldo Costa, ressaltou a importância da parceria entre SSP-AM e UEA no sentido de oferecer para a sociedade um livro de altíssima qualidade e que reflete pesquisa sólida em segurança pública. Ele destacou a educação como um ponto fundamental no enfrentamento da violência."Investindo em educação nós estamos tratando de prevenção da violência, de problemas de saúde de toda a ordem. Países que tiveram esse cuidado e investiram e solidamente em educação hoje colhem frutos disso", destacou. 
Durante a cerimônia de lançamento, o ex-secretário de Segurança do Amazonas Sérgio Fontes foi homenageado.

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