Publicidade
Manaus
Manaus

PMs do ‘Ronda Maria da Penha’ unem sensibilidade feminina e rigor policial em Manaus

Bem vestidas e com cabelo impecável, policiais desmistificam tabus da profissão e se diferenciam dos demais PMs com braçadeiras cor de rosa. Nos primeiros dez dias do programa, 60 mulheres receberam atendimento em residências 25/10/2014 às 19:22
Show 1
Profissionais são treinadas para lidar com vítimas de agressão doméstica
JOANA QUEIROZ Manaus (AM)

Esposas, mães, filhas, namoradas. Todas as mulheres e policiais militares que cumprem, diariamente, a missão de garantir a segurança da população, há muito invadiram esse universo historicamente masculino e dão um “toque feminino” à rotina de perseguir bandidos, sem perder o charme e a elegância, nem deixar borrar a maquiagem. Agora, elas passam a proteger outras mulheres de seus próprios companheiros.

Essas são as mulheres que integram o programa policial Ronda Maria da Penha, que está funcionando em caráter experimental em alguns bairros da Zona Leste, com a aprovação do público feminino. Sempre bem arrumadas, maquiadas e com o cabelo “impecável,” as policiais do Ronda no Maria da Penha são diferenciadas das demais militares pelas braçadeiras cor de rosa com o nome do programa. Mas não é só o tom da braçadeira que faz delas um pelotão especial. O treinamento que elas receberam para lidar com as mulheres vítimas de agressão, normalmente já fragilizadas, é outro diferencial.

A subcomandante do programa, tenente Hellen Keuren Siqueira, contou que 11 policiais militares estão trabalhando no programa. Sete são mulheres treinadas para realizar visitas a mulheres vítimas de violência doméstica. Diariamente, elas se deparam com o próprio agressor, que apesar dos “olhares atravessados”, respeitam a farda e a braçadeira cor de rosa.

“Nós temos de nos despir de todo julgamento de valor e fazer cumprir a lei, mas a gente fica revoltada de ver uma mulher numa situação dessa”, diz a comandante ao lembrar que, muitas vezes, as policiais precisam superar a revolta de ver mulheres, como elas, sendo agredidas pelos companheiros, e agir profissionalmente.

De acordo com a tenente, o trabalho que as policiais realizam no programa Ronda Maria da Penha se dá por meio da integração dos órgãos de segurança, do Ministério Público e do Judiciário e tem o objetivo de resguardar mulheres que estão vivendo sob medida protetiva, quando o juiz determina o afastamento do agressor.

Hellen, que é noiva e está prestes a se casar, afirma que lidar com casos de violência contra a mulher é complicado, mas diante das situações que enfrentam no dia a dia, elas têm que fazer cumprir a lei. Os exemplos ruins, acredita, devem ficar apenas na rotina policial. Em casa, ela diz ser bem tratada, como toda mulher deveria ser, e serve de exemplo para aquelas que enfrentam problemas no relacionamento, mas não conseguem denunciar o companheiro. “É necessário tomar uma atitude”, alerta.

Acompanhamentos

Nos primeiros dez dias do programa, 60 mulheres receberam atendimento em casa e a maioria não registrou novos problemas com os agressores, segundo a tenente Hellen Siqueira, subcomandante do Ronda Maria da Penha. As policiais vão às casas das vítimas e conversam com elas.

“Nós oferecemos a proteção às mulheres por meio de visitas comunitárias. A Polícia Civil nos encaminha as medidas protetivas expedidas pelo juiz e nós verificamos o nível de urgência e vamos visitar essas mulheres”, explicou a tenente.

De acordo com a tenente, depois do programa só foi registrado um caso que resultou em flagrante. O agressor estava na casa, descontrolado. Foram feitos dois pedidos de prisão preventiva porque as vítimas estavam vulneráveis.

As policiais também informam os direitos que as mulheres têm, explicam que ela não vai perder a casa se tiver que sair, que tem um lugar para ela ficar temporariamente quando for um caso sério - um abrigo cujo endereço é sigiloso - e ainda que ela tem direito a acompanhamento psicológico e social. Outra ação é o encaminhamento delas para cursos profissionalizantes.

Publicidade
Publicidade