Sábado, 17 de Agosto de 2019
Manaus

Ponta Negra: Presença de jacarés preocupa autoridades de Manaus

Doutor em Ecologia, Ronis da Silveira, tranquiliza os frequentadores da praia ao garantir que os répteis não costumam fazer morada em locais de muita concentração humana



1.jpg Jacaré foi resgatado em plena praia da Ponta Negra
30/04/2013 às 07:50

É improvável que o aparecimento de três jacarés, domingo, no balneário da Ponta Negra tenha a ver com a procura por comida ou que tenham sido atraídos pela presença de banhistas. A afirmação é do doutor em Ecologia, Ronis da Silveira, que possui estudos de reconhecimento internacional sobre jacarés. Mesmo assim a prefeitura decidiu manter a praia interditada para banho. Nesta segunda-feira (29), o ‘bicho’ capturado no domingo foi submetido a um avaliação onde foi constatado que ele está cego de um olho.

Professor do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Silveira fez parte da equipe de biólogos e veterinários que ontem foram à reserva ecológica Sauim Castanheiras para um exame sobre as condições do réptil capturado, antes de devolver o animal ao seu habitat natural.

O estudioso tranquiliza os frequentadores da Ponta Negra ao garantir que os répteis não costumam fazer morada em locais de muita concentração humana. “Eles não vieram para ficar e nem se deslocam assim em busca de comida. Por sinal eles evitam a aproximação com o homem. Neste período de inverno o jacaré-açú usa a enchente do rio para se deslocar, fazendo um tipo de exploração de outros ambientes. Como é um animal jovem, provavelmente esteja em processo de dispersão”, disse Silveira.

Segundo ele, essa é uma ocorrência casual e não há nenhuma indicação de que a alteração física na praia tenha a ver com o aparecimento deles.

Ele avisa que esses não foram o primeiros e nem serão os últimos jacarés a aparecerem em frente à praia da Ponta Negra. É só lembrar que antes apareceu um bem maior e depois desapareceu.

AUMENTO

Desde o início da década de 90 o doutor Ronis da Silveira estuda as populações de jacarés na reserva ecológica de Mamirauá, no rio Solimões. De acordo com ele, nos primeiros anos de estudo era possível ver no máximo 300 animais a cada quilômetro de rio pesquisado. Dez anos depois o número ultrapassava dois mil.

Até metade dos anos 80, quando o couro de jacaré estava em alta no mercado internacional, a região foi invadida por coureiros. Entretanto, com o surgimento da legislação proibindo a caça dos répteis e de campanhas internacionais de proteção animal, os preços da pele despencaram no mercado e os compradores do material desapareceram.

Mestrinho aproveitou o pânico

O jacaré é um animal que amedronta o caboclo da Amazônia é por isso até entrou para o folclore da política local. Em 1990, por exemplo, o então governador Gilberto Mestrinho levantou a bandeira de caça aos jacarés depois que um morador da Zona Rural do município de  Nhamundá (a 383 quilômetros de Manaus) foi atacado por um ‘açu’.

Mestrinho foi assunto na imprensa nacional ao declarar que era a favor da caça devido haver uma superpopulação do animal no interior. O depoimento do governador ganhou grande repercussão por estimular uma ação ilegal (considerando que é proibida a caça a desse réptil), além de provocar a ira dos ambientalistas em todo o País.

Baseado em informações do então prefeito Mário Paulain, Gilberto declarou que somente em Nhamundá existiam mais de dois milhões de jacarés. Paulain aproveitou o apoio e abriu uma campanha junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Ministério do Meio Ambiente para liberar a matança de jacaré, mas não obteve sucesso. Hoje, após pesquisas de Ronis da Silveira, é permitido fazer o manejo do animal em certas áreas.

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