Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020
falta de respeito

Ponta Negra vira cartão-postal da sujeira em Manaus

Quem frequenta o cartão-postal da praia da Ponta Negra se depara com um cenário de abandono, sujeira e insegurança



ponta_negra_B2BF9C04-3A57-4C70-B103-F7EBECD60311.JPG Frequentadores da praia da Ponta Negra reclamam do abandono. Foto: Euzivaldo Queiroz
02/08/2020 às 12:16

Cartão-postal de Manaus e um dos locais mais frequentados e com aglomerações do Estado do Amazonas (mesmo em tempos de pandemia), a praia da Ponta Negra se transformou em uma lixeira a céu aberto, causando a revolta de banhistas e frequentadores do balneário que reclamam da condição do local, que também reúne outros problemas de aspectos de falta de higiene e a falta de segurança.

A concentração de lixo despejada no balneário público é mais amplamente verificada pelas pessoas que  frequentam o local pela manhã para se exercitar e fugir da alta temperatura.



Antes de chegar à praia, a visão que se tem já causa estranheza e dá mostras que algo não cheira bem: vários urubus pousam e voam sobre o balneário.

Mais perto, na extensão da Ponta Negra um banhista mais descuidado pode pisar em latas de cerveja, garrafas de vidro de bebidas alcoólicas, garrafas PETs de bebidas energéticas, refrigerante e água, pratos descartáveis e sacolas de plástico, embalagens de biscoito, carteira de cigarros usada, embalagens de cerveja, tampas de garrafas e cascas de limão.

Andando mais um pouco, você esbarra em pedaços de madeira, fraldas usadas, restos de gelo e brinquedos de plástico (carrinhos). 

Anfiteatro vira ‘casa’

A própria areia da praia serve de “cama literalmente quente” para uma pessoa em situação de rua, segundo flagrou A CRÍTICA nas primeiras horas da manhã da última sexta-feira. E adivinhem: lixo ao seu redor!

Abandonado por conta da pandemia do Covid-19, o anfiteatro da praia, local de apresentações artísticas, agora também serve de dormitório para pessoas na mesma situação. Nas laterais do complexo artístico, o cheio de urina é forte e capaz de causar náuseas.

A poucos metros do anfiteatro, flagramos um homem, que estava bebendo em companhia de um grupo de pessoas, urinando ao lado de uma das árvores do balneário, a céu aberto, sem que ninguém chamasse a sua atenção.

Aliás, grupos de pessoas embriagadas são comuns no balneário. O que não é comum é você presenciar policiamento, seja ele por parte da guarda municipal ou da Polícia Militar, pela manhã na praia, infelizmente.

A reportagem também ouviu reclamações de que pessoas passeiam com cães e não recolhem as fezes que os animais despejam na areia, contrariando as leis municipais.

Espanto

Morador do bairro de Santo Agostinho, na Zona Oeste, o estudante Rodrigo Santana, 18, foi um dos banhistas que reclamou da sujeira. Ele se surpreendeu com a situação.

“É uma porcaria mesmo, infelizmente. Há algum tempo que eu não vinha aqui na Ponta Negra tomar um banho e me deparo com isso. Já não bastava o Novo Coronavírus que está solto por aí, pra  encher o saco, e agora vem esse lixaral na praia. A Ponta Negra está suja”, disse o jovem.

Trabalho comprometido

Um professor de Educação Física que atua no local comentou, sem querer revelar o nome, que, por conta da sujeira, as pessoas têm medo de correr na orla da praia. Ele comentou que o lixo atrapalha o desenvolvimento do trabalho de orientação e treinamento que ele dá para seus alunos.

“Minha atividade é dividida em três partes e todas são comprometidas por conta do lixo que existe na praia, infelizmente. É uma situação da qual eu sempre vejo por aqui”, relata o professor.

Revoltado com a situação da praia

Frequentador da praia no horário da manhã desde 2014, onde aproveita para se exercitar correndo com um grupo de amigos e recebendo os primeiros raios do escaldante Sol, o experiente jornalista Braz Silva, 54, é um dos que se revolta com a situação.

“Infelizmente esse lixo é o reflexo da ignorância das pessoas, mas também a falta de um poder público mais enérgico por aqui para resolver. É uma situação triste. Temos uma colega que corre descalça, o que já não é recomendado, e que está se expondo a pisar em um caco de vidro. Aqui você tem que correr olhando para o chão para ver se não há uma fralda cheia de cocô, uma garrafa de vidro, etc. Uma vez uma senhora caiu na minha frente e eu tive que juntá-la. A segunda-feira é o pior dia: é o dia da bagaça. Mas todo dia está ruim, apesar das lixeiras, mas são poucas. O espaço deveria ter, pelo menos, umas 20 lixeiras. Corro aqui há 20 anos e a rotina é a mesma”, destaca.

Ele frisa que está faltando mais conscientização por parte dos frequentadores, infelizmente, mas, também,  que o poder público tome providências. “Se a Prefeitura de Manaus tivesse um secretário de limpeza que quisesse fazer com que a praia ficasse bacana, bastaria colocar dez homens de manhã cedinho, umas 5h30 ou 6h, para limpar isso aqui. E bastava limpar  aos finais de tarde: quando o pessoal chegasse à noite, estaria tranquilo e de manhã não haveria tanto lixo.

Braz Silva contou que promoveu, há algum tempo, uma coleta de lixo no local, e que quer retomar a iniciativa. “Uma vez eu trouxe uma turma de dependentes químicos do Sítio Esperança, que é de minha propriedade e que fica na Vila de Paricatuba, aqui para a Ponta Negra, e coletamos uns 20 sacos de 200 litros de lixo. E vou começar novamente a trazer pessoas, nós temos um grupo que corre aqui na praia, para fazer essa ação”, comentou o jornalista e radialista. 

Resposta

Em face do problema, a reportagem de A CRÍTICA entrou em contato com a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) para saber qual a posição do órgão a respeito, quais as medidas vem tomando sobre o recolhimento do lixo, bem como horários em que ele é feito, e se há alguma iniciativa para conscientizar o banhista sobre o despejo apropriado do lixo no local, que é um dos cartões-postais de Manaus.

Por meio de sua assessoria de comunicação, o órgão informou que “a limpeza é diária, em dois tubos (madrugada e durante o dia) e as lixeiras estão disponíveis para os usuários. Eles são os maiores poluidores”.

Repórter de A Crítica

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