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Manaus
Insegurança pública

População conta ter medo de frequentar o tradicional Centro da cidade de Manaus

Transeuntes da área central da cidade estão cada vez mais incomodados com os registros de crimes no local; todos os entrevistados por A Crítica, vítimas ou não, contaram ter receio de passar pelas ruas do tradicional local 11/07/2016 às 21:37 - Atualizado em 11/07/2016 às 21:54
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Assaltos tem preocupado que precisa andar pela localidade / Fotos: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Quem transita diariamente pelo Centro de Manaus conta ter medo e apreensão quando precisa se deslocar para aquela área da cidade. Independente do horário, a parcela da população ouvida por A Crítica contou os apuros vividos com a ausência de segurança na região.

“A segurança aqui no Centro é péssima e fraca. Deveriam haver mais policiais andando por aqui. Cadê as guaritas? Estou há cerca de 1 hora e meia aqui e nada de PMs. Há muito relaxamento. Eu tenho medo de andar aqui nesta área”, comentou a aposentada Francisca Rocha. “Fui assaltada aqui no Centro e outra vez lá na Cachoeirinha”, relata ela, em companhia da filha Edna Rocha, andando pela avenida Sete de Setembro.

Instantes antes de ser entrevistado pela reportagem, o eletricista Alcedito Rodrigues Diniz, 49, havia acabado de presenciar um assalto cometido por um criminoso que roubou, pelo lado de fora do ônibus, o celular de uma passageira no terminal da Matriz. Foram momentos de tensão.

“Nós não podemos nos descuidar, atender um telefone, tirar um dinheiro do bolso que pode vir alguém e nos levar. Deveria haver um patrulhamento melhor aqui no Centro, nos locais mais perigosos. Antes havia um PM Box na Praça da Matriz, mas mesmo assim já era perigoso”, conta ele, dizendo que, mesmo sendo homem, sente receio de ser vitimado por um criminoso.

“Tenho medo de andar aqui pelo Centro, principalmente a partir de 17h. É horrível. E é difícil ver policial: raramente eles aparecem. Chegamos aqui por volta de 8h30 e até agora (10h30) não vi um PM. Várias vezes presenciei assaltos. Os ladrões arrancam cordões. É coisa de louco”, denuncia Raissa Soares, 22, que veio ao Centro com sua mãe, Ercilene Moraes, 41, e o filho, Pedro Henrique, de 10 meses de idade.

Para o bombeiro hidráulico Abraão Malafaia, a situação no Centro é “horrível, pois não se pode mais andar; deixei até de receber meu benefício aqui, e não ando mais com relógio ou corrente de ouro. Tenho medo”.

A irmã da Congregação Franciscana Missionária de Maria, Francisca Campos, 77, disse que, mesmo tendo fé, tem receio e não se arrisca a andar pelo Centro com celular ou relógio. “Já fui assaltada aqui. Me tomaram o relógio. Tem que ter a fé e as obras do homem, senão não vai”, conta a religiosa. 

PM fala em diminuição de crimes

A 24ª Companhia  Interativa Comunitária (Cicom), que é comandada interinamente pelo capitão PM Jailson Martins de Souza, é responsável por atuar no Centro da cidade e nos bairros Presidente Vargas, Aparecida e parte da Praça 14 de Janeiro.

O oficial destaca que a Cicom atua com um efetivo de 190 policiais para aquelas áreas da cidade, inclusive o Centro. Em março, o então comando da corporação divulgou que o efetivo era de 140 soldados. O capitão afirmou que a PM conseguiu diminuir os índices de criminalidade no Centro em relação ao ano passado. “Apesar de toda essa crise, conseguimos, em números acumulados de janeiro a maio, uma redução nos furtos em 9,7%, homicídios de 35% e nos roubos de 8,5%”, frisou ele, baseado na estatística divulgada  pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP). Ele destaca entre as ações atuais o programa “Centro Seguro”.

Há relação com drogas, diz CDLM

Ao analisar a situação atual dos crimes registrados no Centro da cidade, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM), Ralph Assayag, faz uma curiosa relação dos fatos com o tráfico de drogas de Manaus. Segundo o empresário, os assaltos e outros crimes passaram a se tornar mais frequentes naquela área da cidade a partir do momento em que os órgãos de segurança começaram a apreender entorpecentes.

“O Brasil todo passa por uma situação difícil. No Estado do Amazonas a Secretaria de Segurança resolveu trabalhar em cima da droga. E quando se prende a droga, os bandidos, desesperados, vão atrás de pagá-la. E é aí que os assaltos começam a ficar maiores, com maior volume. Porém, sabemos que se a polícia não for ‘pra cima’ das drogas teremos problemas sérios, gerando a destruição das famílias e dos nossos funcionários”, esclareceu o dirigente lojista.  

Assayag lembrou que a CDLM vem mantendo reuniões com a Secretaria de Estado da Segurança (SSP) e todo o seu staff e se posicionando em relação aos locais onde há maiores problemas. Ele reconhece que o “Estado tem feito o possível” em face da situação, enviando “viaturas e homens” para a área central, “mas não há condições da polícia estar ao mesmo tempo nos nossos 30 mil lugares (estabelecimentos) de vendas”.

“Estamos tentando fazer o máximo de parcerias possíveis, junto ao secretário de Segurança Sérgio Fontes, e colaborando com ele para resolver esses problemas com tecnologias digitais”, disse Ralph Assayag, referindo-se à utilização do whatsapp para denunciar casos. Porém, diz o empresário, eles (os criminosos) são muitos e não “tem na testa quem assalta”, com alguns até bem aparentados e arrumados”.

“Temos que mudar nossos métodos. A polícia pode ficar mais ágil se todo mundo ligar para denunciar. A população tem que ajudar. É preciso mostrar que a sociedade organizada é superior ao marginal. E peço que a Justiça não libere criminosos com vários registros”, comentou o dirigente lojista.

O presidente da CDLM orienta que o público consumidor tenha cuidado ao guardar seu dinheiro ou pertences. Ele anunciou que a entidade está firmando parceria para que as câmeras externas das empresas sejam liberadas para o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops). “As ações estão sendo discutidas e estamos tendo, pelo menos, o aval da Secretaria de Segurança, disse ele.

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