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Manaus
Depoimento

Polícia Federal ouve suspeitos de participarem de tráfico de pessoas na capital

Operação “Salve Jorge” investiga a ida de mulheres amazonenses para a Ásia para fins de exploração sexual 30/07/2016 às 13:50 - Atualizado em 30/07/2016 às 13:51
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Além de chamar os amazonenses para trabalhos sexuais, os suspeitos ainda usam o nome da PF, dizem os delegados / Foto: Márcio Silva
Joana Queiroz Manaus (AM)

A suspeita de que jovens amazonenses estavam sendo aliciadas para fins de exploração sexual em países asiáticos levou a Polícia Federal a deflagrar, na manhã de ontem, a operação “Salve Jorge”, com o objetivo de desarticular a organização criminosa e que tinha a participação de empresários coreanos que financiavam os custos da viagem. Na última sexta-feira (29), os agentes federais deram cumprimento a cinco mandados de busca e apreensão e cinco de condução coercitiva.

Dentre os envolvidos  estava o responsável da empresa Brazil Amazon Shows, Hudson Barros. Girlan Araújo e Caroline Hermes também foram levados à superintendência da Polícia Federal, onde foram ouvidas em depoimento e depois liberadas, conforme informou a delegada da Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal, Jeane Silvestreli Fureti.

Conforme Fureti, as investigações começaram há quatro meses, a partir da denúncia da mãe de uma dançarina que foi escolhida para compor o grupo que ia ser levado inicialmente à China para exibições de danças típicas amazonenses e descobriu-se que a viagem seria para a Coreia do Sul.

Na promessa oferecida aos dançarinos, estão incluídas passagens aéreas, visto, alimentação, moradia e ainda salário mensal de R$ 3  mil.

Para o superintendente da Polícia Federal, Marcelo Resende, confirmou que o foco principal da investigação era a empresa especializada na promoção de eventos na China e na Coreia, e que promovia a saída de mulheres amazonenses sob o pretexto de exibição de costumes, tradições e danças regionais nos países asiáticos. 

Resende ressaltou que  as investigações mostraram que nessas propostas de trabalho tinha enfoque sexual. “As investigações ainda estão em curso, estamos buscando mais elementos para aprofundar as investigações e essa operação é a primeira fase”, disse o superintendente.

Os anúncios de recrutamento dos jovens foi veiculado em redes sociais utilizando o nome da Polícia Federal como órgão validador dos contratos de trabalho e visto, a fim de ludibriar os dançarinos dando a aparência de legalidade.

Com base nos anúncios veiculados pelas redes sociais do pessoal que recrutava as dançarinas, a polícia verificou a empresa recrutava jovens com alguns requisitos, o principal deles, que a pessoa tinha que ser bonita, altura mínima para as mulheres de 1,65m e para homens 1,70m. Saber dançar não era a principal exigência.  

Prática de exploração sexual acontece desde 2004

De acordo com a a delegada da Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal, Jeane Silvestreli Fureti, no decorrer das investigações ficou comprovada que o esquema de recrutamento de jovens para a China e Coreia do Sul se trata de uma organização criminosa. “São várias pessoas planejando a viagem voltada para o tráfico internacional de pessoas, para fins sexuais. Temos o depoimento de várias pessoas que iam nessa viajem relatando que era falado abertamente que se a pessoas quisesse poderia se prostituir, que  o caracteriza crime”, explicou.

As viagens deveriam durar pelo menos quatro meses.  A polícia está investigando outros grupos do Amazonas que levam as dançarinas para a Ásia, uma das intenções dos investigados era reter os passaportes das dançarinas para obrigá-las a viajarem com o grupo deles.  A prática acontece desde 2004.

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