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Manaus
CRIMINOSOS À SOLTA

Pistoleiros, serial killers e maníacos que matam homossexuais entre os foragidos

Levantamento da ficha criminal dos foragidos do sistema prisional mostra que há bandidos de alta periculosidade há pelo menos duas semanas nas ruas 14/01/2017 às 09:31 - Atualizado em 15/01/2017 às 08:43
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Dieguinho (foto principal) é acusado de mais de 30 homicídios; “'currículo” criminoso de foragidos é extenso e há até “fujões profissionais”
Fábio Oliveira Manaus (AM)

Levantamento feito por A CRÍTICA revela que entre os 148 foragidos do sistema prisional do Amazonas estão criminosos de alta periculosidade.

De acordo com a lista divulgada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), que admitiu a fuga de 225 presos e não 184, como divulgado anteriormente, foi possível identificar entre eles pistoleiros da facção criminosa Família do Norte (FDN), assassinos de policial, criminosos especializados em roubos a bancos, residências e estabelecimentos comerciais, além de latrocidas e até “serial killers”.

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Entre os mais perigosos estão três pistoleiros da FDN: Francisco Diego dos Anjos Albuquerque, conhecido como “Dieguinho”, Amilton Santos Gomes e Rodrigo Alves Gaia. Na somatória, juntos os três executaram mais de 60 desafetos. Todos as execuções têm ligação com o tráfico de drogas.

Dieguinho é suspeito de cometer 30 execuções na capital amazonense. Ele é irmão de outro homicida e pistoleiro da FDN, Jeanderson Anjos, o “Billy”, suspeito de ser o autor de pelo menos 20 homicídios. Amilton Santos, por sua vez, é soldado de Dieguinho. Ele recebia ordens e executava os rivais do tráfico de drogas. Os dois foram presos em 2014. Dieguinho foi preso em fevereiro e Amilton, em junho.

Entre os foragidos também está um dos pistoleiros do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”. Rodrigo Alves Gaia é suspeito de ter praticado dez homicídios junto com seu bando. Na época da prisão, Rodrigo foi detido por policiais civis da Delegacia de Repreensão ao Crimes Organizado (DRCO) e Investigação sobre Narcóticos (Denarc). Na ocasião, sete pistolas automáticas foram apreendidas. Rodrigo e seu bando usavam um carro, modelo Voyage, de cor branca e até com giroflex. Ele executava suas vítimas a mando de João Branco. Durante os assassinatos, Rodrigo e os comparsas se apresentavam como policiais civis e tinham até distintivos.

Nas ruas também estão soltos assaltantes e latrocidas (que roubam e matam em seguida). Joabe Silva e Silva, por exemplo, em janeiro de 2014, matou um empresário de 54 anos, em uma saidinha de banco, considerada uma de suas especialidades. Hycalo Fabrício Anjos Ferreira também matou um empresário. Na época do crime, Hycalo e comparsas efetuaram roubo a uma distribuidora. O empresário teria tentado fugir e acabou alvejado com três tiros.

Como se não bastasse os matadores, a população está à mercê também de assaltantes. Thiago Paiva Amâncio, que já esteve preso em unidade federal, costuma praticar furtos na área central da capital amazonense.

Danilo Oliveira Duarte, o “Paulistinha”, foi preso pela Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd) e está envolvido em roubos a bancos na cidade. O último praticado por ele foi no Banco do Brasil, na Compensa, onde ele e outros comparsas invadiram a agência armados com metralhadoras.

Irmãos de sangue, parceiros no crime

Entres os 148 foragidos também estão os irmãos Sansão de Souza Moura e Alexandro de Souza Oliveira. Os dois são suspeitos de matar o policial militar Manoel Bezerra dos Santos, após roubo na casa dele, no bairro Tancredo Neves, na Zona Leste de Manaus. Em junho do ano passado, o policial foi morto com um tiro no rosto. Um amigo dos irmãos, Tiago de Souza Freire, também foi preso por participação no crime.

Outros irmãos que também estão entre os fugitivos são Fabrício da Gama Viana e Marcelo Jefferson da Gama Viana. Os dois foram presos no ano passado pela Polícia Militar e costumam praticar roubos em bairros de Manaus. No dia do crime, eles tentaram ainda matar a vítima, porém a mesma conseguiu correr e o tiro atingiu de raspão as costas do homem. O crime aconteceu no bairro São José, na Zona Leste da capital. Um policial militar que efetuou a prisão dos irmãos relatou que os dois são muito perigosos e que no dia do crime atiraram para matar a vítima.

Fujões profissionais

Além destes, há também na lista de foragidos detentos que já conseguiram fugir mais de uma vez de presídios como são os casos dos traficantes Eunardo Jordão, Bruno Coelho Costa, Rodrigo Queiroz Muniz, Gesse Campos e Elton Parintins Chaves. Um deles, Bruno Costa, após a fuga, foi preso e, dias depois, já estava traficando entorpecentes novamente.

Maníacos e homofóbicos à solta

A população de Manaus deve estar atenta também a dois irmãos considerados maníacos que estão entre os foragidos. Ricardo Damascena Cunha e Jucenildo Soares Damascena assassinaram pelo menos 10 homossexuais. A dupla foi presa em janeiro de 2014 por policiais civis da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd).

Na época, a delegacia estava sob o comando do hoje comissário Orlando Amaral, que está à frente da Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop), da SSP-AM. Orlando Amaral classificou os irmãos de maníacos, pois cometiam crimes somente contra vítimas homossexuais. Eles conheciam as vítimas em bares e restaurantes, mantinham relações sexuais e depois as matavam. O objetivo era sempre o mesmo: roubar em seguida.

Os dois são considerados de alta periculosidade e um deles até disse no dia de sua prisão que matava porque a vítima era gay. Uma de suas vítimas foi morta por estrangulamento, pauladas, agressão física e ainda foi enterrada.

Outro criminoso que se enquadra no perfil dos irmãos é Romário da Costa Bandeira, que também está nas ruas, andando livremente. Romário é suspeito de três homicídios, um latrocínio, tráfico de drogas e roubo majorado. Uma de suas vítimas foi um homem, que mantinha relações com sua namorada. O crime aconteceu há seis anos, no bairro Redenção, Zona Centro-Oeste. No mesmo ano, Romário também matou uma ex-namorada e tentou executar o atual companheiro dela, que levou vários golpes de faca, além de disparos de arma de fogo. No entanto, a vítima sobreviveu. Na época, Romário foi preso pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Ele cumpria pena pelos crimes de tráfico e homicídio.

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