Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
Manaus

Polícia investiga milícias no Centro de Manaus

Atuação de grupos armados que cobram entre R$3 e R$5 ao dia pode ser paralisada por conta de transferência de delegado



1.gif Além da segurança, grupos também cobram pela “autorização” para comercialização de produtos pirateados, segundo investigação de policiais do 24º DIP
06/05/2013 às 07:07

Uma investigação que vem sendo desenvolvida há três meses revelou que a polícia pode estar diante de um grupo de vigilância clandestina que vem atuando no Centro de Manaus e nas dependências do Terminal 1, na avenida Constantino Nery, Zona Sul. 

O grupo, que seria formado por homens armados - supostos milicianos - impõe lei própria e cobra uma espécie de “taxa” para permitir que camelôs comercializem produtos piratas. Além do serviço de segurança prestado de forma ilegal aos camelôs, a atividade se estende aos banqueiros do “jogo do bicho” que atuam no Centro. 

As denúncias apuradas pela reportagem de A CRÍTICA são de conhecimento da polícia que nos últimos meses passou a atuar de forma intensa, o que resultou na apreensão de mais de 25 toneladas de produtos falsificados, incluindo medicamentos fitoterápicos, CDs e DVDs, além de 30 máquinas caça-níqueis. Entretanto, as investidas policiais e todo processo investigativo de combate ao comercio ilícito no Centro foi colocado em xeque na tarde da última quinta-feira. Um comunicado que chegou ao gabinete do delegado titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Geraldo Magella, que estava conduzindo as investigações, oficializou a sua transferência para uma outra unidade policial, que ainda não foi informada.

De acordo com informações daquele distrito policial (24º DIP), a transferência do delegado seria uma retaliação às ações que ele vinha comandando. A última foi uma apreensão de 35 mil CDs e DVDs piratas na região da Praça Tenreiro Aranha, no Centro. Geraldo Magella não soube informar se as operações programadas para os próximos dias, que visam o combate às atividades ilegais, terão prosseguimento. “Não sei porque houve essa interrupção. Estávamos com o trabalho em curso e próximo de realizarmos um grande feito”, declarou o delegado.

Entre as investigações em curso está a ação que visa desmantelar a quadrilha que atua na produção ilegal de CDs e DVDs, processo feito por uma “pirâmide”, uma espécie de máquina que faz a produção em escala das mídias audiovisuais.

De acordo com o delegado Geraldo Magella o documento encaminhando a transferência informa que ele ficará como delegado titular do 24º DIP até hoje.

‘Máfias’ estão sendo investigadas

No último mês, A CRÍTICA publicou em duas edições as ameaças de morte feitas pelas máfias que atuam no Centro ao secretário-extraordinário de Requalificação do Centro de Manaus, Rafael Lemos Assayag, responsável pela retirada dos camelôs e reestruturação da área central, cujas organizações são contra a mudança e querem impedi-la. Conforme as denúncias feitas à PF, as máfias chinesa, coreana e peruana exploram o comércio ilegal de bancas de camelôs na região. As organizações também fazem, conforme Artur, agiotagem e cobram 15% de juros por dia dos comerciantes informais.

O superintendente da Polícia Federal, delegado Sérgio Fontes, chegou a dizer que a presença de estrangeiros coreanos, chineses, peruanos e até haitianos, no comércio informal no Centro, é uma realidade, mas que ainda não seria possível afirmar a existência de máfias. “Ainda não há indícios, apenas suspeitas e que nós estamos investigando”, disse Fontes, na época.

De acordo com o delegado Geraldo Magella, conforme diálogos que ele teve com representantes da Prefeitura, as bancas de camelôs serão retiradas das calçadas do Centro até o final do ano.

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