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Placas na av. Ephigênio Sales, em Manaus, alertam motoristas sobre a presença de periquitos

Ação faz parte de um conjunto de medidas que visam à permanência da espécie no local, mesmo após a morte de mais de 200 aves neste mês 28/12/2014 às 10:32
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Placas devem orientar motoristas que transitam pelo local
oswaldo neto ---

Os periquitos que habitam as árvores da avenida Ephigênio Sales, Zona Centro-Sul, ganharam um novo apoio para se manterem são e salvos daqui para frente. Por iniciativa do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), duas placas de sinalização orientam, desde o dia 26 os motoristas que trafegam na via para a redução da velocidade. Segundo o Instituto, a ação faz parte de um conjunto de ações que visam à permanência da espécie no local, mesmo após a morte de mais de 200 aves neste mês.

De acordo com o presidente do Ipaam, Antonio Ademir Stroski, a instalação das placas com a inscrição “Reduza a velocidade, abrigo de aves silvestres” faz parte de um conjunto de ações do órgão. Ele explica que todos os pássaros escolheram a área por instinto. “Eles consideram a área segura para pernoite. Os bandos de periquitos são muito grandes e tudo isso tem o objetivo de conter os perigos para a espécie”, disse.

Além da sinalização, uma equipe do Ipaam realizou, ainda, a poda dos galhos mais baixos das árvores plantadas no meio-fio. Segundo  Stroski, a medida pretende evitar principalmente que veículos pesados colidam contra parte das vegetações habitadas pelos periquitos. “Na avenida existe uma placa que pede aos motoristas para trafegarem pela direita, porém muitos não respeitam e andam pela faixa esquerda, onde ficam as árvores”, afirma o presidente. O órgão ainda afirma que deve iniciar um diálogo com Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) sobre fiscalizações mais rígidas na avenida.

A auxiliar de estoque Cristiane Almeida, 39, acredita que apesar da ação ter sido executada com um pouco de atraso, o esforço deve valer a pena. “É importante que coloquem sim, porque isso é para o bem deles. O horários que eles surgem é sempre esse, quando passam mais carros e ônibus. Já deveriam ter colocado há muito tempo. Isso é lindo de ver, parece uma dança de pássaros”, finalizou Cristiane.

Proteção

Entre as medidas propostas pelo Ipaam para a manutenção e proteção das espécies na avenida estão a poda de galhos das árvores da via e sinalização da área para motoristas. O presidente do órgão, Antonio Ademir Stroski, explica que as aves da espécie periquito-de-asa-branca escolheram o local para dormirem e não para se alimentar de frutos.

Laudo das mortes apontou resíduos de agrotóxicos e descartou veneno para rato   e ‘chumbinho’

Mais de 200 periquitos  que viviam nas árvores ao longo da  avenida Ephigênio Salles foram encontrados mortos no dia 27 de novembro. A principal suspeita, segundo laudo solicitado pelo Ipaam a uma universidade de Minas Gerais, aponta para a ingestão de agrotóxicos. O documento ainda descartou um suposto envenenamento por parte das aves, da espécie periquito-de-asa-branca.

De acordo com o laudo enviado ao Ipaam pela toxicologista mineira Marília Martins, foram encontrados “níveis residuais” de agrotóxicos nos cadáveres dos periquitos, o que indica que pode ter havido contaminação por alimentos, já que as substâncias identificadas são comumente achadas em frutas, grãos ou produtos agrícolas. O laudo descartou, ainda, intoxicação por venenos tradicionais, como mata-ratos ou “chumbinho”.

“O Ipaam está buscando o que de fato aconteceu, para poder atribuir responsabilidades. Não se pode esquecer que temos uma população viva da espécie e estamos adotando medidas para protegê-la”, disse Stroski, na ocasião. Dois dias depois, uma manifestação reuniu cerca de 300 pessoas, cobrando investigação por parte de órgãos ambientais

No último dia 16, outras 50 aves foram encontradas mortas na mesma via. Desta vez, policiais da Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) encontraram um pincel com suposta substância tóxica perto das árvores de onde as aves caíram. A Polícia Civil analisa o produto achado.

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