Domingo, 19 de Maio de 2019
CASO OSCAR

Policial preso junto com delegado Oscar diz que recebeu telefonema anunciando morte

Testemunha no julgamento do caso Oscar, policial foi preso em 2013 junto com delegado por integrar milícia e, hoje, ressaltou “inocência” do delegado morto



92.jpg
Foto: Winnetou Almeida
13/04/2018 às 14:19

“Um dia antes da morte do delegado, recebi uma ligação confidencial. Alguém que não consegui identificar me disse: cuidado, vão matar você. Naquela hora comecei a avisar aos meus familiares. Um dia depois estava em casa e soube da morte do delegado”. Essas são palavras de uma das testemunhas que foram ouvidas nesta sexta-feira (13), em Manaus, no julgamento do assassinato do delegado Oscar Cardoso, morto com mais de 20 tiros em 2014 na capital amazonense.

A testemunha em questão é Enair Magalhães Ribeiro, um policial que trabalhou com Oscar Cardoso na Secretaria de Segurança Pública (SSP) e que chegou a ser preso junto com o delegado em outubro de 2013 durante a Operação Tribunal de Rua, acusado de integrar milícia em Manaus liderada por Oscar. O policial Enair foi a segunda testemunha ouvida hoje pelos defensores e acusadores no caso. O julgamento acontece no Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro São Francisco, Zona Sul, sob forte esquema de segurança.


Delegado Oscar Cardoso (Foto: Arquivo A Crítica)

Durante o julgamento, Enair confirmou que trabalhava com o delegado Oscar Cardoso na Secretaria de Segurança, e que o mesmo atuava de forma interna no órgão, mais especificamente na Força Tarefa da SSP, uma companhia especializada de polícia no Amazonas. “Eu conhecia o delegado. Eu o conduzia para casa e à secretaria, porque nessa época ele trabalhava de forma interna”, disse.

Enair também confirmou que foi preso juntamente com Oscar em 9 de outubro de 2013, na Operação Tribunal de Rua, acusados de participarem de uma organização criminosa que extorquia e sequestrava pessoas. “Quando consegui minha liberdade, o advogado me disse que a gente estava sendo acusado de fazer parte de uma organização criminosa que sequestravam as pessoas e pediam dinheiro para que acontecesse a liberação”, relatou.

Segundo o policial Enair, após a morte do delegado, policiais chegaram à casa dele e o levaram para um “local seguro”, devido ao risco dele morrer. “Soube da morte do delegado pelo meu irmão, que também é policial. Depois policiais chegaram na minha casa e nos levaram para um quartel. Lá encontrei outras pessoas presas no Tribunal de Rua. Mas não sei se os outros receberam a ligação”, explicou.


João Pinto Carioca (Foto: Arquivo A Crítica)

Motivo do crime

Segundo investigações da Polícia Civil do Amazonas feitas na época da morte do delegado, a motivação do assassinato dele seria um suposto envolvimento de Oscar Cardoso no sequestro e estupro da esposa do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, um dos líderes da facção criminosa Família do Norte. Segundo a acusação, “João Branco” deu a ordem para matar Oscar como vingança pelo o que o delegado teria com a esposa dele.

Sobre o envolvimento de Oscar no sequestro e estupro da esposa de “João Branco, o policial Enair alegou inocência do delegado. “Ele morreu inocente. Na época o sistema sabia quem tinha cometido o crime com a esposa do João Branco, mas não fizeram nada”, destacou. De acordo com o policial, o delegado Oscar era um profissional de forma ética. “Ele era um delegado muito correto. Uma pessoa muito humilde, que trabalhava a favor da secretaria”, completou.


Um dos réus, Messias, o primeiro da fila (Foto: Winnetou Almeida)

Os acusados

O principal réu no caso é João Pinto Carioca, o “João Branco”, líder da FDN e acusado de ser o mentor do crime. Segundo a acusação, no dia do crime “João Branco” saiu do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde estava preso, só para matar Oscar, e depois retornou. Atualmente preso no presídio federal de Catanduvas, no Paraná, “Branco” participará do julgamento por vídeoconferência.

Os outros réus são Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, que participou como atirador no crime; Messias Maia Sodré, quem dirigiu o veículo usado pelos atiradores e que, segundo testemunhas, também atirou no delegado; e Diego Bruno, que ajudou na fuga após o assassinato.

Condenado

Outro réu no caso, Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, foi condenado na primeira sessão do julgamento ocorrido em agosto do ano passado. Ele, acusado de fornecer o veículo usado no crime, pegou 5 anos, 6 meses e 15 dias de pena por associação criminosa e ocultação de bem ilícito. Como já tinha ficado preso por três anos, o restante da pena foi colocado em regime aberto.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.