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Manaus
SAÚDE

População do interior do AM pede sindicância para apurar mortes de mães em hospital

Nos últimos três meses, três mulheres vieram a óbito depois de darem à luz na unidade hospitalar de Novo Aripuanã 10/11/2018 às 02:04
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Recentemente o hospital recebeu novos servidores concursados. Fotos: Divulgação
Silane Souza Manaus (AM)

A população de Novo Aripuanã (a 227 quilômetros de Manaus) está reivindicando a abertura de uma sindicância para apurar os casos de mortalidade materna que vem ocorrendo no Hospital Regional do município. Nos últimos três meses, três mulheres vieram a óbito depois de darem à luz na unidade. O pedido dos moradores foi feito ontem, por meio de vereadores da Câmara Municipal, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

A última morte foi registrada no dia 25 de outubro. De acordo com a microempresária Verônica Lemos de Castro, 35, a irmã dela Cidia Lemos de Castro, 33, deu entrada no hospital regional por volta de 8h. Ela estava com todos os documentos necessários para fazer uma cesariana. Meia hora depois o médico informou que iria fazer a cirurgia, mas Cidia teve pressão alta, foi medicada e ficou aguardando a pressão se estabilizar.

Por volta de 11h, do mesmo dia, segundo Verônica, Cidia foi levada ao centro cirúrgico. O bebê nasceu entre 11h30 e 12h e a família foi avisada que o procedimento tinha ocorrido bem. “Mas às 17h30 a minha irmã começou a passar mal e às 18h morreu”, contou a microempresária, ressaltando que o hospital não tinha condições para prestar o socorro. “Não tinha desfibrilador, oxigênio. O atendimento foi feito na marra e quando o médico chegou não pôde fazer muita coisa”, completou.

Verônica diz que não entende como a irmã morreu se na cirurgia foi tudo bem. Ela destaca que o caso de Cidia foi parecido com o de Thainá Correa dos Santos, outra parturiente que morreu após fazer uma cesariana no Hospital Regional de Novo Aripuanã. Ela faleceu no dia 20 de setembro, pouco mais de um mês antes de Cidia. “Tanto o laudo dela quanto o da minha irmã aponta para as mesmas causas de morte (falência múltipla de órgãos, tromboembolia pulmonar, parada cardiorrespiratória e síndrome hipertensiva excessiva da gravidez)”, relatou.

Conforme a microempresária, Cidia e Thainá foram atendidas pelo mesmo médico. Ela não sabe se ele atendeu a terceira vítima fatal, Diane Braga Mascarenhas, que veio a óbito no dia 30 de agosto, mas frisa que esta também morreu após fazer uma cesariana no hospital. “Queremos que uma investigação seja feita. Isso não é normal. Não é comum três mulheres morrerem, em três meses, após o parto no município. As grávidas estão desesperadas. Não querem ser atendidas lá”.

Os casos de mortalidade materna no Hospital Regional de Novo Aripuanã tem revoltado a população do município, que já promoveu duas manifestações pelas ruas da cidade no último mês. Os moradores enfatizam ainda que a unidade hospitalar não tem material e equipamentos especializados para atender a demanda.

Protocolado na Susam

Atendendo ao pedido dos moradores de Novo Aripuanã, o vereador Neto Carvalho (PMN) protocolou, ontem, na Susam, um pedido de abertura de sindicância. No documento, os vereadores da Câmara Municipal pedem que a secretaria investigue a suposta negligência no atendimento prestado às parturientes no Hospital Regional do município.

Carvalho diz que uma avaliação nos procedimentos obstetrício e ginecológico será de suma importância, uma vez que esses óbitos vêm deixando as grávidas com insegurança.

Ele salienta, ainda, que não é normal que em três meses três mães venham a óbito em consequência de pós-parto. “Nem nos tempos de parto em casa, minha vó Maria José era uma parteira no município, isso aconteceu. E hoje com a tecnologia e a medicina avançada que temos vem acontecendo. Vamos continuar pedindo providências, inclusive do Ministério da Saúde e do Ministério Público, para que se descubra o que aconteceu e se implante uma saúde de qualidade no município”, afirmou.

'Já está sendo investigado'

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que já está investigando as possíveis causas dos óbitos. A pasta destacou que, recentemente, os profissionais da unidade passaram por atualização de capacitação em suporte básico de vida para identificar situações de riscos e tomadas de decisões relativas a condutas terapêuticas imediatas que possam evitar complicações em pacientes, mas que só com a conclusão da investigação poderá dizer se as mortes poderiam ser evitáveis, principalmente, se trataram-se de gravidez de risco.

A Susam informou, ainda, que a atual gestão da secretaria também regularizou o repasse de recurso para a saúde de Novo Aripuanã, que estava sem receber de administrações passadas. “Nos últimos dois meses, o município recebeu mais de R$ 1 milhão para o atendimento de Média e Alta Complexidade (MAC), uma ambulância nova, um gerador de energia, além de ter reforçada a equipe local com a chamada de concursados”, disse em nota.

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