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Manaus
ARMAS E DROGAS

Policial civil revela que agentes ganham para permitir entrada de ilícitos nos presídios

Segundo denunciante, agentes cobram R$ 200 para passar celulares, até R$ 1 mil liberar armas de fogo e R$ 10 mil para um quilo de droga 11/01/2017 às 15:32
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(Foto: Divulgação)
Fábio Oliveira Manaus (AM)

Um policial civil em anonimato disse ontem (10) à reportagem que a entrada de armas, drogas e celulares em presídios do Amazonas é feita pelos próprios agentes de socialização. Com o nome mantido em sigilo, o policial civil relatou que os agentes cobram R$ 200 para colocar celulares para dentro da unidade e até R$ 1 mil liberar armas de fogo. 

O lucro dos agentes, de acordo com o policial civil, é maior quando o assunto é droga. “Um quilo pra dentro do presídio pode custar até R$ 10 mil, dependendo do traficante”, afirmou. De acordo com uma fonte da Polícia Civil, os agentes são ameaçados de morte caso não repassem os objetos. As ameaças são estendidas até aos familiares deles.

Entre os objetos mais encontrados durante revistas nos presídios estão facas, estoques e drogas. As facas encontradas são adquiridas também nas cozinhas. Detentos com bom comportamento são responsáveis pelo manuseio das facas, e os estoques, segundo a fonte, são feitos de forma artesanal.

Ferros, canos, pedaços de vassoura, entre outros, são usados para a fabricação das armas brancas caseiras. O dinheiro usado no pagamento é repassado por familiares durante as visitas. “Alguns entorpecentes são repassados por presos do regime semiaberto, que jogam a droga por cima dos muros do complexo fechado”.

O secretário de Estado Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio, afirmou que a Seap não recebeu nenhuma denúncia oficialmente sobre a prática feita pelos agentes penitenciários. Florêncio respondeu também que a responsabilidade de vistoria durante visitas e de objetos são dos agentes penitenciários contratados pela empresa Umanizzare.

“O que fiz foi colocar equipamentos eletrônicos como RX, portal detectores de metal e banquetas, e ainda solicitei à empresa que colocasse mais agentes para fazer as revistas”, explicou Pedro Florêncio, ressaltando que toda vez que a Seap recebe uma denúncia, uma sindicância é instaurada para apurar a responsabilidade e dar direito a ampla defesa e ao contraditório.

A empresa Umanizzare, por sua vez, respondeu que está preparando uma nota sobre toda a situação, mas até o fechamento da edição de ontem a nota não chegou. A assessoria da Umanizzare informou que a nota está sendo elaborada e que irá se manifestar em breve.

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