Publicidade
Manaus
Manaus

Policiais militares presos junto com um delegado e um ex-PM serão expulsos

Eles, que foram presos na última quarta-feira (9), deverão engrossar a lista de policiais que foram expulsos da Polícia Militar por envolvimento com o crime; número chega atualmente a 65 apenas na atual gesrão. A maioria já respondia a processo 12/10/2013 às 19:47
Show 1
Os seis militares foram presos na operação denominada de “Tribunal de Rua”, deflagrada na quarta-feira
Joana Queiroz Manaus, AM

O sargento da Polícia Militar (PM) Eimar Magalhães Ribeiro, o cabo PM José Samuel Spener e os soldados Ronaldo Bacuri Machado, Nadison de Souza Miranda, Donato Paz da Silva e Williame de Souza Castro poderão ser exonerados da corporação, segundo informou o comandante da Polícia Militar do Amazonas, coronel Almir David.

Eles deverão engrossar a lista de policiais que foram expulsos da Polícia Militar  por envolvimento com o crime. Só na gestão do atual comandante-geral da Polícia Militar, 65 militares foram colocados nas ruas. “Nós já determinamos que fosse aberto o processo de justificação  para todos eles, já que os mesmos possuem estabilidade, estão há mais de dez anos na Polícia Militar”.

Os seis militares foram presos na operação denominada de “Tribunal de Rua”, deflagrada na quarta-feira (9) pela Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai) e Secretaria de Segurança Pública (SSP), que prendeu também o delegado Oscar Cardoso e o ex-PM Wanderlan Fernandes, sob acusação dos crimes de extorsão, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

O comandante informou  que o processo de justificação é instaurado para militares com mais de dez anos atuando na corporação, onde o investigado passa por uma avaliação de um conselho que é formado por oficiais. E são esses oficiais que decidem se o militar tem ou não condições de permanecer na corporação . Esse procedimento ocorre independente do processo criminal e, segundo David,  atualmente, esses procedimentos estão mais céleres.

Exonerações

No ano passado foram exonerados 42 militares e, este ano, já foram 23. Segundo o comandante, o número de exonerados diminuiu em comparação com anos anteriores. Ele atribui o fato às medidas que foram adotadas, uma delas foi reforçar, junto a comandantes de área, a responsabilidade pela disciplina dos comandados. O comandante poderá ser responsabilizado caso não tome nenhuma providência diante da de um desvio de conduta de alguém.

Entre medidas que o comandante diz ter tomado está a revitalização da Diretoria de Justiça e Disciplina  e a criação  do Policiamento Disciplinar Ostensivo  (PDO) em cada Comando de Policiamento de Área (CPA), onde são escolhidos, entre os policiais, aqueles que têm melhor desempenho para fiscalizar os outros.  O objetivo das medidas, segundo o comandante, é fortalecer a disciplina, melhorar  a fiscalização e agilizar os procedimentos.

Segundo o comandante-geral, a exoneração dos militares foi motivada  por envolvimento com o crime e a medida é a única resposta para os policiais que deveriam combater o crime organizado, mas acabam se envolvendo com ele.

Apesar das medidas adotadas pelo Comando da PM, a maioria dos policiais que são exonerados conseguem retornar sob força de liminares concedidas pela Justiça, informou David.

Maioria já respondia a processos

No caso dos policias presos na operação “Tribunal de Rua”, a maioria já responde a processos na Justiça por homicídio, porte ilegal de armas e abuso de autoridade.

Donato é o único que tinha ficha limpa. Eimar, Nadson e Ronaldo Bacury respondem por tentativa de homicídio, William por lesão corporal, porte de armas e crimes militares, Samuel responde por homicídio e crimes militares. Nadson responde por crimes militares na 3ª Vara do Tribunal do Júri e na Vara de Acidente de Trânsito.

Segundo as investigações feitas pela Seai, o grupo praticava crime de extorsão  contra traficantes e tráfico de drogas. Imagens, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, além de depoimentos de vítimas e testemunhas serviram de base para a representação do pedido de prisão preventiva. As investigações duraram mais de quatro meses e tiveram início após denúncias feitas por um casal que foi extorquido em R$ 55 mil pelo grupo.

Saiba mais

Na casa dos policiais envolvidos no crime, foram apreendidos 26 celulares, sete pistolas, 211 munições, duas máquinas fotográficas, além de cinco carros, entre eles um Honda Civic de cor prata que estava com restrição por roubo e uso de placa falsa, um computador, dez pen-drives, dois chips de celular, coletes balísticos e mais de R$ 1 mil em notas falsificadas

Segundo as investigações, o delegado Oscar Cardos utilizava a estrutura da polícia para fazer abordagens e extorquir as vítimas.

Publicidade
Publicidade