Terça-feira, 25 de Junho de 2019
Manaus

Ponta Negra: desperdício público em 6 dias

Há uma semana a iluminação pública do parque Ponta Negra não é desligada. A situação incomoda manauaras e turistasque visitam um dos locais favoritos de lazer da população



1.jpg Em plena luz do dia, refletores da Ponta Negra estavam ligados diante de centenas de pessoas
30/11/2013 às 20:05

A luz do sol denuncia que é dia, mas na Ponta Negra as lâmpadas nunca se apagam. Há pelo menos uma semana, a iluminação pública do parque se mantém acesa durante 24h. A CRÍTICA monitorou o desperdício de energia nesse período e constatou que quando se trata de economia o dinheiro público não é levado em conta.

“Engraçado que na semana anterior ficou tudo escuro, uns seis dias”, afirmou o pipoqueiro Raimundo Furtado de Carvalho, que trabalha há 21 anos na Ponta Negra. Segundo ele, o trecho em frente ao anfiteatro ficou sem lâmpadas depois de um temporal ocorrido no último dia 19.

Segundo a gerente de um dos boxes do calçadão, Marlene Ramos, após a reclamação da proprietária da loja de conveniência, “arrumaram as lâmpadas” que não se apagaram mais. “Desde então, já faz uma semana. Elas estão ligadas dia e noite”.

Todos as 20 pilastras do anfiteatro, que têm dois refletores margeando a estrutura, além de um refletor acima deles, ficaram ligados durante os últimos seis dias, totalizando 60 lâmpadas funcionando somente naquele trecho, sem contabilizar os refletores de poste.

“É um desperdício, com certeza. Na minha casa, procuro economizar energia porque não é algo barato. Aqui, é dinheiro público que, no fundo, somos nós quem estamos pagando”, afirmou a funcionária pública estadual Marilde Siqueira.

O vendedor Ricardo Venâncio costuma visitar a Ponta Negra sempre à noite. No entanto, na última sexta-feira, ele foi de dia levar um parente para conhecer o local. “É um gasto desnecessário ter essas lâmpadas acesas a essa hora (16h30), por mais que faça parte do cenário”, disse.

As lâmpadas que geralmente são usadas para iluminação pública são de vapor de sódio, que utilizam a descarga em meio gasoso para produzir luz. Elas são acionadas para o funcionamento a partir de um relé fotoelétrico, instalado junto à estrutura, capaz de identificar, por meio de uma abertura onde fica um sensor, o anoitecer, que aciona automaticamente a lâmpada, explicou o vendedor de materiais elétricos Nilmar Nunes, que trabalha há 26 anos no ramo. “Com o amanhecer, acontece o contrário: a estrutura desliga”.


A duração de uma lâmpada desse tipo costuma variar de 2 a 3 anos, segundo ele. “Isso se não houver contato com a água. Por isso existe aquela proteção, porque essa lâmpada aquece muito, chegando a mais ou menos uns 100ºC”, disse. O consumo médio fica entre 150 a 250 watt, dependendo da altura do poste. As de casa chegam, no máximo a 20 watt.

Reparo

Procurado pela reportagem, o Implurb informou que iria realizar uma manutenção ainda na tarde de sexta-feira, por volta das 16h, para verificar o sistema de iluminação e relés. A reportagem deixou o local por volta de 17h e as lâmpadas ainda estavam acesas.

Entrevista

Álvaro Pinto Queiroz, comerciante: “Moro na Ponta Negra há uns seis anos e pago R$ 41,02 de Contribuição para o Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (Cosip). Não acho correto essas luzes ficarem acesas durante o dia, pelo contrário: elas têm que ser desligadas. À noite, tudo bem, ne? Tem que ter a iluminação bonita, tem que ser seguro, mas durante o dia não precisa. Isso é uma falha técnica, uma falta de cuidado com o bem público. Saio cedo de casa e passo a maior parte do dia no trabalho, então quase não vejo se essa situação está assim há muitos dias, mas defendo que não haja esses desperdício de energia elétrica. Em casa, economizo minha energia e penso que o poder público deveria economizar também, já que quem paga a conta, somos todos nós”.



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