Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020
CRESCENTE

População carcerária feminina de presídio no AM cresceu 567,4% em 14 anos

Estudo realizado no Compaj verificou que a maior parte dos crimes cometidos por mulheres tem relação direta com o tráfico de drogas. Pesquisa será apresentada em evento este mês em Cuba



compaj_3B54A1C6-9B29-4B71-AAC5-736FE66466E8.JPG Foto: Reprodução/Internet
15/04/2019 às 14:59

A população feminina do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) registrou um aumento de 567,4% entre os anos 2000 e 2014, um percentual muito maior que o verificado entre os homens. A média de crescimento de detentos masculinos foi de 220,20%, ou seja, quase um triplo de diferença, de acordo com a pesquisa “O Perfil das Mulheres Internas do Complexo Penitenciário Anísio Jobim – Compaj: Reflexões sobre a Realidade por Trás das Grades”.

Os autores, o advogado e ex-coordenador do Núcleo de Advocacia Voluntária do Tribunal de Justiça do Amazonas (NAV-TJAM), Jayme Benchaya Marinho, Ana Cláudia dos Santos Lacerda e Aline dos Santos Pedraça, procuraram mostrar um perfil da mulher interna permanente do Compaj, os fatores que a influenciaram para que entrasse na criminalidade e o crime que mais contribuiu para o encarceramento feminino no Amazonas nesse período.



Responsável pela equipe que realizou a pesquisa, o advogado Jayme Benchaya, contou o motivo da elaboração do artigo. “Quando estava coordenando o Núcleo de Advocacia Voluntária do TJAM, trabalhava diretamente nos presídios e percebi que não tinha nenhum levantamento em relação às internas que estavam cumprindo pena no Compaj, daí surgiu a ideia de elaborar este artigo juntamente com minha equipe”, disse.

Ao realizar a pesquisa, a equipe relatou algumas constatações importantes. “Como esperado, o estudo verificou que a maior parte dos crimes cometidos por mulheres tem relação direta com o tráfico de drogas, chegando ao patamar de 48,98%. A grande surpresa se deu quanto ao grau de escolaridade das internas - a esmagadora maioria tinha apenas o ensino fundamental incompleto, cerca de 59,18%, e somente 6,12 % de analfabetismo”, informou Jayme Benchaya. O levantamento foi feito com base em análise de documentos e coleta de dados - pesquisa documental, bibliográfica e dados secundários disponibilizados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap-AM).

Evento internacional

Esse trabalho será apresentado na 9ª Conferência Científica Internacional, que ocorrerá entre os dias 24 e 26 de abril deste ano, de 9h até 17h, na Província de Holguín, em Cuba. A apresentação da pesquisa será através de videoconferência. “Eu e minha equipe, ficamos muito felizes e lisonjeados com o resultado, pois para um artigo ser escolhido e aprovado em âmbito internacional não é tão simples, isso torna o trabalho muito gratificante e ainda mais inspirador para elaborarmos outros”, comentou o advogado Jayme com entusiasmo.

De maneira geral, o trabalho aborda ainda o sistema carcerário brasileiro, mostrando um pouco da problemática enfrentada por todo o sistema penitenciário, o qual tem como característica a superlotação e a ausência de estrutura física adequada para a ressocialização do detento. Conforme os pesquisadores, desde sua criação, o sistema prisional do País nunca foi visto como prioridade, “faltando dispor de maior atenção e liberação de recursos”. O governo e a sociedade em geral não acreditam na possibilidade dos detentos e veem como “algo inaceitável” sustentar criminosos, explicam os autores do artigo em trecho sobre a retrospectiva do tema.

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