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Manaus
SEM CONTROLE

Pichações de vândalos atingem monumentos do Centro Histórico de Manaus

Em pelo menos três pontos do Centro da capital é possível notar a ação dos pichadores. Uma proposta em tramitação no Congresso propõe pena de três anos para o crime 13/03/2018 às 07:04 - Atualizado em 13/03/2018 às 10:21
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Na Praça da Saudade, monumento a João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, está pichado desde o ano passado (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A pichação é um problema crônico que segue atingindo cada vez mais alguns dos principais monumentos históricos da cidade de Manaus e que vem impacientando quem transita pelos locais onde esses patrimônios estão instalados. Um dos focos principais é o Centro Histórico da cidade. 

Na Praça da Saudade, o monumento a João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, primeiro presidente da Província do Amazonas, está pichado desde o ano passado.

“Passei pelo local, onde tenho um carinho e afinidade desde os tempos que eu era estudante do Benjamin Constant, e vi as pichações. Acho isso uma afronta e desrespeito com a cultura e a nossa história. É um crime e deve ser batido forte. Por ficar sentado em suas escadarias, eu acertei uma questão e passei no vestibular. ‘Esse cara’ me ajudou a passar. E foi no monumento que, em 1986, eu ‘apresentei’ minha então namorada e atual esposa a ele, Tenreiro Aranha”, comentou o representante comercial e sambista Marquinhos Nefritude.

“Quem faz isso é vândalo. Não se poderia fazer isso. Deve-se punir com uma lei para prender por 3 anos quem picha monumentos. Não há segurança, nem vigias, fica abandonado”, conta o autônomo Geovane Santos, 22.  

No mesmo local, as colunas brancas instaladas na última reforma sofreram pichações inclusive com palavrões. “Acho isso muito ruim, um vandalismo, vem turistas por aqui. Além disso, acho que essa obra deveria ter uma cobertura e bancos pra sentarmos”, conta o estudante Vitor Guimarães, 14.

Igreja dos Remédios

Nem os monumentos religiosos escapam da pichação: os fundos da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, entre as ruas Leovegildo Coelho com Rua dos Andradas, além de inscrições ilegíveis para leigos também sofreu uma depredação curiosa há cerca de 3 anos: arremessaram tinta vermelha na estrutura - o que na época foi até taxado como um ato de intolerância religiosa. 

O comerciante Benedito Campos Martins, 65, que tem há 13 anos um carro-lanche na referida esquina, classifica os atos como “vandalismo de gente que não tem o que fazer e nem gosta de igreja”. 

Museu do Porto

O abandonado Museu do Porto, instalado na rua Vivaldo Lima, também sofre com pichações na sua área externa, além de vidraças laterais quebradas, numa triste visão atual dos nossos patrimônios.

Projeto antipichação tramita na Câmara 

Em janeiro  deste ano, A CRÍTICA publicou que já existe uma lei, a de Crimes Ambientais (9.605/98), que fixa detenção de seis meses a um ano, mais multa, como pena para o crime de pichação e “conspurcação” de monumentos tombados pelo patrimônio histórico, artístico ou arqueológico.

Há uma proposta em trâmite no Congresso que pune a violação do patrimônio histórico e cultural com a pena já estabelecida pela Lei de Crimes Ambientais para o ato de destruir, inutilizar ou deteriorar bem especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, mas com pena mais severa, chegando até três anos de detenção. O projeto em trâmite na Câmara dos Deputados (PL 8349/17) é de autoria do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Diferenças

O grafite é uma arte baseada em desenhos com letras e figuras utilizadas na pintura e pensadas e elaboradas para que representem aquilo que o artista quer mostrar. A pichação é o ato de escrever ou rabiscar, o que é considerado vandalismo e contestado pela maioria da população.

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