Sábado, 11 de Julho de 2020
ARSENAL

Polícia tirou em média 7 armas das mãos de criminosos por dia em Manaus

Os números são somente do primeiro semestre de 2019. As apreensões foram feitas principalmente pela Força Tática e pela Rocam



jander_DCEFE341-3B18-46B6-822C-59C7CF2D7876.JPG Foto: Jander Robson
02/08/2019 às 21:03

Uma média de sete armas irregulares foi retirada por dia de circulação em Manaus só no primeiro semestre deste ano. O número, divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-AM), é referente às apreensões feitas principalmente pela Força Tática (FT) e Rondas Ostensivas Cândido  Mariano (Rocam). De acordo com o órgão, foram apreendidas 1.229 armas, quantidade superior ao ano passado no mesmo período.

O que mais chama a atenção da polícia é que, neste semestre, aumentou também a quantidade de armas não muito comuns, como fuzis e metralhadoras, consideradas armas de guerra. Nesse primeiro semestre, foram três fuzis, 12 submetralhadoras, seguido de 29 rifles e sete carabinas.  O revólver ainda é o mais apreendido: foram 384, além de 239 pistolas, e 161 espingardas. As armas artesanais somaram 137.



De acordo com o comandante do Comando de Policiamento Especializado (CPE), coronel Bruno Azevedo as apreensões são frutos de ocorrências atendidas, na maioria das vezes resultado de denúncias ou investigações. Segundo ele, o  crime está armado, motivado pelas disputas de território e pelo domínio das rotas do tráfico de droga.

O comandante afirma que criminosos estão usando armas que a polícia do Amazonas ainda não tem. “Elas entram por meio do mercado negro e são usadas pelos narcotraficantes para garantir o transporte de remessas de droga, as bocas de fumo e ainda a área de atuação e acabam ficando aqui”, disse.

As investigações feitas pela polícia mostram que, quanto mais armas de grosso calibre o arsenal das organizações criminosas tiverem, maior é a demonstração de poder delas, que possuem uma pessoa de confiança só para guardar e cuidar dos armamentos, o chamado armeiro. As armas só saem quando é para serem usadas em confronto ou para eliminar um concorrente.

Valiosas

O  delegado aposentado de Polícia Federal Mauro Spósito afirma que o mercado negro de armas é grande e movimenta muito dinheiro. Uma metralhadora está custando em média US$ 10 mil, o fuzil vai de US$ 5 a US$ 19 mil. Muitos desses fuzis são das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc-EP) e outros são da Venezuela, dos milicianos do presidente Nicolás Maduro. “O Maduro distribuiu 1,5 mil do modelo AK-47 e, num país de miséria, muitos estão vendendo”, disse Spósito.

Conforme ele, quando os criminosos vendem droga para fora sempre vem uma arma de fogo como parte do pagamento. Para Spósito, as armas também entram pelas fronteiras. “As escopetas calibre 12 são vendidas livremente na Colômbia”, disse.

Armas vão para a Justiça

Depois que as armas são apreendidas nas ruas, elas são levadas para a delegacia, onde é instaurado inquérito policial. Da delegacia, os armamentos apreendidos são encaminhados para o Instituto de Criminalística Lorena dos Santos Baptista (IC-LSB), vinculado ao Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), onde são submetidos a exame pericial, e, depois, são encaminhadas à Justiça como peças do inquérito junto com o laudo pericial.

E é na Justiça que o aumento de armas apreendidas pode ser constatado. Na movimentação no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), para onde a polícia as encaminha como prova de inquéritos, no primeiro semestre, 876 armas deram entrada no depósito público de Fórum Henoch Reis.

Entre as armas encaminhadas à Justiça que deram entrada no depósito estão 240 pistolas, três fuzis e sete submetralhadoras. Elas devem permanecer no depósito até que o processo seja transitado em julgado, depois elas são catalogadas e encaminhadas ao Exército Brasileiro para serem destruídas.

Neste ano o TJ-AM encaminhou ao Exército 746 armas de fogo para serem destruídas. No ano passado, o tribunal encaminhou 3.670 armas de fogo, entre revólveres, metralhadoras e fuzis.

De acordo com o diretor do depósito público do Fórum Henoch Reis, Sidney Lavel, as armas eram peças de processos. Conforme Sidney Lavel, as armas vêm de todos os municípios e chegam à Justiça como peças de inquérito criminais. Por mês, uma média de 100 armas dão entrada no depósito do fórum para serem catalogadas e encaminhadas à destruição.

Armas de guerra com traficante

O balanço das apreensões do mês de julho da Força Tática e Rocam somou 98 armas, uma média de 3,1 por dia. A Força Tática apreendeu 46 e Rocam, 52. Muitas dessas armas foram apreendidas em operações de repressão aos confrontos entre as facções Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN).

No domingo, policiais da Rocam apreenderam o arsenal de armas do criminoso Gerry Leverton Miranda Costa. No arsenal estavam dois fuzis americanos fabricados especificamente para guerra na selva no Vietnã, um modelo AR-15 e outro M130, além de uma espingarda automática calibre 12 e uma pistola calibre 380, e ainda 342 munições.

 A polícia ainda não tem ideia onde Gerry conseguiu essas armas e o que ele pretendia fazer com elas. Não se descarta a intenção dele fazer uma ação para proteger a sua área de tráfico.

Repórter de A Crítica

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