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Manaus
OPERAÇÃO ALCATEIA

PMs acusados de integrar grupo de extermínio devem ser julgados em 2017

Até esta quarta-feira (05), a maioria das testemunhas do caso que ficou conhecido como “fim de semana sangrento”, tinham sido ouvidas 06/10/2016 às 05:00
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Em novembro de 2015, quando a operação foi deflagrada, agentes da PF cumpriram mandados prisão, busca e apreensão. Foto: Reprodução/TV A Crítica
Joana Queiroz Manaus

As audiências de instrução  dos processos oriundos da operação “Alcateia”, deflagrada  no fim do ano passado, devem voltar a acontecer na segunda quinzena deste mês, conforme informou o juiz titular da 3ª Vara do Tribunal do Júri, Mauro Antony.

Até esta quarta-feira (05), a maioria das testemunhas do caso que ficou conhecido como “fim de semana sangrento”, tinham sido ouvidas, restando  oito, além dos réus, que na maioria das vezes são ouvidos em quase todos os processos. A expectativa do magistrado é que até o fim do ano o processo já esteja pronto para entrar na pauta de julgamento do primeiro semestre de 2017.

Na última audiência, realizada no dia 22 de setembro, foram ouvidos mais de 12 denunciados - todos policiais militares  suspeitos de envolvimento na série de assassinatos ocorrida em julho do ano passado, quando 23 pessoas foram assassinadas em Manaus.

Na primeira audiência do caso, foram ouvidos os réus Dorval Junio Carneiro de Matos, Bruno Cezanne Pereira, Silvio José de Oliveira e Adson Souza de Oliveira, acusados de tentativa de homicídio contra Valdson de Jesus Ferreira, Edney de Freitas Avinte e Valberson de Jesus Ferreira. Na segunda audiência, que apura os assassinatos de Roberto César dos Santos, Emerson Lopes de Jesus e Paulo de Almeida Ramos, foram ouvidos os réus Ítalo Gutemberg Macedo Ferreira, Janilson Monteiro da Frota, Rosemberg Martins Bezerra, Rogério Pinheiro de Freitas e Bruno Cezanne Pereira. As audiências  devem ser concluídas até o fim do mês.

Dorval Júnior, Bruno Cezzane e Germano da Luz aparecem como réus na maioria dos processos por envolvimento nas mortes. Exames feitos nos projéteis encontrados em  corpos de vítimas,  no laboratório da Polícia Federal em Brasília, apontam que os tiros saíram das armas dos dois policiais.

De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado (MP-AM), as provas  técnicas contra os denunciados na  Alcateia são robustas  e mostram como agiam os policiais militares. O grupo foi denunciado por conta de 19 assassinatos e 13 tentativas de homicídios. As investigações apontam que pelo menos 24 pessoas foram vítimas do grupo de extermínio.

De acordo com o corregedor da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), Leandro Almada, os policiais presos na operação  formavam um grupo criminoso organizado que se dedicava à prática de extermínio em Manaus. “Eles matavam por qualquer motivo, até por diversão”, revelou Almada. O corregedor disse ainda que os policiais tinham conduta criminosa e para isso usavam o aparato da segurança pública, como carros, armas e outros equipamentos, acreditando que eles garantiriam a impunidade.

Leandro Almada revelou que os policiais  matavam por motivos futeis e combinavam entre si de sair para praticar homicídios, ameaças e extorsões por puro divertimento, além de roubar drogas dos criminosos para revender.

19 mortes em seis meses
As investigações apontam que o grupo assassinou ao todo 19 pessoas num espaço de seis meses, contando com as que aconteceram nos dias 17, 18 e 19 do mês de julho do ano passado, que ficou conhecido como “fim de semana sangrento”. A corregedoria da SSP-AM aponta que os policiais também matavam traficantes para roubar os entorpecentes e revendê-los.

 

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