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Plantas e árvores são ‘castigadas’ pelo recorde de temperatura

Sol intenso e temperaturas acima do normal vêm castigando, também, a vegetação, que retrata os dias sem chuva na capital 28/09/2015 às 11:05
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Ipês plantados ao longo da avenida Djalma Batista perderam folhas nos últimos dias. Especialista explica que fenômeno é ‘defesa’ da planta para períodos sem chuva
natália caplan ---

Não são somente as pessoas que precisam lidar com o calor intenso e a falta de chuvas em Manaus. Até mesmo as plantas estão sendo “castigadas” pelo recorde de temperatura, a mais elevada dos últimos 90 anos. No último dia 21, foi registrado 39ºC, com sensação térmica de até 41 graus. Quem passa pela avenida Djalma Batista, na Zona Centro-Sul, já notou árvores resumidas a galhos secos, sem folhas.

“A impressão é que essas árvores estão morrendo por falta de cuidados. Não vejo ninguém fazendo qualquer tipo de manutenção. Acho que isso é responsabilidade de quem plantou: a Prefeitura de Manaus”, disse a dona de casa Ana Cristina Gama, 26. O autônomo Laércio Araújo, 33, concorda. “Acho difícil elas sobreviverem ao verão deste ano. Passam o dia sob o sol e não chove de verdade há semanas”, declarou.

Porém, de acordo com o chefe da Divisão de Elaboração e Acompanhamento de Projetos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Lucas Ourique, diferentemente do imaginário popular, essa aparência não é preocupante. Trata-se da época de renovação das folhagens, comum da espécie escolhida para ornamentar o canteiro. Nada mais é do que uma estratégia de sobrevivência delas, explica ele.

“Com a diminuição gradativa das chuvas na Amazônia, os vegetais, de forma geral, sentem rapidamente essa falta de água, que é vital no processo fisiológico das plantas. A partir disso, as árvores fazem de tudo para economizar os recursos, já escassos. A primeira ação é o descarte de folhas velhas, que são menos eficientes. Algumas espécies podem descartar totalmente as folhas, como é caso dos Ipês (Caducifólia)”, explicou.

Segundo o engenheiro florestal, há 315 ipês ao longo da Djalma Batista, uma das principais vias viárias da capital. Todos são cuidados com frequência e tiveram a irrigação intensificada, inclusive, no período noturno. Além da preservação das que já foram plantadas, o monitoramento tem o intuito de realizar a coleta de sementes que darão origem a novas mudas da espécie. Portanto, não é preciso se preocupar com a seca.

“Como este momento não é propício para crescer, pela escassez de recursos, as árvores investem na reprodução e, consequentemente, na perpetuação da espécie. Por isso, florescem no período mais seco. Após o investimento na floração, formação e dispersão dos frutos, as árvores emitem novas folhas, renovando o ciclo e voltando a crescer de acordo com a disponibilidade de recursos”, enfatizou Ourique.

Arborização poderia amenizar

Já a estudante Flávia Silva, 17, reclama da falta de árvores para aliviar o calor no Centro de Manaus, principalmente na avenida Eduardo Ribeiro e ruas paralelas, onde há maior concentração de comércio e pessoas. “Algumas árvores foram cortadas. Se você for andando para a avenida Getúlio Vargas, sentirá uma grande diferença”, afirmou.

De acordo com o Departamento de Arborização e Paisagismo da Semmas, a intenção é intensificar o trabalho de arborização nas chamadas “ilhas de calor”, principalmente nas zonas Norte e Leste. Na última sexta-feira, 150 mudas foram plantadas na rotatória do João Paulo, no Santa Etelvina, Zona Norte. No Centro, o foco do trabalho é a manutenção das árvores que já existem. Toda a área será revitalizada.

Após a reforma, ainda segundo o órgão, serão plantadas árvores em todos os pontos onde houve perdas, inclusive na extensão da Eduardo Ribeiro. O planejamento inclui plantar 10 mil mudas em toda a capital até o final deste ano. Entretanto, diferentemente da Zona Centro-Sul, a espécie predominante na área central é o oitizeiro.

Queda de folhas

O trabalho de manutenção é feito por técnicos do Viveiro Municipal, ligado ao Departamento de Arborização e Paisagismo da Semmas. O engenheiro florestal Lucas Ourique esclarece que, apesar de o fenômeno ser característico do ipê, algumas árvores ainda estão com folhas. “Esse processo é natural, importante para o ciclo de vida e ainda apresenta variação em função da espécie e do clima local”, explicou.

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