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Manaus
FORÇA TOTAL

PF ‘inaugura’ nova fase de combate ao tráfico e ao contrabando no aeroporto de Manaus

Com apoio da Infraero, a federal se estrutura com novas máquinas e efetivo, resultando na apreensão de mais de 250 kg de droga só nos últimos 20 dias 21/05/2017 às 05:00
Vinicius Leal Manaus (AM)

O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, entrou para o rol dos sete mais preparados aeroportos do País no combate ao tráfico de drogas e ao contrabando. Isso porque desde o final do mês passado a Polícia Federal, junto com a Infraero, “inaugurou” uma nova etapa contra a criminalidade, com aperfeiçoamento no uso de tecnologias, aumento de efetivo e treinamento policial. Só nos últimos 20 dias, para se ter uma ideia, 253 quilos de drogas foram apreendidos e  25 pessoas foram presas tentando sair da cidade com materiais ilícitos em bagagens ou no próprio corpo.

No início da semana, foi manchete em todo o País a prisão de um amazonense que agiu como “mula” após sair em um voo de Manaus com destino a Brasília usando uma “roupa de maconha” junto ao corpo. Tasso Jorge Nemer Hozannah, 21, estava com seis quilos de skunk, maconha aditivada, grudados ao tórax e nas coxas. Segundo a polícia, ele entregaria o material para traficantes na capital federal, mas foi pego após ação conjunta entre a PF amazonense e do DF. Segundo o delegado federal Pablo Oliva, chefe do setor de imigração do aeroporto, o aumento das apreensões no Eduardo Gomes é fruto de inteligência e tecnologia.


Scanner corporal (Foto: Aguilar Abecassis)

“Reforçamos o efetivo e os equipamentos, colocando cães farejadores, policiais treinados e aumentando os mecanismos de segurança eletrônica. E não é um só um trabalho de busca e de localização de bagagens ou passageiros, é um trabalho de inteligência que faz com que a gente identifique os potenciais alvos”, disse. “Às vezes, a identificação acontece quando o passageiro já embarcou. Então a gente tem pouquíssimo tempo. O tempo é nosso inimigo. Se a pessoa já tiver embarcado e fizer conexão em outro local, a PF tem capacidade de retê-lo no seu destino final. Se ele passar por nós, a gente vai levar esse alerta para outro estado, e quando a pessoa chegar ao ponto final, vai ser pego”.

Equipamentos de última geração

Entre os aparatos usados pela Polícia Federal e pela Infraero no aeroporto estão um scanner corporal, o “body scan”; o monitoramento eletrônico através de 340 câmeras de segurança em toda área interna e externa do aeroporto; o uso de um cão farejador “K9” – um pastor alemão treinado com altíssimo poder de faro (até 100 vezes mais que o olfato humano) – e dois equipamentos de inspeção de bagagem, o “ETD”, um sistema automático de inspeção de bagagens, e o “EDS”, um detector de traços orgânicos e explosivos, além dos tradicionais raio-x de bagagens despachadas e de mão.


Raio-x de bagagem (Foto: Aguilar Abecassis)

“O EDS é um equipamento que recebemos durante a Copa do Mundo em razão do terrorismo. Ele identifica traços explosivos através de um software e também é voltado para entorpecentes. É um recurso específico que funciona através de sensores capazes de identificar tanto explosivos quanto materiais orgânicos, químicos”, explicou o agente federal Ricardo Almeida, chefe do núcleo da polícia aeroportuária do Eduardo Gomes.

Já o ETD é a inspeção tradicional, que funciona para 100% das bagagens. “Todas as malas passam pelo ETD como prevenção. Se confirmar através da imagem no visor, falamos com a empresa aérea, a gente ingressa na aeronave e trazemos o passageiro para confirmar o entorpecente. A mala é aberta na presença da pessoa e se for confirmado, é dada a voz de prisão”, completou o agente federal Ricardo Almeida.


Cão farejador “K9” (Foto: Aguilar Abecassis)

Outra ferramenta importante é o “body scan”, onde se identifica objetos estranhos ao corpo humano das pessoas através de um potente scanner. “Não há necessidade de pedir para tirar a roupa de ninguém. O equipamento mostra todas as nuâncias corporais e também objetos estranhos, como cápsulas de droga ingeridas na barriga”, explicou o agente Ricardo Almeida.

A rota do tráfico pelo aeroporto

O aumento das prisões por tráfico de drogas e contrabando no Aeroporto Eduardo Gomes também é consequência do sucesso no combate ao tráfico no interior do Estado, pelas rotas tradicionais dos rios da Amazônia, segundo informou o delegado Pablo Oliva.

“Antes as fiscalizações aconteciam de maneira rotineira no aeroporto, e tinham poucos casos. Mas a Polícia Federal vinha aumentando a repressão ao tráfico de entorpecentes em conjunto com outros órgãos no interior do Estado. Com as grandes apreensões feitas, acendemos o alerta de que era possível que o aeroporto fosse usado como nova rota migratória de drogas”, disse Oliva.


Câmeras de monitoramento (Foto: Aguilar Abecassis)

Segundo o delegado, os traficantes perceberam nos voos uma saída para continuar levando entorpecentes para outros estados brasileiros e outros países. “Imaginamos que a criminalidade iria migrar para a capital e tentar levar essa droga de maneira diferente para outros Estados e para fora do Brasil. A nova tentativa deles é levar droga através de avião. Mas a PF. E o trabalho vai continuar”, prometeu o delegado Pablo Oliva.

O perfil das ‘mulas’ do tráfico

Segundo a PF, a maioria das pessoas presas tentando traficar e contrabandear nos aeroportos tem um perfil específico. “São jovens, tanto do sexo masculino quanto feminino, a maioria entre 18 e 25 anos, jovens cooptados pelo tráfico de drogas para levar essa droga para outros locais. A gente alerta a população e fala para as pessoas para não seguir esse caminho, porque a Polícia Federal vai continuar reprimindo”, acrescentou o delegado Oliva.

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