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Policial denuncia duas técnicas de enfermagem por omissão de socorro a passageiro, em Manaus

Técnicas estavam de plantão na base de remoção da Susam, localizada no porto da Ceasa, no último domingo (1°) e disseram que só atenderiam pacientes vindos do interior. Passageiro que passou mal não teve atendimento 03/03/2015 às 11:29
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Susam informou que no porto da Ceasa funciona apenas uma base de remoção de pacientes, não um posto de saúde. Policial fez B.O. contra profissionais porque elas nem sequer entraram no coletivo para avaliar a situação da vítima
Lucas Jardim Manaus (AM)

Duas técnicas em enfermagem foram denunciadas à Polícia Civil do Amazonas na tarde deste domingo (1º), suspeitas de deixar de prestar socorro a um senhor que passava mal em um ônibus que saía de Manaus pela BR-319, estrada que conecta a capital amazonense a Porto Velho (RO).

Segundo o policial rodoviário André Costa, por volta das 15h o motorista do ônibus parou o coletivo no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), localizado na rodovia, avisando que um senhor, identificado por ele como Francisco Carlos Alves da Silva, de 48 anos, estava passando mal dentro do veículo.

Como Francisco tem as duas pernas amputadas, o que dificultaria sua remoção, e a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) mantém uma base de remoção no porto da Ceasa, localizado a cerca de 700 metros do prédio da PRF, André recomendou que o motorista levasse Francisco até lá para que fosse socorrido, dizendo que o seguiria em uma viatura.

"Saí com uma vituara e uma colega atrás do ônibus pouco tempo depois. Quando chego na base (da Susam]), o motorista do ônibus estava dando meia volta e me disse que as técnicas do local não atenderam o senhor porque elas só estavam lá para atender pacientes que vinham do interior. Na mesma hora, entrei no ônibus, tirei (o passageiro) sozinho de lá, o que foi muito difícil já que ele estava desmaiado, coloquei-o na viatura e parti em busca de socorro", contou André.

O policial lembra que levou Francisco a um posto de saúde localizado no bairro Mauazinho, na Zona Sul de Manaus. Como o posto estava fechado, eles foram ao Serviço de Pronto Atendimento da Zona Sul, que fica no bairro Educandos. "Levei uns 30 minutos para fazer esse trajeto. Durante todo o percurso, o senhor falava coisas sem sentido e pareceu perder a consciência várias vezes", relatou.

Atendimento negado

Depois que o homem deu entrada na unidade de saúde, André voltou à base da Susam no porto da Ceasa para averiguar a situação. As técnicas em enfermagem Maria Arcângela P. Azevedo, de 33 anos, e Williana Cante Colares, de 23, confirmaram ao policial que não atenderam Francisco por se tratar de paciente que vinha da capital e, logo, fora da atribuição de suas funções.

"Ora, você é técnica de enfermagem e não atende alguém precisando de socorro? Ainda que elas estivessem lá somente para atender pacientes que vinham pela estrada, quando uma ambulância sai para o resgate, só uma técnica vai, a outra fica na base e essa poderia ajudar. Perguntei se elas chegaram a entrar no ônibus para, pelo menos, checar o que tinha acontecido, e elas disseram que não. Era o mínimo que elas deviam ter feito. Perguntei também se elas acionaram o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para atender a ocorrência, uma vez que elas supostamente não podiam fazer nada, e elas disseram que não chamaram. Pra mim, isso é omissão de socorro", explicou o policial rodoviário.

A razão para não ter conduzido as técnicas para delegacia na hora, segundo ele, foi o fato de terem identificação, endereço fixo de trabalho, e, por fim, a necessidade do posto permanecer funcionando. "A prioridade sempre deve ser as pessoas. É a mesma razão pela qual socorri o homem primeiro antes de averiguar a história. Se eu as tivesse conduzido, o posto teria que permanecer fechado durante umas três horas e os usuários ficariam prejudicados. Mesmo no momento em que estava lá perguntando a elas o que aconteceu, elas já estavam aguardando pacientes que estavam em trânsito", explicou.

Considerando isso, depois de identificar as técnicas, André foi ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) para que o caso seja apurado. "É revoltante sabermos de casos assim, porque nós, policiais, resgatamos pessoas o tempo todo, mesmo quando não é nossa competência. Em várias ocorrências na estrada, se formos esperar o Samu chegar, a vítima morre. De toda forma, sobre esse caso, a Polícia Civil tem que apurar se houve mesmo omissão", desabafou. Até a publicação desta matéria, Francisco continuava internado no SPA da Zona Sul, onde seguia em observação pela equipe médica da unidade.

Susam responde

A Susam informou em nota, que, no porto da Ceasa, funciona apenas uma base de remoção de pacientes, não um posto de saúde. A base serve para receber as pessoas que vêm do interior do Estado e precisam ser levadas de ambulância para unidades de saúde da capital.

"Segundo a coordenação do serviço informou, na tarde de domingo, quando foi procurada com o caso do senhor mencionado na reportagem, a base estava com uma ambulância fazendo remoção de um paciente que veio do interior para o HPS João Lúcio e a outra ambulância já com paciente embarcado (também oriundo do interior), grave, infartado, pronto para ser removido ao atendimento de urgência", afirma o comunicado.

Ainda de acordo com o órgão, a profissional que estava de plantão na base orientou as pessoas que acompanhavam Francisco a acionar o Samu para que ele fosse removido a uma unidade de saúde. 

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