Domingo, 08 de Dezembro de 2019
Manaus

Policiais presos na Operação Alcatéia matavam para se divertir e roubar drogas de traficantes

A operação deflagrada pela PF, MPE e SSP desarticulou um grupo de extermínio formado por policiais militares, apontados como responsáveis por mais da metade das 34 mortes registradas em chacina de julho deste ano. A ação da quadrilha, no entanto, teve início antes desta data, e continuou até recentemente



1.jpg Operação Alcatéia, deflagrada nesta sexta-feira, 'caça' policiais militares corruptos e homicidas
18/12/2015 às 12:08

Durante coletiva de imprensa para falar sobre a Operação Alcatéia, deflagrada na manhã desta sexta-feira (27) em conjunto pela Polícia Federal (PF), Ministério Público do Amazonas (MPE-AM) e Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) contra um grupo de extermínio formando por policiais militares, Leandro Almada, corregedor-geral da SSP e responsável por conduzir a força-tarefa nesta operação, revelou que os PMs matavam por qualquer motivo fútil.

De acordo com Almada, os policiais combinavam entre si de sair para praticar homicídios, ameaças e extorsões por puro divertimento. Outro motivo para os crimes era droga: os policiais são acusados de matar traficantes para roubar os entorpecentes e revendê-los, a lucro próprio. 



Segundo informou o MPE, os trabalhos tiveram início logo após a série de homicídios ocorrida no período de 17 a 19 de julho de 2015, que ficou conhecido como "final de semana sangrento", ocasião em que 34 pessoas foram mortas em Manaus.

Suspeita-se que mais de metade dessas mortes, 18 ao todo, teriam sido praticadas em atividades típicas de extermínio. O corregedor também declarou que outras execuções praticadas pela quadrilha aconteceram antes e depois deste fim de semana.

Confirmada a suspeita, a força-tarefa iniciou as investigações, tendo conseguido identificar 15 suspeitos de envolvimento em homicídios consumados e tentados ocorridos após esta data, já que alguns dos policiais do grupo investigado continuaram a praticar crimes, como foi detectado durante as investigações. 

No total, estão sendo investigados dez crimes de homicídio consumado e 12 tentativas de homicídio, todos cometidos desde o dia 17 de julho de 2015.

Durante as investigações, foram identificados 12 policiais militares suspeitos de envolvimento com a atividade de extermínio, além de 3 cidadãos civis associados ao grupo, e foram cumpridos 15 mandados de prisão temporária pelo prazo inicial de 30 dias, além de 16 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Dr. Mário Moraes Antony, juiz de direito da 3ª Vara do Tribunal do Júri.

Ao todo, 13 armas de fogo foram apreendidas, sendo cinco PT.40, duas 380, cinco 38 e uma escopeta calibre 12, além de uma pistola de choque não letal. Além da motocicleta, outros cinco veículos também foram confiscados, e cerca de 1 quilo de droga foi encontrado com os suspeitos.

Os presos serão interrogados e posteriormente conduzidos para o presídio militar da PM, o Batalhão de Guarda da corporação, onde ficarão à disposição do Tribunal do Júri.

Defesa

O presidente da Associação dos Policiais Militares do Amazonas (Apeam), Gerson Feitosa, disse que colocou dez advogados para trabalhar na defesa dos associados e que os mesmos já estão trabalhando na formulação da defesa deles. Segundo ele, ainda hoje a associação vai entrar com pedido de relaxamento da prisão temporária. 

A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Amazonas também manifestou apoio aos PMs detidos, e se comprometeu em fornecer a ajuda de mais três advogados para ajudar na defesa dos policiais.


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