Domingo, 22 de Setembro de 2019
Manaus

Policial denuncia falta de agentes em presídio do Amazonas

Apenas três ou até mesmo dois policiais são designados para a segurança nas guaritas e entrada da unidade.



1.jpg A escada da guarita foi construída na parte de fora do complexo, expondo o policial que pode ser abordado por pessoas que queiram facilitar a fuga de detentas
05/03/2013 às 12:01

A fuga de 42 detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), por um túnel de aproximadamente 20 metros de extensão, no último sábado (02), desperta a atenção para a vulnerabilidade dos presídios do Amazonas. Um policial denunciou à reportagem do acrítica.com a falta de contingente nos plantões da ala feminina e a construção errada, do lado de fora da unidade prisional, de uma das guaritas laterais.

Na manhã desta terça, a equipe de reportagem constatou que na ala feminina do Compaj apenas um policial fazia a vigilância da área. Em um documento exposto na recepção é possível verificar a escala de trabalho. Nela consta o nome de apenas três ou até mesmo dois policiais por equipe, designados para a segurança nas guaritas e entrada da unidade.

De acordo com um policial militar, que pediu para não ter o nome revelado, é comum, no momento da escolta, dois policiais saírem e ficar apenas um fazendo a segurança. Segundo ele, a ausência de outros PMs pode facilitar fugas e rebeliões, pois permite que as guaritas fiquem sem vigilância. A equipe de reportagem esteve no local durante uma hora e, nesse período, nenhum policial foi visto nas guaritas.

“Depois dessa fuga em massa, estão querendo colocar culpa nos policiais que estavam de plantão, mas o problema não é a facilitação e, sim, a falta de policiais necessários para fazer a segurança do Compaj. Apenas três policiais ficam aqui na ala feminina e tem dia que é apenas dois. Se um fica doente ou sai para a escolta, o número diminui”, desabafou um policial que pediu para não ter o nome revelado.


Guaritas

Outro problema apontado pelo militar é uma escada que dá acesso a uma das guaritas laterais. A mesma foi construída na parte de fora do Compaj, expondo o policial que pode ser abordado a qualquer momento por pessoas que queiram facilitar a fuga. “A escada fica do lado de fora e o policial tem que andar até ela para subir na guarita. Nunca vi isso em outros presídios. O certo é ser construída por dentro”, relatou.

Sem resposta

A equipe de reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus) e foi informada de que o órgão enviaria uma nota sobre o assunto ainda nesta terça, o que não foi feito até o fechamento desta edição.

Em entrevista realizada em janeiro, o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Amazonas, Márcio Meirelles, revelou que estava aguardando o processo licitatório finalizar para dar início à construção de uma nova penitenciária feminina, que abrigará 155 presas, localizada também na área do Compaj.

O regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista), de onde fugiram 42 presos no último sábado, passou por uma revista minuciosa na manhã desta terça. A ação teve início às 6h e encerrou por volta das 12h30. Segundo o secretário adjunto executivo da secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), coronel José Bernardo Encarnação a revista teve como objetivo retirar do presídio objetos cuja entrada é proibida.

Segundo Bernardo Encarnação durante as seis horas de revista, feita por 150 policiais militares, foram apreendidos dois martelos artesanais, 16 estoques, seis celulares, três chips, um cartão de memória e uma bateria de celular. Todo material apreendido foi levado para a perícia e depois serão destruídos. Bernardo Encarnação disse que o clima na penitenciária era de tranquilidade.

Para cavar o túnel que levou à fuga, os internos usaram enxada e terçados que utilizavam para cultivar a horta. O trabalho durou quatro dias.


A direção do sistema penitenciário quer evitar que novas fugas em massa possam acontecer nas unidades prisionais do Amazonas. Nesta terça, o diretor da empresa Auxílio, Luiz Gastão, esteve em Manaus e conversou com o secretário de Justiça e Direito Humanos do Amazonas (Sejus) Márcio Meirelles e traçaram planos para a administração das unidades prisionais do Estado. Gastão admitiu que houve negligência por parte da empresa Auxilio na fuga dos 42 detentos.

Segundo o diretor, são 150 agentes de disciplina por turno, trabalhando no sistema fechado do Compaj. Ele prometeu que vai acompanhar melhor os trabalhos dos agentes e corrigir falhas. Gastão ressaltou a superpopulação dos presídios como um dos problemas da administração. A fuga de 42 presos por um túnel de aproximadamente 20 metros mostrou a fragilidade do sistema de vigilância dos presos.

Por meio de nota, a Sejus disse que a fuga dos internos do Compaj ocorreu por volta de 15h. A ação aconteceu por meio de um túnel no pavilhão 1. Logo após o ocorrido, os presos detiveram um agente disciplinar e alguns visitantes, mas poucos instantes depois, todos foram liberados e não houve feridos. Os primeiros capturados revelaram que plano era para que 250 internos escapassem, mas houve tumulto.

Até esta terça, a Polícia Militar vasculhava a mata que cerca o presídio e procurava pelos fugitivos ao longo da BR - 174. Ainda há esperança que muitos ainda estejam perdidos na mata. No sábado, dia da fuga, pelo menos 11 presos foram vistos por freqüentadores de um balneário localizado no KM 11, atravessando um igarapé a nado.



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