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Manaus
SUSTO

Piloto que sobreviveu a acidente desviou de casas para não deixar mortos, diz esposa

Piloto Clóvis Martiny, de 55 anos, deve receber alta médica nesta quarta-feira (23). Segundo a esposa, sobrevivente do acidente ocorrido ontem é piloto há mais de três décadas 23/05/2018 às 15:51 - Atualizado em 23/05/2018 às 15:52
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Clóvis Martiny fez o transporte da tocha olímpica até Boa Vista em 2016 (Foto: Divulgação)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

“Ele saiu e disse que ia voltar para tomar café. Mulher de militar é um pouco treinada para ser pai, mãe e esposa. Quando vi tudo aquilo depois e ouvi a voz dele, eu senti que precisava apenas abraçá-lo. Sou muito coração”. O relato é de Diane Cristina Martiny, 52, esposa do piloto Clóvis Martiny, de 55 anos, que sobreviveu após o avião em que estava ter caído e pegado fogo nas proximidades da avenida Torquato Tapajós, bairro Flores, Zona Centro-Sul.

O caso ocorreu na manhã dessa terça-feira (22). A queda ocorreu em uma área por trás do depósito das lojas Ramsons, o mesmo local onde quatro pessoas morreram na queda de um monomotor no dia 22 de fevereiro. Exatos três meses depois a história se repetiu com outra aeronave, porém teve um final feliz.

Segundo a dona de casa, que nasceu no Rio de Janeiro, Clóvis é natural do Rio Grande do Sul. O casal mora em Manaus com os filhos desde 2006, período que Clóvis assumiu a função de comandante de táxi aéreo.

Por telefone, Diane disse ao Portal A Crítica que o marido pilota aviões há pelo menos 30 anos, acumulando cargos no Departamento de Aviação Civil, antiga ANAC, por meio do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac-7), e em seguida na Amazonaves, empresa privada especializada em táxi aéreo. O piloto foi o responsável pelo translado da tocha olímpica até Boa Vista (RR) no ano de 2016, e já transportou bandas e políticos através da profissão.

Em três décadas, ela conta que Clóvis nunca sofreu qualquer acidente em voos. Diane acredita que o piloto sobreviveu devido à experiência dele, aliada a calma mantida no momento da queda e o fato da porta do avião não ter empenado após o impacto. “Ele conta que desmaiou rapidamente e voltou. A sorte é que a porta do avião não empenou e ele acordou rápido. Se ele não conseguisse sair do avião, talvez não tivesse se salvado. Nessas horas acreditamos que as coisas acontecem por algum motivo”

A esposa do piloto disse que o marido fez a manobra de pouso forçado na área propositalmente para não causar vítimas. “Ele disse que olhou para um lado e via casas. Pensou ‘eu posso matar uma pessoa ali’... Depois visualizou que aquela área, se acontecesse alguma coisa, seria só ele. Ele jamais pensou que iria morrer e só queria se salvar. Quando percebeu que não tinha altura para chegar até o Aeroclube, decidiu fazer isso lá e graças a Deus funcionou”, relatou a esposa.

Queda

Após a queda, Clóvis conseguiu sair do avião. Rapidamente pessoas curiosas teriam tido acesso ao local para gravar o acidente. “Ele só queria um celular para ligar. Ele sempre foi uma pessoa reservada e não iria pedir o celular daqueles que estavam ali... Ele tentou tirar as coisas dele do avião, celular, IPad, mas só o que conseguiu pegar foi uma mala com os pertences pessoais porque já tinha fogo ali”.

Pelos relatos do marido e a última ligação dele recebida no celular, Diane calcula que durou exatamente 12 minutos desde a decolagem do avião – que saiu do terminal 2 do Aeroporto Eduardo Gomes com destino ao Aeroclube de Manaus – e a notícia do acidente, dada pelo próprio Clóvis. “Ele ligou do telefone de um posto de conveniência ali próximo e disse que tinha sido um acidente, mas não era nada de mais. O meu número foi o único que ele lembrou”, disse a dona de casa.

A partir daí foi feito o contato com a direção da empresa Amazonaves, que levou Clóvis em um veículo particular até o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul. Apesar do acidente, o piloto sofreu apenas um corte próximo da boca e precisou receber três pontos. O quadro dele foi estável desde a entrada no hospital. “Ele não sentiu nada quando caiu. Depois ele viu que havia umas escoriações nas pernas, pescoço e barriga por causa do cinto, mas nada grave”.

Causas sendo apuradas

Antes do acidente, Diane relata que chegou a conversar com o marido. Ele disse apenas que a empresa solicitou que Clóvis realizasse o transporte da aeronave do aeroporto “Eduardinho” até o Aeroclube de Manaus. A dona de casa esclareceu não ter informações sobre o que causou a queda. “O Seripa esteve no hospital e ele contou o que aconteceu, mas infelizmente não participei disso e acho que uma posição técnica só eles podem dar”.

Clóvis deve receber alta médica nesta quarta-feira (23) e ficar de repouso das atividades até agosto. Apesar do susto, o piloto deve voltar às atividades. “Ele fica chateado porque nunca parou de voar. Eu conheci ele como piloto e sei disso. Era o sonho de criança e hoje é a vida dele”.

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