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PM’s presos na Operação Alcatéia utilizavam armas, viaturas e fardas para matar

Em diálogo gravados pelos investigadores, e aos quais A CRÍTICA teve acesso com exclusividade, fica claro que os mesmos encaravam as execuções como brincadeira que lhes dava prazer 28/11/2015 às 10:32
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Flagrante do momento em que um dos 12 policiais militares era preso na casa dele. Efetivo usado na Operação Alcatéia uniu a forças de segurança do Estado
JOANA QUEIROZ Manaus (AM)

A forma de agir dos policiais militares integrantes do grupo de extermínio preso nesta sexta-feira, durante a Operação Alcateia, chamou a atenção das autoridades de segurança pela frieza nas ações e também pelo pouco valor que dispensavam à vida humana. Além de fazerem tudo com armas, viaturas, fardas e demais equipamentos das forças de segurança do Estado.

Em diálogo gravados pelos investigadores, e aos quais A CRÍTICA teve acesso com exclusividade, fica claro que os mesmos encaravam as execuções como brincadeira que lhes dava prazer.

O procurador-geral de Justiça, Carlos Fábio Monteiro, disse que muitas vezes eles saíam de casa para matar sem um alvo certo. Ele classificou a ação dos policiais do grupo de absurda e lamentou que homens treinados, preparados e pagos pelo Estado para combater o crime tenham se tornado criminosos. “A Polícia Militar é um braço de combate da Secretaria de Segurança formada por pessoas dedicadas a combater o crime. Eu só lamento”, disse Fábio.

De acordo com o corregedor da Secretaria de Segurança Pública, Leandro Almada, as investigações ainda não terminaram, mas apontam que pessoas inocentes foram assassinadas pelo grupo. “Nós ainda não temos o número exato de vítimas, porque eles começaram a matar bem antes do final de semana sangrento e depois continuaram matando”, disse Almada, estimando que o grupo começou a matar há mais de dois anos.

Fábio Monteiro acredita que muitos desses policiais quando ingressaram na instituição já tinham a índole criminosa. Ele questiona o tempo e a formação desses policiais, se é suficiente e qual é o acompanhamento que eles têm depois que ingressam. “Os praças estão recebendo acompanhamento psicológico, tratamento mais humanizado? Isso é indispensável para o desempenho profissional de qualquer pessoa”, disse.

Motoqueiro

A polícia está apurando a existência da figura conhecida como “motoqueiro fantasma” cuja ação era divulgada por policiais militares em grupos whatsapp e nas redes sociais dos militares, sempre que um policial era alvo de violência. Nessa noite sempre aconteciam mortes a mais do que era considerado normal.

Matavam inocentes

“A policia descobriu que muitos crimes foram praticados pela facção criminosa Família do Norte (FDN) no final de semana sangrento, mas havia uma parcela de agentes da lei que infelizmente desviaram do caminho e continuaram cometendo crimes” disse o Secretário de Segurança, Sérgio Fontes.

De acordo com o corregedor, Leandro Almada , das 34 mortes ocorridas na chacina de junho, pelo menos oito são de autoria do grupo de extermínio formado por policiais militares. Além dos PMs, três cidadãos civis, cujas identidades não foram reveladas, estavam associados ao grupo.

Os policiais assassinos foram identificados a partir da forma que praticavam os crimes. Outro detalhe: Muitas vezes os policiais matavam para se apropriar das armas das vítimas ou para ficar com a droga de traficante.

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