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PMs que deixaram adolescente paraplégico, em Manaus, foram proibidos de usar armas e viaturas

Os dois policiais militares investigados por terem baleado o garoto durante uma abordagem não estão presos, apenas afastados das ruas. Nesta terça (13), mãe da vítima formalizou denúncia na Corregedoria do Sistema de Segurança Pública 13/01/2015 às 16:53
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Após atirarem no adolescente, policiais colocaram o garoto na viatura, em vez de acionar o Samu
acritica.com Manaus (AM)

ASSISTA AQUI O VÍDEO 

Os policiais militares denunciados por terem atirado em um adolescente de 17 anos durante uma abordagem policial na Zona Leste de Manaus, no último domingo (11) e deixado o garoto paraplégico, estão de "castigo" na 25ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), onde são lotados. Os militares, que estão sendo investigados pela Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública do Estado do Amazonas e pela própria Polícia Militar, não foram presos, apenas proibidos de pegar em armas ou sair nas viaturas policiais.

Três policiais militares foram denunciados por terem atirado no adolescente, sem motivo aparente, no bairro Coroado 2, na Zona Leste da capital. O adolescente ficou com a bala alojada na coluna e perdeu os movimentos das pernas. De acordo com o corregedor-auxiliar da Polícia Militar do Amazonas, coronel Euler Cordeiro, apenas dois policiais militares estavam envolvidos na ocorrência e o atirador já foi identificado. O nome dele não foi revelado, assim como o histórico dos militares denunciados.

O caso está sendo investigado pelo Departamento de Justiça e Disciplina do Comando da PM, que tem de 40 a 60 dias para apresentar o relatório final. Somente depois disso, caso a denúncia seja confirmada, o comandante da PM vai definir qual será a punição para os policiais, que pode chegar à expulsão.

Denúncia

A mãe do adolescente foi à Corregedoria da SSP, na manhã desta terça-feira (13), para prestar depoimento e oficializar a denúncia contra os militares. Néia de Oliveira Cruz, 45, reafirmou a versão de que o filho fora vítima de uma abordagem malsucedida por parte dos policiais da 25ª Cicom.

"Fui informada que os policiais já foram identificados e que as investigações já começaram, mas eu precisava vir aqui para prestar meu depoimento, dar minha versão. Agora espero que eles sejam punidos", cobrou.


Relatos

Segundo moradores, era por volta das 17h de domingo (11) quando uma viatura apareceu na rua Flávio Costa, no Coroado. O adolescente e outros dois amigos estariam em um lanche quando avistaram a guarnição e saíram correndo. “Os policiais desceram do carro com as armas em punho e já começaram a atirar. Um dos tiros acertou a costa do menino”, disse uma vizinha que preferiu não se identificar por medo de represálias.

Parte da ação dos policiais foi filmada por moradores da área e enviada à reportagem de A CRÍTICA. Em um dos vídeos é possível verificar o rapaz estirado no chão, pedindo socorro. Em outro momento, um dos policiais pede ajuda de um outro morador, levanta o garoto e o coloca dentro da viatura. Para a família, os policiais omitiram socorro ao adolescente, já que nenhuma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionada.

O rapaz foi internado no Hospital de Pronto Socorro João Lúcio, na Zona Leste. A mãe da vítima informou que os médicos confirmaram que o rapaz deve ficar paraplégico. “Jogaram ele na viatura como se ele fosse um cachorro e ainda tentaram incriminá-lo. Mas eu vou abrir um processo contra esses policiais e exigir uma indenização do Estado”, afirmou ela.



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