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PMs deixam armas e algemas para arrecadar donativos e doar

Além de servir e proteger, equipes especializadas da Polícia Militar do Amazonas promovem ação solidária. Alimentos, brinquedos e roupas arrecadadas no quartel são doadas para pessoas carentes 24/12/2014 às 15:37
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O soldado Eduardo Barros é um dos que participa das ações solidárias
JOANA QUEIROZ Manaus (AM)

Fazer a felicidade de quem não está muito habituado a isso foi a forma que os policiais do batalhão Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) encontraram para mostrar que, por trás do militar que anda sempre armado e, muitas vezes, tem que usar a força, existe um ser humano que tem coração, que se emociona e ainda é solidário. 

O soldado Eduardo Barros, 28, é um “típico exemplar” do batalhão de policiais que, mais do que garantir a segurança, ajudam a fazer a alegria de quem mal conhecem, seja por meio das doações de alimentos, brinquedos e roupas arrecadadas no quartel ou mesmo por um simples gesto de carinho e pelo tempo que dedicam às ações que promovem em comunidades carentes.

Depois que participou de uma ação beneficente pela primeira vez, Barros contou que voltou de lá realizado pessoalmente por ter conseguido ajudar muitas crianças e decidido a continuar ajudando. “Lembrei do meu filho e isso mexeu comigo”, disse o soldado.

Durante o ano todo, Barros e os colegas da Rocam aproveitam as reuniões dos militares, principalmente as “peladas”, para arrecadar alimentos não perecíveis, brinquedos, roupas e fraldas. Quando chega o Dia das Crianças e o Natal, todo o material arrecadado é levado para abrigos e orfanatos. Para Barros, a recompensa está em ver rosto de cada criança, com um largo sorriso nos lábios.

O soldado revelou que ele e os colegas ficam aguardando o dia do futebol que, mais do que um momento de confraternização, passou a ser sinônimo de solidariedade. Quem comparece sempre leva uma doação, seja alimento, um pacote de fralda ou brinquedo. “Me sinto uma pessoa melhor quando ajudo alguém. Quando estou trabalhando vivo situações que são comoventes e tenho realizações que não têm preço. É emocionante e recompensador fazer outra pessoa feliz”, disse.

Gerações unidas

Segundo o comandante da Rocam, Agnelo Batista de Lima Júnior, as peladas acontecem semanalmente, sempre no final do expediente, e contam com a participação dos ex-rocanianos e dos atuais militares.

Durante as partidas, os policiais extravasam a tensão do dia a dia e é um momento de confraternização. “Aproveitamos esse momento também para dividir um pouco do que temos com quem não tem quase nada”, disse Lima Júnior.

Voluntariado

As programações e as doações são voluntárias e já fazem parte da rotina dos policiais “rocanianos”, segundo o comandante da Rocam, Agnelo Batista de Lima Júnior. “Para nós é muito prazeroso ajudar, principalmente tratando-se de crianças”, declarou.

O orfanato Lar Batista  Janel Dolly, no bairro Mauazinho, Zona Leste,  e o abrigo Moacir Alves no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste, foram beneficiados este ano pela solidariedade dos policiais da Rocam.

Conforme o comandante, tudo que é arrecadado nos primeiros meses do ano é entregue no Dia das Crianças. Já as doações que chegam depois dessa data são destinadas ao Natal. Os policiais também doam dinheiro, que é usado para comprar alimentos perecíveis.

O comandante destacou a importância da ação para a tropa que, segundo ele, além de ser um trabalho que é feito em equipe, também aproxima mais a polícia da comunidade. “Essa aproximação gera a confiança da população na polícia e o resultado é sempre positivo”.

Benfeitores

O comandante do Comando de Policiamento Especial (CPE), tenente-coronel Cleitiman Oliveira, disse que, além da Rocam, outras unidades do CPE como o Choque, Canil e Coe também realizam ações de solidariedade para a população carente.

As ações acontecem o ano todo e são uma forma de ajudar o próximo. “Muitas vezes há quem pense que só trabalhamos com a repressão aos crimes, mas por trás desse policial está um pai de família que tem o mesmo sentimento que qualquer ser humano”, disse Cleitiman.

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