Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
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Polícia Federal reforça número de delegados para combate à corrupção no Amazonas

Novos desdobramentos da operação Maus Caminhos, que investiga desvios milionários na Saúde no Estado, devem acontecer ao longo deste ano.



PF00.JPG (Foto: Jair Araújo)
01/01/2018 às 18:28

As investigações iniciadas pela operação “Maus Caminhos” terão ainda mais desdobramentos este ano. O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Silva Saraiva, revelou com exclusividade ao A CRÍTICA que já designou mais delegados para auxiliarem nas investigações e que sacrificou pessoal das áreas administrativas para concentrar o foco na setor de combate à corrupção. 

Saraiva assumiu a superintendência  há dois meses, período em que foram deflagradas as operações “Custo Político” e “Estado de Emergência”, desdobramentos da “Maus Caminhos” que colocaram atrás das grades ex-secretários de Estado e o ex-governador José Melo. 

“No começo das investigações era como se a gente estivesse olhando um quarto pelo buraco da fechadura. Sabíamos que havia muitas pessoas e coisas lá dentro. Agora já entramos nesse quarto, estamos revirando tudo e tem muita coisa para ser analisada”, revelou o superintendente sobre a investigação que resultou na operação “Maus Caminhos”, deflagrada em setembro de 2016, que desarticulou um esquema de desvio de R$ 110 milhões da saúde do Amazonas.

Luxo inexplicável

Para o superintendente, não há dúvidas que ainda há muito dinheiro desviado da saúde e também da educação em poder dos corruptos. Ele disse que isso fica muito claro quando se observa o padrão de vida altíssimo que os investigados têm, incompatível com o salário de servidores públicos.

“Durante as investigações, vamos ver se esses bens que eles possuem foram conseguidos com o dinheiro público. Sabemos que tem um imóvel que foi substancialmente valorizado com o uso do dinheiro público que foi o caso do sítio no Rio Preto da Eva”, disse, em referência a um imóvel de propriedade do ex-governador José Melo. 

Conforme Alexandre Saraiva, o ramal que dá acesso ao sítio é o único daquela área que tem asfalto: “O ramal tem 22 quilômetros asfaltado e no final dele está uma casa nababesca com vários compartimentos e várias outras casas de primeiro padrão. Isso é um deboche”.  

O superintendente revelou que nessas novas fases da operação, deflagradas em dezembro do ano passado, já foram apreendidos cerca de R$ 400 mil em dinheiro vivo.  Segundo ele, muita coisa foi apreendida e ainda passará por análise da PF.  “Muitos celulares que a polícia tem que quebrar a senha e isso dá muito trabalho”, exemplificou. 

No curso das operações, foram apreendidos também carros de luxo, obras de arte e até uma aeronave. O bloqueio de bens e valores determinado pela Justiça soma R$ 67 milhões. “Não parou por aqui, vamos olhar tudo. Não vai parar por aqui não”, anunciou.

O estopim
Deflagrada em setembro de 2016, a operação “Maus Caminhos” tinha como alvo desbaratar uma organização criminosa que usava o Instituto Novos Caminhos para desviar recursos públicos da saúde.  Prendeu, inicialmente, 16 pessoas e  o médico  Mouhamad Moustafa, apontado como o líder do grupo.

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