Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
Manaus

Ponte Rio Negro vira foco da marginalidade

O lugar vem sendo tomada por jovens consumidores de droga, disputa de rachas, cenas de atentado violento ao pudor dentro de carros, além de vendedores ambulantes de frutas e bebidas alcóolicas



1.jpg Registros de cenas de motociclistas transformando a ponte em pista de corrida e colocando em risco a vida deles próprios e dos que usam o acostamento para fazer exercícios físicos
21/09/2013 às 17:38

Um dos mais recentes pontos turísticos de Manaus, que custou 1,099 bilhão aos cofres públicos, está entregue à marginalização. A Ponte Rio Negro, única que atravessa o trecho brasileiro do Rio Negro, sendo considerada a maior ponte fluvial e estaiada do Brasil, vem sendo tomada por jovens consumidores de droga, disputa de rachas, cenas de atentado violento ao pudor dentro de carros, além de vendedores ambulantes de frutas e bebidas alcóolicas.

A situação foi levantada pela reportagem de A CRÍTICA junto aos frequentadores assíduos do local, como moradores do entorno que praticam caminhada no local e ciclistas. Todos foram unânimes: a irregularidade na iluminação nas duas cabeceiras da ponte é um dos fatores que mais contribui para a criminalização do ponto turístico.

A partir das 21h, pequenos grupos de jovens dominam o passeio de pedestres nos dois lados da obra, principalmente na primeira metade do trajeto a partir de Manaus. Desse horário em diante, não é mais seguro caminhar na ponte, segundo a cabeleireira Maya Santos, 24. “Tem dia que fica tudo apagado, principalmente nesse primeiro trecho, até a metade da ponte. Aí, fica perigoso porque dá muito drogado. Eles consomem na cara dura, nem fingem, como se fosse tudo liberado”. Maya disse que evita levar celular ou qualquer outro objeto, com medo de ser assaltada. “Isso aqui era pra ser um ambiente familiar, é uma área muito bonita da cidade”, afirmou a cabeleireira que mora no bairro Compensa 3.

Os irmãos Margarida e Jair Vasconcelos caminham quase todos os dias no local e afirmam que se sentem inseguros. “Fica cheio de ‘cheira cola’. Ainda venho aqui porque é perto de casa, mas meu irmão sempre está junto pra fazer companhia”, afirmou Jéssica que é moradora do bairro Compensa 3. Jair é morador do Centro, mas se desloca para acompanhar a irmã.

Moradores do mesmo bairro de Jéssica, Renê Martins e Rogério Martins nunca foram assaltados e, por isso, continuam a fazer caminhada. No entanto, eles afirmam que sentem medo, “porque nunca se sabe o que pode acontecer no escuro”. Para eles, a falta de iluminação favorece o consumo de maconha no local.

“Muitas vezes a gente vem, mas os postes estão apagados, dos dois lados da pista, até o meio da ponte”, explica a estudante Thalita Azevedo que sempre caminha acompanhada da amiga, Evellyn Naianne. Ela também concorda que a falta de iluminação “interfere na segurança”. “Aqui é muito aberto, vem muita gente, não é legal que fique escuro”.

Furtos

De acordo com o departamento de Serviços de Iluminação Pública (DSIP) da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), cabos foram furtados do local, “o que ocasionou o comprometimento da iluminação na área”. A secretaria informou ainda que equipes da concessionária Manaus Luz já estão trabalhando no local e que esse tipo de vandalismo é muito comum em todas as zonas geográficas de Manaus.Fotos: Evandro SeixasNa semana passada, A CRÍTICA registrou cenas de motociclistas transformando a ponte em pista de corrida e colocando em risco a vida deles próprios e dos que usam o acostamento para fazer exercícios físicos.

Mais informações na versão impressa do A CRÍTICA desde domingo (21)

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