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Manaus
INVESTIGAÇÃO

Polícia Civil vai prorrogar inquérito de desembargador suspeito de abusar de neta

Denúncia foi feita pela própria adolescente ao Ministério Público do Amazonas no mês passado. Desembargador aposentado Rafael Romano nega todas as acusações 27/03/2018 às 06:46
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Foto: Jair Araújo
Joana Queiroz Manaus (AM)

A delegada titular da Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), Juliana Tuma, vai pedir à Justiça mais 30 dias para concluir o inquérito que investiga a denúncia contra o desembargador aposentado, Rafael Romano, 73, por abuso sexual contra a neta, uma adolescente de 15 anos. A denúncia foi feita pela própria adolescente ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), no mês passado. Romano nega todas as acusações.

Conforme a delegada, o pedido de prorrogação é porque ainda faltam cumprir algumas diligências consideradas essenciais no inquérito. “Estamos trabalhando nessa investigação como trabalhamos em outras, mas o caso é um pouco mais complexo”, disse.

Juliana Tuma informou que até ontem o desembargador aposentado ainda não havia sido chamado para ser ouvido no inquérito, mas que dentro desses 30 dias ele será convocado. Ela não informou o dia, já que, de acordo com ela, as investigações correm em segredo de justiça, como determina a lei.

Sobre as influências das manifestações que a mãe da adolescente, Luciane Pires, tem realizado na capital, a delegada sustentou que as investigações estão ocorrendo da mesma maneira que as demais que acontecem naquela delegacia.

Na semana passada, o movimento #JustiçapelaMaria/Grito de Justiça mobilizou diversas pessoas entre as avenidas André Araújo e Umberto Calderaro Filho, na Zona Centro-Sul. Durante o ato, houve distribuição de camisas e adesivação de veículos visando alertar a sociedade para o caso

Denúncias

Segundo a denúncia e a mãe da vítima, os abusos contra a filha começaram quando ela estava prestes a completar oito anos e teve que passar uma temporada na casa dos avós paternos porque a mãe viajou para cuidar da avó materna, em tratamento de saúde. O último abuso, diz Luciana, ocorreu quando a garota já tinha 14 anos. 

“Ela disse que desde que ‘ela se entende’ o avô ‘passa a mão’ nela. No banheiro, ele que limpava as partes íntimas e ela me disse que sempre desconfiou porque ele demorava muito fazendo isso. No primeiro caso que ela percebeu o abuso, estava sentada em uma cadeira de balanço no quarto dele, que começou a ‘alisar’ as pernas dela até chegar a calcinha. Ainda no mesmo dia ele (Rafael) dormiu com ela no quarto e continuou durante muito tempo até que os abusos se tornaram maiores”, relatou a mãe.

Desembargador nega

Desde o dia que fez a denúncia no MP-AM, Luciana Pires  vem realizando manifestações na cidade para pedir que a justiça seja feita. O desembargador Rafael Romano, 73,  que se manifestou por meio de advogados, nega todas as acusações.

O desembargador aposentado também atuou três décadas como juiz da Vara da Infância e da Juventude, sempre foi considerado um magistrado exemplar e não recai sobre ele nenhuma acusação anterior de crimes de qualquer natureza. Ele entrou para a Magistratura em 1977, se destacando por uma atuação rigorosa contra crimes sexuais, até ser promovido a desembargador em 2008 pelo critério de antiguidade.

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