Sábado, 25 de Janeiro de 2020
INVESTIGAÇÃO

Ponte Rio Negro e Arena da Amazônia estão na mira da Operação Lava Jato

Obras serão alvo de investigações para apurar possíveis irregularidades apontadas por delatores de grandes empreiteiras



761814.JPG (Foto: Euzivaldo Queiroz)
15/04/2017 às 05:00

Duas obras consideradas históricas no Amazonas, a Arena da Amazônia e a Ponte do Rio Negro são alvos de investigações da Lava Jato, para apurar irregularidades nas obras, corrupção e lavagem de dinheiro. Nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da operação, autorizou a abertura de 76 inquéritos, além de remeter para foros e tribunais 201 petições com a retirada de sigilo.

Na lista de inquéritos abertos, estão os dos senadores pelo Amazonas Eduardo Braga (PMDB), Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Omar Aziz (PSD), além do deputado federal Alfredo Nascimento (PR) e do ex-deputado estadual Eron Bezerra (PCdoB), marido de Vanessa Grazziotin.



Em sua delação, o ex-diretor de Projeto de Infraestrutura da Camargo Corrêa, Arnaldo Cumplido, revelou um “ajuste” entre o Grupo Odebrecht e o então governador Eduardo Braga para que fossem feitos pagamentos em seu favor, relativos à obra da Ponte do Rio Negro.  O delator informou que a Construtora Etan atuou como intermediária do pagamento de propina. Foi apresentada uma planilha com repasse de R$ 1 milhão. 

Eduardo Braga deverá ser investigado com o senador Omar Aziz por advocacia administrativa, corrupção e lavagem de dinheiro.  Tanto Braga quanto Omar negam qualquer recebimento de vantagem indevida.

A construção da ponte teve contrato celebrado em 2007, entre o Estado e o Consórcio Camargo Corrêa e a Construbase, com orçamento inicial de R$ 575 milhões.  A obra foi entregue  em outubro de 2011, com um custo total de R$ 1,099 bilhão (sendo R$ 586 milhões do BNDES e R$ 513 milhões do governo do AM).

Os custos do empreendimento que liga Manaus a Iranduba envolvem além dos 3.595 metros da ponte, obras complementares – construção de  7,4 quilômetros de acessos viários do lado de  Manaus (1,9 quilômetros) e Iranduba (5,5 quilômetros), implantação do sistema de proteção dos pilares contra choque de embarcações, sistema de sinalização náutica e o sistema de iluminação da ponte – cênica e convencional – e dos acessos à estrutura.

Arena

O ministro Edson Fachin determinou que a Justiça Federal do Amazonas abra um inquérito para apurar possíveis irregularidades na obra da Arena da Amazônia.

O projeto da Arena foi vendido em 2009, pelo então governador Eduardo Braga (PMDB) como um dos projetos carro-chefe na luta para que Manaus figurasse como subsede da Copa. Orçada em R$ 499,5 milhões, somando aditivo e reajustes, serviços complementares e consultoria técnica, totalizou R$ 811,5 milhões, o que representa um acréscimo de 62,4%. As obras duraram quase quatro anos. A estrutura conta com 83,5 mil m² de área construída, com capacidade para mais de 44 mil pessoas.

A inauguração do estádio foi adiada duas vezes. A entrega estava prevista para ocorrer em junho de 2013, mas foi transferida para dezembro do mesmo ano, e depois adiada para março de 2014, às vésperas do mundial.

Personagem: Deputado estadual, José Ricardo

 ‘Extremamente superfaturada’

Diante das denúncias envolvendo a construção da Ponte Rio Negro, o deputado José Ricardo Wendling (PT) relembrou que foi um dos parlamentares a questionar o valor da obra e também a respeito da construção de um monumento à ponte.

“Ela (a ponte) foi contratada próximo de R$ 600 milhões e no final tinha mais de R$ 1 bilhão investido. Houve uma audiência pública, onde debatemos o aditivo de mais de R$ 200 milhões aprovado e outras obras complementares”, afirmou José Ricardo. “Essa obra foi extremamente superfaturada. Independente de propina dada para governador e outros parlamentares da turma, mas a ponte enriqueceu mais ainda a empresa que a construiu. Talvez mais gente deva ter ganhado para aumentar tanto os valores”, afirmou.

Sobre o monumento, o parlamentar afirmou que uma ação civil pública, movida em conjunto com o deputado Luiz Castro (Rede) e Marcelo Ramos (PR), questionava o valor investido e também o fato de terem desfeito um trecho para dar lugar à rua.

Etam foi parceira do Estado em diversas obras de porte

Parceira do Governo do Estado em diversas obras importantes como a Ponte do Rio Negro, duplicação da AM-070 e a construção do sistema de abastecimento de água de Manaus, na Zona Leste da capital, a Construtora Etam está envolvida na Lava Jato. A construtora Etam é a empresa privada que mais firmou contratos durante o governo de Eduardo Braga. No ano de  2008, a construtora Etam recebeu R$ 100.545.590,16. Em 2009, ela recebeu R$ 258.628.795,26.

A empresa também é responsável pela construção do totem metálico e praça em concreto armado sobre o Igarapé do Franco, conhecido como “Monumento dedicado à Ponte sobre o Rio Negro”, no bairro da Compensa, Zona Oeste.

Orçado em R$ 5,5 milhões a praça e o totem de metal foram construídos durante a gestão do então governador Eduardo Braga (PMDB), hoje senador. Reportagem publicada na edição de A CRÍTICA do dia 22 de maio de 2011 mostrou que, no lugar onde foi erguido o monumento de ferro, Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) da ponte sobre o rio Negro, encomendado pelo governo, previa a construção de obras viárias para dar vazão ao fluxo de trânsito.

No ano passado, o conselheiro convocado do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), Mário Filho, condenou a ex-secretária de Estado de Infraestrutura, Waldívia Alencar, a devolver aos cofres públicos R$ 2,1 milhões por conta de superfaturamento de itens na execução do totem.

A gestora foi multada ainda em R$ 8,7 mil em razão da ausência de justificativas técnicas para alterações contratuais e tem 30 dias para quitar os débitos ou recorrer da decisão.

A reportagem tentou entrar em contato com a construtora Etam, mas não obteve retorno.


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