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Pichadores desafiam proprietários de imóveis e o poder público

Pichadores fazem do que deveria ser um manifesto um festival de ousadia e desrespeito a proprietários de imóveis de Manaus 25/05/2013 às 17:10
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Na rua Duque de Caxias, no bairro Praça 14, os pichadores desafiam o dono do estabelecimento comercial, alvo de pichações, que insiste em recuperar a pintura da loja após cada ataque dos vândalos
Carolina Silva Manaus

Além de desafiar o poder público, os pichadores também têm desafiado os proprietários de imóveis particulares com os “rabiscos” que poluem visualmente quase todas as ruas de Manaus. Agora, as pichações estão ocupando cada vez mais os imóveis particulares com suas críticas sociais expostas numa caligrafia própria desse movimento.

Moradores de Manaus entrevistados por A CRÍTICA afirmaram ter percebido que a ousadia dos pichadores não tem mais se limitado apenas aos monumentos históricos ou prédios públicos abandonados ou, até mesmo, em uso. Na rua Tapajós, Centro, na Zona Sul, por exemplo, várias residências estão pichadas. E para os responsáveis pelo crime, aparentemente os muros não oferecem espaço suficiente paraq que eles possam externar suas “expressões”. É que até os portões das casas têm sido pichados.

Alguns moradores da área, inclusive os que tiveram as residências pichadas, evitam comentar sobre o assunto, pois temem a reação dos responsáveis e uma piora da situação, em retaliação às declarações.

O detalhe é que, “às vésperas” de receber a Copa do Mundo, outros imóveis particulares que ficam próximos ao Teatro Amazonas, um dos pontos turísticos mais procurados por visitantes, também estão com a pintura dos muros, paredes ou fachadas rabiscadas com os dizeres que somente quem conhece o movimento compreende.

Desafio à altura
O que também impressiona os proprietários dos imóveis alvos de pichações é a altura que os autores são capazes de enfrentar para espalharem suas críticas que, mesmo não sendo compreendida por todos, acabam chocando a sociedade.

É o caso do prédio onde funcionará futuramente a Central de Atendimento ao Turista, localizado na esquina da rua Ramos Ferreira com Tapajós. As pichações estão ocupando, além das janelas, a fachada do imóvel. O responsável pelo ato de vandalismo chega a ser chamado de “homem-aranha” pelas pessoas que passam pelo local.

“Acho que muitas pessoas se perguntam como esses pichadores conseguem alcançar certas alturas somente para danificar a pintura do imóvel e poluir visualmente a cidade. Sempre quando vejo pichações em prédios muito altos, públicos ou privados mesmo, me pergunto como eles conseguem se ‘camuflar’ pra não serem flagrados”, comenta a universitária Alessandra Santiago, 25.

Na rua Duque de Caxias, bairro Praça 14, Zona Sul, o pichador deixou bem claro a intenção de desafiar o proprietário de uma loja. A pichação diz: “Eu risco e você pinta. Vamos ver quem tem mais tinta”. E essa é uma das principais reclamações dos proprietários dos imóveis que são atingidos por esse ato de vandalismo. A loja já chegou a ter a parede pintada por mais de quatro vezes por conta das pichações.

Punição

Existe legislação federal contra a pichação. No caso de a pichação ser feita em imóvel ou monumento tombado, a pena é de três meses a um ano de detenção e multa. As penas alternativas que têm sido utilizadas determinam que os infratores limpem o local pichado.

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